Em união com todos os Santos Anjos

"Sanctus, Sanctus, Sanctus. Dóminus, Deus Sábaoth Pleni sunt caeli et terra Glória tua. Hosánna in excélsis. Benedíctus, qui venit In nómine Dómini, Hosánna in excélsis.

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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Quaresma de São Miguel


Hoje inicia a Quaresma de São Miguel Arcanjo deve ser rezada, diariamente, começando hoje indo até o dia 29 de setembro, dia da Festa de São Miguel. A tradicional Quaresma de São Miguel Arcanjo é uma oportunidade para os cristãos repetirem as palavras do chefe da milícia celeste: "Quem como Deus?". Miguel, na hierarquia angélica, era um dos menores anjos, mas amou mais e, por isso, assim como a Virgem Maria, foi exaltado pela graça divina. Esse tempo proporciona o exame de consciência e o arrependimento por todas as vezes em que se disse o "não servirei" do diabo, em vez do "Quem como Deus?" de São Miguel.


Quaresma de São Miguel

Oração inicial:
São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede nosso refúgio contra a maldade e as ciladas do demônio! Ordene-lhe, Deus, instantemente o pedimos; e vós, príncipe da milícia celeste, pela virtude divina, precipitai ao inferno satanás e todos os espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas. Amém. Sacratíssimo Coração de Jesus! (três vezes)

Ladainha de São Miguel Arcanjo
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Pai Celeste que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho Redentor do mundo que sois Deus, tende piedade de nós. Espírito Santo que sois Deus, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade que sois um só Deus, tende piedade de nós. Santa Maria, Rainha dos anjos, rogai por nós.
São Miguel, rogai por nós.
São Miguel, cheio de graça de Deus.
São Miguel, perfeito adorador do verbo divino.
São Miguel, coroado de honra e de glória.
São Miguel, poderosíssimo príncipe dos exércitos do Senhor.
São Miguel, porta-estandarte da Santíssima Trindade.
São Miguel, guardião do paraíso.
São Miguel, guia e consolador do povo insraelita.
São Miguel, esplendor e fortaleza da Igreja militante.
São Miguel, honra e alegria da Igreja triunfante.
São Miguel, luz dos anjos.
São Miguel, baluarte da verdadeira fé.
São Miguel, força daqueles que combatem pelo estandarte da cruz. São Miguel, luz e confiança das almas no último momento da vida. São Miguel, socorro muito certo.
São Miguel, nosso auxílio em todas as adversidades.
São Miguel, mensageiro da sentença eterna.
São Miguel, consolador das almas do purgatório, vós a quem o Senhor incumbiu de receber as almas depois da morte.
São Miguel, nosso príncipe. São Miguel, nosso advogado.
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos Senhor.
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos Senhor. Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós, Senhor.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Rogai por nós glorioso São Miguel, príncipe da Igreja de Jesus Cristo. Para que sejamos dignos das Suas promessas. Amém.

Oremos: Senhor Jesus Cristo, santificai-nos por uma benção sempre nova e concedei-nos, por intercessão de São Miguel, a sabedoria que nos ensina a ajuntar riquezas no Céu e a trocar os bens do tempo presente pelos bens eternos. Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém
.
Consagração a São Miguel
Ó Príncipe nobilíssimo dos anjos, valoroso guerreiro do Altíssimo, zeloso defensor da glória do Senhor, terror dos espíritos rebeldes, amor e delícia de todos os anjos justos, meu diletíssimo Arcanjo São Miguel, desejando eu fazer parte do número dos vossos devotos e servos, a vós hoje me consagro me dou e me ofereço, e ponho-me a mim próprio, a minha família e tudo o que me pertence, debaixo da vossa poderosíssima proteção. É pequena a oferta do meu serviço, sendo como sou um miserável pecador, mas vós engrandecereis o afeto do meu coração. Recordai-vos que de hoje em diante estou debaixo do vosso sustento e deveis assistir-me em toda a minha vida e obter- me o perdão dos meus muitos e graves pecados, a graça de amar a Deus de todo coração, ao meu querido Salvador Jesus Cristo e a minha Mãe Maria Santíssima. Obtende-me aqueles auxílios que me são necessários para receber a coroa da eterna glória. Defendei-me dos inimigos da alma, especialmente na hora da morte. Vinde, ó príncipe gloriosíssimo, assistir-me na última luta e, com a vossa arma poderosa, lançai para longe, precipitando nos abismos do inferno, aquele anjo quebrador de promessas e soberbo que um dia prostrastes no combate no Céu.
São Miguel Arcanjo, defendei-no no combate para que não pereçamos no supremo Juízo. Amém.

domingo, 16 de março de 2014

PARA BEM CELEBRAR A SANTA QUARESMA

Foto: PARA BEM CELEBRAR A SANTA QUARESMA

É importante compreender algumas das atitudes fundamentais deste tempo litúrgico, para entrarmos realmente em sintonia com o sentimento da Igreja. Eis algumas linhas importantes para nossa vida espiritual: 
 
1. No tempo da Quaresma somos chamados a nos transportar espiritualmente para o deserto do Sinal, onde o Povo de Israel, Povo de Deus do Antigo Testamento fez aliança com o seu Deus e realizou sua travessia rumo à Terra Prometida, com momentos de graça e de queda, de esperança e de profundo desânimo. Ora, nós somos o Povo de Deus do Novo Testamento, o Novo Povo de Deus.

Também atravessamos o deserto deste mundo como um povo peregrino, caminhando “entre as consolações de Deus e as perseguições do mundo”, como dizia Santo Agostinho. Somos o povo da Aliança nova e eterna, selada no sangue do Cordeiro sem mancha, um povo que, como o antigo, deve viver da Palavra de Deus, alimentado pelo novo maná, que é a Eucaristia, povo que caminha rumo à Terra Prometida, isto é, a Pátria celeste.

Então é muito importante nos colocar espiritualmente numa situação de caminho, de confiança em Deus, aprendendo dos textos do antigo Testamento que nos contam a história espiritual de Israel. Como nos adverte São Paulo, “esses fatos aconteceram para nos servir de exemplo... e foram escritos para nossa instrução, nós que fomos atingidos pelo fim dos tempos” (1Cor 10,6.11).

Por tudo isto, vamos escutar muito nas leituras da liturgia textos que nos falam do caminho e das tentações e provas de Israel. São o caminho e as provas da Igreja... 

(texto de D. Henrique Soares)

É importante compreender algumas das atitudes fundamentais deste tempo litúrgico, para entrarmos realmente em sintonia com o sentimento da Igreja. Eis algumas linhas importantes para nossa vida espiritual:

1. No tempo da Quaresma somos chamados a nos transportar espiritualmente para o deserto do Sinal, onde o Povo de Israel, Povo de Deus do Antigo Testamento fez aliança com o seu Deus e realizou sua travessia rumo à Terra Prometida, com momentos de graça e de queda, de esperança e de profundo desânimo. Ora, nós somos o Povo de Deus do Novo Testamento, o Novo Povo de Deus.

Também atravessamos o deserto deste mundo como um povo peregrino, caminhando “entre as consolações de Deus e as perseguições do mundo”, como dizia Santo Agostinho. Somos o povo da Aliança nova e eterna, selada no sangue do Cordeiro sem mancha, um povo que, como o antigo, deve viver da Palavra de Deus, alimentado pelo novo maná, que é a Eucaristia, povo que caminha rumo à Terra Prometida, isto é, a Pátria celeste.

Então é muito importante nos colocar espiritualmente numa situação de caminho, de confiança em Deus, aprendendo dos textos do antigo Testamento que nos contam a história espiritual de Israel. Como nos adverte São Paulo, “esses fatos aconteceram para nos servir de exemplo... e foram escritos para nossa instrução, nós que fomos atingidos pelo fim dos tempos” (1Cor 10,6.11).

Por tudo isto, vamos escutar muito nas leituras da liturgia textos que nos falam do caminho e das tentações e provas de Israel. São o caminho e as provas da Igreja...

Texto de D. Henrique Soares.

quarta-feira, 5 de março de 2014

A Quaresma


“Quaresma” provém do latim “Quadragésima” e significa “quarenta dias”; é o período de preparação para a Páscoa do Senhor, cuja duração é de 40 dias. Inicia-se na Quarta-Feira de Cinzas e se estende agora até a Quinta Feira Santa. É um tempo de “penitência, jejum e oração”, que a Igreja chama de “remédios contra o pecado”, para a busca da conversão da pessoa.
A Quaresma foi inspirada no período de tentação de Cristo no deserto, bem como os exemplos de Noé, em 40 dias na Arca, e Moisés, vagando por 40 anos no deserto do Sinai.
No início da Quaresma, na Quarta-Feira de Cinzas, os fiéis têm suas frontes marcadas com cinzas, como os primitivos penitentes públicos, excluídos temporariamente da assembléia (lembrando Adão expulso do Paraíso, de onde vem a fórmula litúrgica: “Lembra-te de que és pó…”).
Esse tempo de penitência é recordado pela liturgia: as vestes e os paramentos usados são da cor roxa (no quarto domingo da Quaresma, pode-se usar o rosa, representando a alegria pela proximidade do término da tristeza, pela Páscoa); o Glória não é cantado ou rezado; a aclamação do “Aleluia” também não é feita; não se enfeitam os templos com flores; o uso de instrumentos musicais torna-se moderado.
É um tempo também favorável para os exercícios espirituais, as liturgias penitenciais, as peregrinações penitenciais. O mesmo pode-se aplicar a todas as sextas-feiras do ano, tidas como dias penitenciais como prescreve o cân. 1250 do Código de Direito Canônico.
O historiador Sócrates informa que já no séc. V, a Quaresma durava seis semanas em Roma, sendo três semanas dedicadas ao jejum: a primeira, a quarta e a sexta. Já no século IV a “Peregrinação de Etéria” fala de um jejum de oito semanas praticado pela comunidade de Jerusalém, excluídos os sábados e domingos; o que totaliza os 40 dias de jejum. No tempo de São Gregório Magno (590-604), Roma observava os 40 dias da Quaresma.
O Código de Direito Canônico afirma que:
Cân.1250 – “Os dias e tempos penitenciais, em toda a Igreja, são todas as sextas-feiras do ano e o tempo da Quaresma”.
Cân.1251 – “Observe-se a abstinência de carne ou de outro alimento, segundo as prescrições da Conferência dos Bispos, em todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades; observem-se a abstinência e o jejum na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Cân.1252 – “Estão obrigados à lei da abstinência aqueles que tiverem completado catorze anos de idade; estão obrigados à lei do jejum todos os maiores de idade até os sessenta anos começados. Todavia, os pastores de almas e os pais cuidem que sejam formados para o genuíno sentido da penitência também os que não estão obrigados à lei do jejum e da abstinência, em razão da pouca idade”.
Para o Brasil a CNBB determinou que, exceto na Sexta-Feira Santa, todas as outras sextas-feiras, inclusive as da Quaresma, têm sua abstinência convertida em “outras formas de penitência, principalmente em obras de caridade e exercícios de piedade”.

Prof. Felipe Aquino

quinta-feira, 7 de março de 2013

O Anjo que confortou o Senhor


O SERVIÇO DOS ANJOS

Jesus não veio para ser servido, mas para servir, embora os Anjos O servissem depois das tentações (cf Mt 4,11, Mc 1, 12).
No deserto, Ele não fez milagres para si mesmo, e, ao mesmo tempo, rejeitou energicamente Satanás, quando este tentou sugerir-Lhe o poder de fazer milagres, apelando até à providencial proteção angélica (cf Mt 4,6). E também no Monte das Oliveiras agiu de maneira semelhante. Tentado novamente pelo diabo, não pediu que o Pai Lhe enviasse mais de doze legiões de Anjos. Antes, reservou este ministério angélico para a Sua Igreja. Não obstante, a Bíblia não nos impede de imaginar, que em Sua vida, o Senhor teve uma relação estreita com os Anjos.
Os Anjos de Deus, que Jacó no Antigo Testamento viu subindo e descendo pela escada (Gn 28,12), agora de fato estão "subindo e descendo sobre o Filho do Homem" (Jo 1,51). A escada do céu, que, segundo os Padres da Igreja, prefigurava o mistério da encarnação, contém também o mistério da Paixão de Jesus, porque somente Ele podia abrir novamente o céu.

A ORAÇÃO DE JESUS

Quando o Senhor começou a Sua Paixão no Monte das Oliveiras, rezou fervorosamente.
O Pai celeste respondeu a oração de Jesus enviando-Lhe um Anjo. Jesus aludiu à possível ajuda dos Anjos, frente uma inútil ajuda humana: "Ou pensas tu que eu não poderia apelar para o Meu Pai, para que Ele pusesse à Minha disposição, agora mesmo, mais de doze legiões de Anjos?" (Mt 26,53). Mas o Senhor preferiu renunciar a uma intervenção com caráter de milagre, que teria desviado a Sua missão. Pelo contrário, Jesus quis oferecer à humanidade o testemunho do amor supremo.
O espírito do mal, que tentara o Cristo no deserto, aproximou-se tenebroso, entre os troncos das oliveiras. O tentador no Getsêmani fora até mais insinuante do que no deserto. O Senhor, porém, exprime toda a Sua dor num grito agudo, infinito: "Meu Pai, Meu Pai, se quiserdes afastar de Mim este cálice... porém, seja feita não a Minha, mas a Tua vontade". E o grito e o pranto elevam-se até ferir o Coração do Pai. E o Filho é escutado pela Sua piedade: "Apresentou pedidos e súplicas, com veemente clamor e lágrimas, Àquele que O podia salvar da morte; e foi atendido por causa da Sua submissão" (Hb 5,7). "Apareceu-lhe um Anjo do céu, que O confortava" (Lc 22,43). Era a resposta do Pai.
O Anjo veio confortar Jesus. Não foram os homens, pois os Apóstolos, mesmo sendo convidados por Jesus para vigiar, adormeceram. Por isso só restava o Anjo. E entre as asas do Anjo, Jesus vislumbrava o mundo novo, a humanidade renovada pelo padecimento dessa noite, o Reino dos Céus vitorioso sobre o reino de Satanás.
Para o Anjo foi também uma experiência nova, ver o Senhor tão fraco, tão esmagado no chão, no meio de tantas trevas, abandonado por todos os Seus mais íntimos amigos. E ele, como Anjo, criatura desta Pessoa tão mergulhada no sofrimento , certamente não esqueceu aquilo que viu. Pode-se imaginar muito bem que foi uma experiência que marcou profundamente toda a sua existência angelical, e certamente a todos os Anjos que assistiram à Paixão do Senhor.
O envio do Anjo nos mostra também em que luta o Senhor estava envolvido. Porque depois do sofrimento no Horto, quando chegaram os soldados para prendê-l'O, Ele disse: "Esta é a vossa hora e o poder das trevas" (Lc 22,53). O aparecimento do Anjo mostra-nos que agora é a decisão da luta entre os Anjos bons e os anjos maus, os demônios, esta luta que começou na provação dos Anjos, e na qual os anjos caídos perderam seu lugar nos céus. Jesus avisou antes da Sua Paixão: "agora é o julgamento desde mundo, será lançado fora o príncipe deste mundo" (Jo 12,31). Quer dizer que Ele lançará fora o diabo.

CONSOLEMOS A JESUS

O episódio do Anjo do Getsêmani ofereceu freqüentemente, no passado, um ponto de partida para piedosas meditações para Horas Santas, de maneira que os devotos se tornaram 'anjos de conforto' para Jesus na Eucaristia, em reparação pelo abandono, pelas ofensas e pelos sacrilégios cometidos por muitos, como podemos ler no seguinte exemplo: "Jesus está só no Getsêmani; só é também Jesus no Sacramento do amor. Foi o Céu porém, que resolveu confortar o Divino Coração em Sua solidão, dor e tristeza. Quando no entanto, no Getsêmani, a violência da agonia foi tal, que a humanidade do Redentor esteve prestes a sucumbir, então um Anjo desceu para conforta-l'O... Jesus levanta os olhos e vê o Mensageiro de Seu Pai... já não está sozinho". No Getsêmani, um Anjo quebra a solidão do Mártir Divino, e, no Tabernáculo, quem desce para confortar Jesus? "Formações numerosas daqueles bem-aventurados espíritos", escreve São João Crisóstomo, "estão com as asas abertas diante do Tabernáculo, em adoração perpétua, e Jesus pede a Seus amigos ... Permanecei aqui e vigiai coMigo."
A piedade popular gosta de associar os Anjos à Paixão do Senhor: ora os vê recolhendo cada gota do Sangue derramado ao longo da Via Sacra, ora lhes atribui sentimentos de humana compaixão. Peçamos, pois, a estes Anjos, que nos preservem da indiferença diante do sofrimento do Senhor. A Paixão de Jesus não é algo para ser recordado de vez em quando, mas algo que marca profundamente a nossa vida, nosso ser e agir. Quantas vezes na história da Igreja ocorreu que, de um lado, os discípulos de Jesus estavam dormindo, enquanto os Seus inimigos realizavam zelosamente os planos mais perversos?

Os Anjos não compreenderam o mistério que se estava realizando com o seu Rei, mas agora convocam os fiéis para a veneração da Paixão: "Os exércitos dos Anjos rodeiam e veneram a gloriosa cruz, com santo temor, e eles convocam a todos os fiéis para a veneração. Todos vocês, que agora se tornaram brilhantes, pela prática do jejum, prostrai-vos com alegria e temor diante Dele e clamai: 'Seja bendita, ó Cruz preciosa, proteção do mundo'" (Liturgia ortodoxa do 3º Domingo da Quaresma).

quarta-feira, 6 de março de 2013

A ajuda angelical no Tempo da Quaresma


VIVER O MISTÉRIO PASCAL


A Igreja está em peregrinação. Durante o tempo da Quaresma percebemos mais vivamente esta peregrinação, que é o tempo de passagem da Igreja através do deserto. É um tempo de luta contra certas tentações, com a finalidade de tornar-nos mais fortes. No sentido espiritual podemos interpretar o "deserto" como o lugar de silêncio, onde experimentamos uma transformação como:

1) um desapegar-se de si mesmo para chegar ao autodomínio,
2) um esforçar-se para chegar à liberdade, serenidade e à vitória sobre os vícios,
3) um abrir-se para Deus, a Quem procuramos escutar na oração.

O povo de Israel foi transformado durante a sua caminhada no deserto. Durante os 400 anos que o povo viveu na escravidão, embora com comida em abundância, não recebeu nem uma mínima parte das comunicações que Deus lhes concedeu durante os 40 anos no deserto. A religiosidade do povo se formou precisamente ali, na austeridade, não obstante, na companhia dos Anjos, e também foi neste lugar que os Israelitas comeram o Pão dos Anjos. Também nós podemos contar com a ajuda angelical durante o tempo da Quaresma. Isto podemos verificar na Bíblia, por exemplo, quando o profeta Elias, perseguido e desanimado, querendo morrer no deserto, experimentou a ajuda do Anjo do Senhor. O socorro oferecido (cf 1 Rs 19,1-8) lhe permitiu retomar força e coragem para continuar o longo caminho até o monte de Deus.
O mesmo deve ter acontecido com Jesus. Os Santos Anjos estavam ali com Ele no deserto, quando estava esgotado pelo jejum de "quarenta dias e quarenta noites" e pelos assaltos do diabo, que por fim O deixou: "até o tempo oportuno" (Lc 4,13) , o que, segundo os Padres da Igreja, seriam as horas no Monte das Oliveiras.


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