Em união com todos os Santos Anjos

"Sanctus, Sanctus, Sanctus. Dóminus, Deus Sábaoth Pleni sunt caeli et terra Glória tua. Hosánna in excélsis. Benedíctus, qui venit In nómine Dómini, Hosánna in excélsis.

Blog Santo Anjo da Guarda

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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O Anjo do Senhor.




 Uma das orações mais profundas e, ao mesmo tempo, mais estimadas de nosso povo é “O Anjo do Senhor”. Nem todos sabem reza-la, embora todos os católicos devessem fazê-lo, porque adentra o âmago da nossa fé, o mistério da Encarnação, recordando sua grandiosidade. O toque do Angelus - às 6 da manhã, ao meio-dia e às 6 da tarde - é conservado em nossas Igrejas para nos lembrar de elevarmos o coração a Deus durante a faina diária. Em Roma é costume, desde séculos, o Papa aparecer, aos Domingos, na segunda janela do seu apartamento para a récita do Angelus, acompanhada de uma mensagem e da saudação ao povo que, por vezes, lota a Praça de São Pedro.

Vamos meditar sobre as invocações do Angelus, todas extraídas dos Evangelhos, justamente com o objetivo de aprofundar-lhe o significado, para nos estimular a manter esta preciosa tradição da Igreja.

“O Anjo do Senhor anunciou a Maria” (cf.Lc 1,26-27). Esta frase resume a passagem do Evangelho de São Lucas, na qual o Anjo Gabriel apresenta-se a Maria e anuncia que ela será a Mãe do Salvador. É um anúncio muito solene: “Alegra-te, Maria, porque achaste graça diante do Senhor” (Lc 1,28), significando que Cristo a co-envolve na plenitude do seu Mistério, projetando sobre ela toda a força da Redenção. Ela, por sua vez, aceita essa difícil missão, mesmo sem entendê-la cabalmente e sem saber o seu alcance. “E ela concebeu do Espírito Santo” (cf. Lc 1,35). O Pai e o Filho enviaram sobre Maria o seu Amor recíproco, o próprio Espírito Santo. Como conseqüência, ela concebeu em seu seio a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Verbo, para vir a ser gente como nós, exceto no pecado. Aparece, assim, a grandiosidade daquele acontecimento, pela condescendência de Deus querer vir morar conosco, tornando-se um dos nossos. Assim, hoje e para sempre, no seio da Trindade, Jesus Cristo tem unida a si a nossa natureza humana, já glorificada. “Eis aqui a serva do Senhor” (Lc 1,38). Esta segunda invocação repete a resposta de Maria. “Servo” é um termo que, na Sagrada Escritura, adquire um valor todo especial, particularmente em Isaías (cf. Is 53). Porque o Servo por excelência, anunciado pelos profetas, foi Aquele que nos ensinou a entrega total, aniquilando-se pelo próprio despojamento, mesmo sendo Deus (cf. Fl 2,6). E Jesus diz a respeito de si mesmo: “O Filho do Homem veio não para ser servido, mas para servir” (Mt 20,28), deixando-nos o exemplo: “Todo aquele que quiser tornar-se grande entre vós, se faça vosso servo” (Mt 20,26).

Ao colocar-se como serva diante de Deus, Maria antecipou a atitude de seu Filho, apoiando-se na profecia de Isaías. Logo a seguir, ela complementa: “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). Este “faça-se” é a disponibilidade total à vontade divina - Fiat - tão acentuado por muitos escritores de espiritualidade. Expressa, claramente, o reconhecimento de que nada é melhor do que a vontade de Deus, e o desejo de que ela se cumpra, ainda que não sejam conhecidas todas as suas consequências. A Palavra de Deus é sempre eficaz e, por isso, quando Maria concorda com o seu cumprimento, ela tem absoluta certeza de que vai se realizar o efeito da Palavra.

“E o Verbo se fez carne”... (Jo 1,14). Aqui está o centro do mistério da
Encarnação. Não há mistério mais sublime: Deus se torna gente como nós, passa pelas nossas emoções, pelas nossas fragilidades, e o que é maior e mais trágico, assume toda a nossa história, a triste história dos pecados, carregando sobre si as nossas culpas (cf. Is 53,4-5). Tudo, tudo pesou sobre Ele, que jamais depôs essa “carga” da humanidade, mas, pelo contrário, nos regenerou pelo seu Mistério Pascal.

A terceira e última invocação se completa: ...”E habitou entre nós” (Jo 1,14). A palavra “habitou” não traduz exatamente o que João refere. O Verbo, isto é, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, “fixou a sua tenda” estavelmente no meio de nós, como se Ele a tivesse construído, estabelecendo-a para sempre. De fato, depois que Jesus veio à terra, Ele nunca mais a deixou, ainda que a sua Ascensão gloriosa o tenha afastado visivelmente dos nossos olhos. Mas, Ele continua presente na Eucaristia, ou onde dois ou três estiverem reunidos em seu nome (cf. Mt 18,20), ou, ainda, com os missionários que vão aos confins da terra, anunciando a Boa-Nova: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20). Depois destas três invocações, vem a oração de conclusão: “Infundi, Senhor, em nossas almas a vossa graça”... Primeiramente, para aceitar o mistério da Redenção, é preciso a graça, a própria força de Deus que nos é dada para realizar o que nós, normalmente, não conseguiríamos. Nenhuma obra meritória seria possível sem o auxílio da graça de Deus, que nos eleva acima de nossas fragilidades e nos transforma, tornando-nos aptos a fazer a vontade divina, em dimensão sobrenatural.

...”Para que, conhecendo pela anunciação do Anjo o mistério da Encarnação”... É importante conhecer os eventos relacionados à vinda de Deus entre nós: a escolha de Maria, as glórias com as quais Deus a adornou em vista dessa missão, o chamado de José para ser o Pai adotivo do Menino que iria nascer, e todas as dificuldades que tiveram de ser superadas para que o plano de Deus se realizasse, na “plenitude dos tempos”. Entretanto, mais do que conhecer, é preciso vivenciar a ansiosa expectativa, o generoso acolhimento e a jubilosa gratidão daqueles aos quais Deus se confiou como criança indefesa.

...”Cheguemos, por sua Paixão e Cruz, à glória da Ressurreição”. No Mistério Pascal, defrontamo-nos com o ponto convergente dos merecimentos de Cristo: o seu sofrimento, o derramamento de sangue, a coroação de espinhos, a flagelação, o caminho do Calvário, a crucifixão e a morte. Passando por esse mistério da Paixão, Cristo ressuscita glorioso, na manhã da Páscoa, e sobe aos céus. Dessa glória nós quase nada conhecemos. Mesmo àqueles dotados de graças místicas, Ele nunca aparece como está, realmente, nos céus, porque olhos humanos não seriam capazes de suportar essa visão. Somente após a morte, como a nossa fé nos garante, receberemos a “luz da glória”, dom que nos permitirá vê-lO tal como Ele é. Finalmente, na consumação dos tempos, nossos corpos também ressuscitarão, pois a Ressurreição de Cristo é penhor e garantia da nossa.

Quanta beleza e profundidade contidas numa oração tão pequena e facílima de ser rezada diariamente! A todos aconselho recita-la com muita piedade, fé e devoção, santificando as etapas do dia: pela manhã, recordando a atitude de Maria, consagramos a Deus nossas atividades; ao meio-dia, unimo-nos ao Verbo Encarnado em sua Paixão; à tarde, recordamos a morte que cai sobre a humanidade como a noite, na certeza de que Cristo triunfou, pela Ressurreição, e nos torna também vitoriosos, na expectativa da união definitiva com Ele.

CARDEAL D. EUSÉBIO OSCAR SCHEID

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Dom Athanasius Schneider: "Votar a verdade divina e a Palavra de Deus é indigno"



 Em entrevista ao portal PCH24, Dom Athanasius Schneider, Bispo auxiliar da Arquidiocese de Maria, em Astana (Cazaquistão), analisa o estado da Igreja após o recente Sínodo sobre a família e o debate sobre a possibilidade de dar a comunhão aos divorciados recasados. O prelado disse que no sínodo foi uma manipulação clara por alguns prelados e elogia o trabalho dos jornalistas católicos e blogueiros que "se comportaram como bons soldados de Cristo e alertou para a agenda clerical que procuraram minar a doutrina perene de Nosso Senhor"

Sínodo

Durante o Sínodo houve momentos de óbvia manipulação por parte de alguns clérigos que ocupavam posições chaves na estrutura editorial e de governo do sínodo. O relatório preliminar ou relatio post disceptationis foi claramente um texto pré-fabricado[...] Nos parágrafos sobre a homossexualidade, a sexualidade e os “divorciados recasados”, o texto é o reflexo de uma ideologia neo-pagã radical[...] Graças a Deus e às orações dos fiéis do mundo inteiro, um número importante de padres sinodais rejeitou resolutamente essa agenda; essa agenda que reflete o pensamento dominante corrompido e pagão do nosso tempo, que está sendo imposto em todo o mundo por meio da pressão política e através dos quase onipotentes veículos de comunicação de massa oficiais, que são leais aos princípios do partido mundial da ideologia de gênero. Tal documento sinodal, mesmo que seja apenas preliminar, é uma verdadeira vergonha. Ele dá uma ideia da extensão do espírito mundano anti-cristão que já penetrou a tal nível na vida da Igreja [...] Felizmente a Mensagem dos padres sinodais é um verdadeiro documento católico que expõe a verdade divina sobre a família sem se calar sobre as raízes mais profundas dos problemas, ou seja, a realidade do pecado. Ele oferece uma verdadeira coragem e consolo às famílias católicas.

Mandamento divino irrevogável
Há um mandamento divino, o sexto mandamento, sobre a absoluta indissolubilidade do matrimônio sacramental, uma lei estabelecida de modo divino, que proíbe àqueles que se encontram num estado de pecado grave de ter acesso à Santa Comunhão. Esse é o ensinamento de São Paulo em sua Carta inspirada pelo Espírito Santo (I Cor 11, 27-30). Isso não pode ser submetido a votação, assim como a divindade de Cristo nunca pode ser submetida a votação. Uma pessoa que ainda tem o vínculo matrimonial sacramental indissolúvel, e que apesar disso vive num estado de coabitação marital estável com outra pessoa, em razão da lei divina não pode ser admitida à Sagrada Comunhão. Para fazer o contrário, constituiria uma declaração pública da Igreja legitimando a negação da indissolubilidade do matrimônio cristão, e ao mesmo tempo revogando o sexto mandamento de Deus: “Não cometerás adultério“. Nenhuma instituição humana, nem mesmo o papa ou um Concílio ecumênico, tem autoridade ou competência para invalidar, mesmo de modo mais leve ou mais indireto, um dos dez mandamentos divinos, ou as palavras divinas de Cristo: “O que Deus uniu, o homem não separará“ (Matheus 19,6).

É indigno para votar a verdade divina
A tentativa de colocar a Verdade divina e a Palavra divina em votação não é digna daqueles que, enquanto representantes do Magistério, têm o dever de transmitir com zelo o depósito divino, como servos bons e fiéis (cf. Mt 24, 45). Ao admitir os divorciados recasados à Santa Comunhão, esses bispos estabelecem uma nova tradição, fruto de seu próprio querer, e transgridem assim o mandamento de Deus, pelo quê Cristo repreendeu outrora os fariseus e escribas (cf. Mt 15, 3). E o que é mais agravante é o fato de que esses bispos tentam justificar sua infidelidade à palavra de Cristo por meio de argumentos de necessidade pastoral, de misericórdia, de abertura ao Espírito Santo. Além disso, eles não temem perverter sem escrúpulos, ao modo gnóstico, o sentido verdadeiro dessas palavras, apresentando aqueles que se opõem a eles como rígidos, escrupulosos ou tradicionalistas. Durante a grande crise ariana do século IV, os defensores da divindade do Filho de Deus também eram taxados de intransigências e de tradicionalismo.

Doutrina confusa entre os sacerdotes e fiéis
Isso só faz aumentar a confusão doutrinal entre os padres e fiéis, a ideia que ficará no ar é de que os mandamentos divinos e as palavras divinas de Cristo, assim como as do apóstolo Paulo, são susceptíveis de modificação por decisão humanas. [...] Devemos acreditar firmemente que Deus dissipará esses planos de desonestidade, infidelidade e traição. Cristo segura infalivelmente o leme do navio de Sua Igreja em meio de tal tormenta. Acreditamos e depositamos nossa confiança no verdadeiro chefe da Igreja, Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a Verdade.

Cristo purifica a fé através da prova
Nesses tempos extraordinariamente difíceis Cristo purifica nossa fé católica para que através dessa provação, a Igreja acabe por brilhar mais e se torne realmente sal e luz para esse mundo neo-pagão insípido, graças à fidelidade e à fé simples e pura dos fiéis, dos pequenos da Igreja, da ecclesia docta, a Igreja discente, que em nossos dias dará força à ecclesia docens, a Igreja docente, o Magistério, assim como ocorreu durante a grande crise da fé no século IV.

Incentiva os católicos a serem fiéis ao Catecismo
Devemos encorajar os católicos comuns a permanecerem fiéis ao catecismo que eles aprenderam, a serem fiéis às claras palavras de Cristo no Evangelho, a serem fiéis à fé que lhes foi transmitida por seus pais e antepassados. Devemos organizar grupos de estudos e conferências sobre o ensinamento constante da Igreja sobre a questão do matrimônio e da castidade, convidando para isso especialmente os jovens e os casais casados. Devemos mostrar a beleza de uma vida casta, a beleza do matrimônio cristão e da família, o grande valor da Cruz e do sacrifício em nossas vidas. Devemos apresentar sempre mais os exemplos dos santos modestos que demonstraram, ainda que eles tenham sofrido, as mesmas tentações da carne, e a mesma hostilidade e escárnio do mundo pagão, eles viveram com a graça de Cristo uma vida de alegria na castidade, no seio do matrimônio cristão e da família.

Formação de grupos de apoio para a conversão e santidade
A fé, a fé pura e integral católica e apostólica vencerá o mundo (cf. 1Jo 5,4). Devemos criar e promover grupos de jovens com coração puro, grupos de famílias, grupos de esposos católicos, que se comprometerão a permanecerem fiéis a seus votos matrimoniais. Devemos organizar grupos que ajudarão moralmente e materialmente as famílias divididas, as mães solitárias; grupos que assistirão, pela oração e pelos bons conselhos, os casais separados; grupos de pessoas que ajudarão os “divorciados recasados” a iniciar um processo de conversão séria, reconhecendo com humildade sua situação de pecado que viola o mandamento de Deus e a santidade do sacramento do matrimônio. Devemos criar grupos que ajudarão com prudência as pessoas que têm tendências homossexuais, a fim de fazê-las entrar no caminho da conversão cristã, esse caminho belíssimo e alegre de uma vida casta, e para propor-lhes eventualmente, de modo delicado, uma ajuda psicológica. Devemos demonstrar e pregar aos nossos contemporâneos desse mundo neo-pagão o poder libertador da boa nova, do ensinamento de Cristo: que o mandamento de Deus, incluindo o sexto mandamento, é sabedoria e beleza. “A lei do Senhor é perfeita, reconforta a alma; a ordem do Senhor é segura, instrui o simples. Os preceitos do Senhor são retos, deleitam o coração; o mandamento do Senhor é luminoso, esclarece os olhos” (Salmo 19 (18), 7-8).

A Igreja na Polónia representava a verdade no Sínodo
É sem dúvida uma honra para o catolicismo polonês que o presidente da Conferência episcopal, Sua Excelência Dom Gadecki, tenha defendido com clareza e coragem a verdade de Cristo sobre o matrimônio e a sexualidade humana, revelando-se assim um verdadeiro filho espiritual de São João Paulo II. O cardeal Georges Pell descreveu corretamente a agenda sexual liberal e o apoio pretendidamente misericordioso e pastoral à comunhão para os divorciados recasados que se viu durante o Sínodo, dizendo que se tratava apenas da ponta do iceberg e de um tipo de cavalo de Troia na Igreja.

Jornalista católicos e blogueiros, Soldados de Cristo
Que, no próprio seio da Igreja, exista pessoas que minam o ensinamento de Nosso Senhor, isso se tornou um fato visível para o mundo inteiro, graças à internet e ao trabalho de alguns jornalistas católicos que não ficaram indiferentes ao que ocorria à fé católica, que eles consideram como o tesouro de Cristo. Fiquei feliz ao ver que alguns jornalistas católicos e blogueiros se comportaram como bons soldados de Cristo, chamando a atenção para essa agenda clerical que mina o ensinamento perene de Nosso Senhor. Os cardeais, os bispos, os padres, as famílias católicas, os jovens católicos devem dizer para si mesmos: “Eu me recuso a me conformar com o espírito neo-pagão desse mundo, mesmo se os bispos e sacerdotes o difundem, não aceitarei seu uso falacioso e perverso da santa misericórdia divina e de um “novo Pentecostes”, me recuso a jogar grãos de incenso diante da estátua do ídolo da ideologia de gênero, diante do ídolo do segundo casamento, do concubinato, mesmo que meu bispo o faça, não o farei; com a graça de Deus escolherei sofrer ao invés de trair a verdade integral de Cristo sobre a sexualidade humana e o matrimônio”.
Bispos e cardeais oferecendo incenso aos ídolos neo-pagans
São os testemunhos que convencerão o mundo, e não os docentes, disse o bem-aventurado Paulo VI na Evangelii nuntiandi. A Igreja e o mundo precisa realmente de Deus, da verdade integral das palavras de Cristo sobre o matrimônio. Os fariseus e os escribas clericais modernos, esses bispos e cardeais que jogam grãos de incenso diante dos ídolos neo-pagãos da ideologia de gênero e do concubinato, não convencerão ninguém a crer em Cristo ou a estar disposto a oferecer sua vida por Cristo.

Na verdade, “veritas Domini manet aeternum” (Salmo 116, a verdade do Senhor permanece para sempre), “Cristo é o mesmo ontem, hoje e para sempre” (Hb 13, 8), e “a verdade vos libertará” (Jo 8, 32). Essa última frase era uma das citações da Bíblia preferidas de São João Paulo II, o papa da família. Podemos acrescentar: a verdade divina revelada e transmitida sem alteração sobre a sexualidade humana e o matrimônio trará a verdadeira liberdade às almas, dentro e fora da Igreja. No meio da crise da Igreja e do mau exemplo moral e doutrinal de alguns bispos de seu tempo, Santo Agostinho reconfortava os simples fiéis com essas palavras: “Quem quer que sejamos, nós bispos, estais em segurança, vós que tendes Deus por pai e sua Igreja por mãe” (Contra litteras Petiliani III, 9-10).

João Paulo II, Papa Família
Na verdade, “veritas Domini manet aeternum” (Salmo 116, a verdade do Senhor permanece para sempre), “Cristo é o mesmo ontem, hoje e para sempre” (Hb 13, 8), e “a verdade vos libertará” (Jo 8, 32). Essa última frase era uma das citações da Bíblia preferidas de São João Paulo II, o papa da família. Podemos acrescentar: a verdade divina revelada e transmitida sem alteração sobre a sexualidade humana e o matrimônio trará a verdadeira liberdade às almas, dentro e fora da Igreja. No meio da crise da Igreja e do mau exemplo moral e doutrinal de alguns bispos de seu tempo, Santo Agostinho reconfortava os simples fiéis com essas palavras: “Quem quer que sejamos, nós bispos, estais em segurança, vós que tendes Deus por pai e sua Igreja por mãe” (Contra litteras Petiliani III, 9-10).
 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Como um anjo para os outros

 

Os Anjos falam ao homem do que constitui o seu verdadeiro ser, do que na sua vida com muita frequência está velado e sepultado. Eles chamam-no a reentrar em si mesmo, tocando-o da parte de Deus. Neste sentido também nós, seres humanos, deveríamos tornar-nos sempre de novo anjos uns para os outros anjos que nos afastam dos caminhos errados e nos orientam sempre de novo para Deus.
Se a Igreja antiga chama os Bispos "anjos" da sua Igreja, pretende dizer precisamente o seguinte: "os próprios Bispos devem ser homens de Deus, devem viver orientados para Deus. "Multum orat pro populo" "Reza muito pelo povo", diz o Breviário da Igreja a propósito dos santos Bispos. O Bispo deve ser um orante, alguém que intercede pelos homens junto de Deus. Quanto mais o fizer, tanto mais compreende também as pessoas que lhe estão confiadas e pode tornar-se para elas um anjo um mensageiro de Deus, que as ajuda a encontrar a sua verdadeira natureza, a si mesmas, e a viver a ideia que Deus tem delas.

É tarefa do Bispo, como homem de Deus, fazer espaço para Deus no mundo contra as negações e defender assim a grandeza do homem. E o que se poderia dizer e pensar de maior sobre o homem a não ser que o próprio Deus se fez homem? A outra função de Miguel, segundo a Escritura, é a de protetor do Povo de Deus (cf. Dn 10, 21; 12, 1). Queridos amigos, sede verdadeiramente "anjos da guarda" das Igrejas que vos serão confiadas! Ajudai o povo de Deus, que deveis preceder na sua peregrinação, a encontrar a alegria na fé e a aprender o discernimento dos espíritos: a acolher o bem e a recusar o mal, a permanecer e tornar-se sempre mais, em virtude da esperança da fé, pessoas que amam em comunhão com Deus-Amor.




 



domingo, 7 de setembro de 2014

Os nossos deveres para com os Santos Anjos



São Bernardo, o devoto de Maria, o amigo do Coração de Jesus, é também, pode-se dizer, o cantor, o arauto dos Anjos da Guarda. O santo doutor afirma que para cada criança, cada ser humano existe um Anjo, e nunca devemos nos esquecer deste parceiro de vida, (devemos) ter “respeito pela sua presença, devoção à sua bondade e confiança na guarda que nos faz. O anjo de Deus nos acompanha com sua presença, ele nos honra e nos ama por sua bondade, e ele nos defende por sua guarda”. Vejam então as disposições com as quais São Bernardo muito apropriadamente sugere para que correspondamos a tanta bondade .

"Respeito à presença." Nunca devemos esquecer a presença do Anjo da Guarda, o príncipe celeste que nunca se envergonha de nós. [...]

"Devoção à bondade." O Anjo da Guarda não se faz só presente, mas está cheio de ternura e caridade, que ainda exige de nós amor, por causa do carinho, isto é, a devoção. [...] Devoção concretizada na prática da oração diária, invocando seu Anjo no início e no final de cada dia, mas também durante todo o dia. [...]

"A confiança na sua guarda." Saber-se guardado por um príncipe da corte celeste, por um desses espíritos eleitos a quem o Senhor – se referindo às crianças - disse que eles veem constantemente a majestade de Deus no esplendor do Paraíso, que não só inspira respeito e devoção, mas suscita a mais total confiança. A confiança, que é muito mais do que a audácia terrena, é necessária e deve apoiar, principalmente, quando a tarefa é difícil e estamos pondo em dúvida nossos bons propósitos. Nesse momento, então, de uma forma mais acentuada, devemos esperar a proteção e a guarda dos Santos Anjos. E realmente, neste sentido de confiança, vemos mais e mais evidente a necessidade da oração, que é precisamente a expressão autêntica e espontânea da confiança.

Discurso às crianças, 10 de setembro de 1934 - Discursos, volume 3.

quarta-feira, 5 de março de 2014

A Quaresma


“Quaresma” provém do latim “Quadragésima” e significa “quarenta dias”; é o período de preparação para a Páscoa do Senhor, cuja duração é de 40 dias. Inicia-se na Quarta-Feira de Cinzas e se estende agora até a Quinta Feira Santa. É um tempo de “penitência, jejum e oração”, que a Igreja chama de “remédios contra o pecado”, para a busca da conversão da pessoa.
A Quaresma foi inspirada no período de tentação de Cristo no deserto, bem como os exemplos de Noé, em 40 dias na Arca, e Moisés, vagando por 40 anos no deserto do Sinai.
No início da Quaresma, na Quarta-Feira de Cinzas, os fiéis têm suas frontes marcadas com cinzas, como os primitivos penitentes públicos, excluídos temporariamente da assembléia (lembrando Adão expulso do Paraíso, de onde vem a fórmula litúrgica: “Lembra-te de que és pó…”).
Esse tempo de penitência é recordado pela liturgia: as vestes e os paramentos usados são da cor roxa (no quarto domingo da Quaresma, pode-se usar o rosa, representando a alegria pela proximidade do término da tristeza, pela Páscoa); o Glória não é cantado ou rezado; a aclamação do “Aleluia” também não é feita; não se enfeitam os templos com flores; o uso de instrumentos musicais torna-se moderado.
É um tempo também favorável para os exercícios espirituais, as liturgias penitenciais, as peregrinações penitenciais. O mesmo pode-se aplicar a todas as sextas-feiras do ano, tidas como dias penitenciais como prescreve o cân. 1250 do Código de Direito Canônico.
O historiador Sócrates informa que já no séc. V, a Quaresma durava seis semanas em Roma, sendo três semanas dedicadas ao jejum: a primeira, a quarta e a sexta. Já no século IV a “Peregrinação de Etéria” fala de um jejum de oito semanas praticado pela comunidade de Jerusalém, excluídos os sábados e domingos; o que totaliza os 40 dias de jejum. No tempo de São Gregório Magno (590-604), Roma observava os 40 dias da Quaresma.
O Código de Direito Canônico afirma que:
Cân.1250 – “Os dias e tempos penitenciais, em toda a Igreja, são todas as sextas-feiras do ano e o tempo da Quaresma”.
Cân.1251 – “Observe-se a abstinência de carne ou de outro alimento, segundo as prescrições da Conferência dos Bispos, em todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades; observem-se a abstinência e o jejum na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Cân.1252 – “Estão obrigados à lei da abstinência aqueles que tiverem completado catorze anos de idade; estão obrigados à lei do jejum todos os maiores de idade até os sessenta anos começados. Todavia, os pastores de almas e os pais cuidem que sejam formados para o genuíno sentido da penitência também os que não estão obrigados à lei do jejum e da abstinência, em razão da pouca idade”.
Para o Brasil a CNBB determinou que, exceto na Sexta-Feira Santa, todas as outras sextas-feiras, inclusive as da Quaresma, têm sua abstinência convertida em “outras formas de penitência, principalmente em obras de caridade e exercícios de piedade”.

Prof. Felipe Aquino

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Com o Santo Anjo somos livres da cadeia

O Anjo da libertação
"Ora, quando Herodes estava para o apresentar, naquela mesma noite dormia Pedro entre dois soldados, ligado com duas cadeias. Os guardas, à porta, vigiavam o cárcere.
7.
De repente, apresentou-se um anjo do Senhor, e uma luz brilhou no recinto. Tocando no lado de Pedro, o anjo despertou-o: Levanta-te depressa, disse ele. Caíram-lhe as cadeias das mãos.
8.
O anjo ordenou: Cinge-te e calça as tuas sandálias. Ele assim o fez. O anjo acrescentou: Cobre-te com a tua capa e segue-me.
9.
Pedro saiu e seguiu-o, sem saber se era real o que se fazia por meio do anjo. Julgava estar sonhando.
10.
Passaram o primeiro e o segundo postos da guarda. Chegaram ao portão de ferro, que dá para a cidade, o qual se lhes abriu por si mesmo. Saíram e tomaram juntos uma rua. Em seguida, de súbito, o anjo desapareceu.
11.
Então Pedro tornou a si e disse: Agora vejo que o Senhor mandou verdadeiramente o seu anjo e me livrou da mão de Herodes e de tudo o que esperava o povo dos judeus.
12.
Refletiu um momento e dirigiu-se para a casa de Maria, mãe de João, que tem por sobrenome Marcos, onde muitos se tinham reunido e faziam oração.
13.
Quando bateu à porta de entrada, uma criada, chamada Rode, adiantou-se para escutar.
14.
Mal reconheceu a voz de Pedro, de tanta alegria não abriu a porta, mas, correndo para dentro, foi anunciar que era Pedro que estava à porta.
15.
Disseram-lhe: Estás louca! Mas ela persistia em afirmar que era verdade. Diziam eles: Então é o seu anjo.
16.
Pedro continuava a bater. Afinal abriram a porta, viram-no e ficaram atônitos.
17.
Ele, acenando-lhes com a mão que se calassem, contou como o Senhor o havia livrado da prisão, e disse: Comunicai-o a Tiago e aos irmãos. Em seguida, saiu dali e retirou-se para outro lugar.
Logo que amanheceu, houve um sobressalto pouco comum entre os soldados sobre o que acontecera a Pedro".                                                                                                                             Atos dos Apóstolos,12.

Só em Deus poderemos conseguir a luz e a força, para alcançarmos o procedimento ideal que nos conduzirá à verdadeira liberdade e à plena felicidade.

A ajuda dos Anjos não se limita somente a uma proteção física, mas querem livrar também da prisão do pecado. O mundo nos aflige dia a dia com as noticias de sofrimentos por guerras, manifestações, assaltos, explosões, assassinatos, enfermidades e desnutrições. Hoje em dia há muitas cadeias de opressões, fome, pobreza, privação e morte, mas também soberba, egoísmo, ódio, inveja, vingança, etc. São cadeias piores que as que atam pés e mãos com elos de ferro, porque, é acima de tudo o pecado e a miséria espiritual que nos mantém encarcerados.
Com a sua presença, o Anjo pode iluminar espiritualmente os lugares escuros dos corações, dos sentimentos de opressão e violência. Então, que os santos Anjos do céu protejam estas pessoas e lhes deem força, perseverança e medicina para aliviar os sofrimentos.

Um missionário da China contava o seguinte caso, que foi publicado na Revista L'ange Gardien de Lyon, França:

"Um jovem de 21 anos, a quem Deus concedeu o milagre de São Pedro, tirando-o do cárcere por seu bom Anjo. Este excelente jovem decidiu fazer-se cristão secretamente e se desfez de seus ídolos, que jogou ao fogo. Mas o seu irmão mais velho, ao se dar conta do que ele havia feito, encolerizou-se e golpeou-o com crueldade e o prendeu num lugar com cadeias nas mãos, nos pés e no pescoço. Assim, passou dois dias e duas noites sem comer, decidido a morrer antes de renunciar a sua nova fé. Na segunda noite, enquanto dormia, foi despertado por um desconhecido, que lhe mostrando uma abertura na padeira, disse-lhe: "levanta-te e sai daqui". Imediatamente, lhe caíram as cadeias e saiu sem pensar duas vezes. Logo que tinha saído à rua, não viu mais a abertura da parede nem o seu libertador. Sem duvidar, foi ver os cristãos da vizinhança e, depois, foi contar a seu irmão o que tinha acontecido. Foi batizado, e logo depois foi batizado também o seu irmão, que por este milagre se converteu".

Santo Anjo de DEUS, que abriste as portas aos apóstolos no cárceres, abre-as também 
a tantos que estão cativos.
Amém.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Anjos da Boa Nova

    COMO CRISTO, TAMBÉM NÓS SOMOS ENVIADOS A SERMOS ANJOS DA BOA NOVA



Com efeito, é preciso recordar que a palavra "anjo" além de definir os Anjos, criaturas espirituais dotadas de inteligência e vontade, servos e mensageiros de Deus, é também um dos títulos mais antigos atribuídos ao próprio Jesus.

Lemos por exemplo em Tertuliano, século III: "Ele – isto é – Cristo também foi chamado "anjo do conselho", ou seja, anunciador, que é uma palavra que denota um cargo, não a natureza. Com efeito, ele tinha que anunciar ao mundo o grande desígnio do Pai para a restauração do homem" (De carne Christi, 14), segundo Tertuliano.

Portanto, Jesus Cristo, o Filho de Deus é chamado também o Anjo de Deus Pai: Ele é o Mensageiro por excelência do seu amor. Queridos amigos, pensemos agora no que Jesus ressuscitado disse aos Apóstolos: "Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós" (Jo 20, 21); e comunicou-lhes o seu Santo Espírito.

Isto significa que, como Jesus foi anunciador do amor de Deus Pai, também nós o devemos ser da caridade de Cristo: somos mensageiros da sua ressurreição, da sua vitória sobre o mal e sobre a morte, portadores do seu amor divino.

Certamente, permanecemos por natureza homens e mulheres, mas recebemos a missão de "anjos", mensageiros de Cristo: a todos é dada no Batismo e na Confirmação. E de modo especial, através do Sacramento da Ordem, recebem-na os sacerdotes, ministros de Cristo; apraz-me ressaltar isto neste Ano sacerdotal.

Papa Bento XVI
Regina Caeli de 5 de abril de 2010

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

OS PERIGOS DA "NOVA ERA"



A New Age constitui um grande desafio para o cristianismo. Não só porque se está difundindo em nível planetário, mas, sobretudo, porque incorpora elementos do cristianismo, modificando seu significado original; por exemplo, JESUS CRISTO já não é considerado como Filho de DEUS e único Salvador do mundo, mas um “iluminado” ao lado de outros.


Existe a perda do conceito de «verdade», estamos em pleno subjetivismo. DEUS tem mil facetas (energia cósmica, extracósmica, uma Mente, o Todo, somos nós mesmos, etc).

Se JESUS já não é o Salvador, se vai à busca de outras salvações que se convertem em «auto-salvações» através de métodos, meditações, praticas várias, inclusive mágicas. Esvazia-se da espera escatológica, enquanto que a salvação chegará em qualquer caso após uma série, talvez longuíssima, de reencarnações.

Entre as tradições que se juntaram na Nova Era podem contar-se: as antigas práticas do ocultismo egípcio, a cabala, o gnosticismo cristão primitivo, o sufismo, as tradições dos druidas, o cristianismo celta, a alquimia medieval, o hermetismo renascentista, o budismo zen, a yoga, etc.

“A natureza gnóstica deste movimento exige que se o julgue em sua totalidade. Desde o ponto de vista da fé cristã, não é possível isolar alguns elementos da religiosidade da Nova Era como aceitáveis por parte dos cristãos e rejeitar outros. Posto que o movimento da Nova Era insiste tanto na comunicação com a natureza, no conhecimento cósmico de um bem universal, negando assim os conteúdos revelados da fé cristã, não pode ser considerado como algo positivo ou inócuo” (1).

As teses principais da New Age são incompatíveis com o cristianismo, muito mais, são opostas a ele.

DISFARÇADOS EM ANJOS DE LUZ



Quando na Nova Era se fala de anjos, se faz de maneira pouco sistemática, muito confusa e sem distinções. Os “anjos” da New Age são identificados como diversos níveis de guias, entidades, energias e seres que (segundo eles) estão espalhados pelo universo... Estes seres estariam à disposição para que cada um os possa escolher e eleger segundo os seus próprios mecanismos de atração–repulsão.

Estes seres espirituais às vezes são invocados de maneira “não religiosa” como uma ajuda para o relaxamento, com vista a melhorar a tomada de decisões e o controle da própria vida pessoal e profissional.

A New Age descreve espíritos da natureza como energias poderosas que existem no mundo natural e também nos “níveis interiores”: aos quais se acede mediante o uso de rituais, drogas e outras técnicas para alcançar estados de consciência alterados.

Urge esclarecer o seguinte: É certa a existência de criaturas espirituais que influenciam a ordem da natureza. Esses seres foram criados por DEUS. São os Anjos. Entre os Anjos não existe meio termo: ou são bons: Santos Anjos, ou maus: os demônios.

Como já dissemos em outro post, os Santos Anjos não têm interesse de alimentar a curiosidade humana, em hipótese alguma. Eles não chamam a atenção para si mesmos. Ao passo que os demônios não só querem a atenção dos homens, mas também o seu culto. E as pessoas que vão atrás de doutrinas exotéricas e New Age em geral, não estão se unindo aos Anjos Bons, mas aos maus... dá para entender?

“Isso não é de admirar, pois o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz” (2 Cor 11,14).



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1. Documento do Vaticano «JESUS CRISTO, portador de água viva. Uma reflexão cristã sobre a Nova Era», n 4.


Fonte: Opus Sanctorum Angelorum

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

DOUTOR ANGÉLICO




Nesta semana, dia 28 de janeiro para ser preciso, a Igreja celebrou Santo Tomás de Aquino, também chamado Doctor Angelicus, não somente por ter ele escrito mais e melhor do que qualquer outro sobre o mundo Angélico, mas também por suas virtudes, em particular a sublimidade de seu pensamento e a pureza de sua vida.

O dom que é para a Igreja a figura e o ensinamento desse grande santo! O Beato Papa João Paulo II, em sua encíclica Fides et ratio, lembra-nos que São Tomás “sempre foi proposto pela Igreja como mestre do pensamento e modelo do modo certo de fazer teologia” (n. 43).

Os últimos meses da vida terrena de Santo Tomás permanecem rodeados de uma atmosfera mística e misteriosa. Em dezembro de 1273, chamou seu amigo e secretário Reginaldo para comunicar-lhe sua decisão de interromper todo o trabalho, porque durante a celebração da Missa havia compreendido, a partir de uma revelação sobrenatural, que tudo que ele tinha escrito até então era apenas “um montão de palha”.

É um episódio misterioso que nos ajuda compreender não apenas a humildade pessoal de Santo Tomás, mas também o fato de que tudo aquilo que chegamos a pensar e a dizer sobre a fé, por mais elevado e puro que seja, é infinitamente superado pela grandeza e pela beleza de Deus, que nos será revelada em plenitude no Paraíso.

Um mês depois, cada vez mais absorto em uma meditação, Santo Tomás morreu enquanto estava de viagem para Lyon, aonde ia para participar do Concílio Ecumênico proclamado pelo Papa Gregório X.

A vida e o ensinamento de São Tomás de Aquino poderia se resumir em um episódio apanhado pelos biógrafos antigos. Enquanto o santo, como era seu costume, estava em oração perante o crucifixo, pelo início da manhã na Capela de São Nicolau, em Nápoles, o sacristão da igreja, ouviu desenvolver-se um diálogo:

Santo Tomás perguntava preocupado ao Crucificado, se o que havia escrito sobre os mistérios da fé cristã estava correto. E o Crucifixo respondeu: “Tu tens falado bem de mim, Tomás. Que queres como recompensa?”. E a resposta que Tomás deu é a que nós também, amigos e discípulos de Jesus, sempre queremos dizer: “Nada mais que Tu, Senhor”

Fonte: Opus Sanctorum Angelorum

domingo, 19 de janeiro de 2014

A DEVOÇÃO AOS ANJOS







Ao longo dos séculos, os fiéis traduziram em expressões de piedade as convicções da fé a respeito do ministério dos Anjos: os assumiram como patronos de cidades e protetores de corporações; em honra deles edificaram famosos santuários, como Mont Saint-Michel na Normandia, san Michele della Chiusa no Piemonte e san Michele al Gargano na Puglia, e estabeleceram dias festivos; compuseram hinos e práticas de piedade.


De modo particular, a piedade popular desenvolveu a devoção ao Anjo da Guarda. São Basílio Magno (1379) já ensinava que "todo fiel tem ao seu lado um Anjo como protetor e pastor, a fim de conduzi-lo à vida" [S. BASÍLIO DE CESARÉIA, Adversus Eunomium, III, 1: PG 29, 656].

Essa antiga doutrina foi pouco a pouco se consolidando em seus fundamentos bíblicos e patrísticos, e deu origem a várias expressões de piedade, até encontrar em são Bernardo de Claraval († 1153) um grande mestre e um apóstolo insigne da devoção aos Anjos da Guarda. Para ele, esses Anjos são demonstração de "que o céu não descuida de nada que possa ser de ajuda" e, por isso, coloca "ao nosso lado esses espíritos celestes a fim de que nos protejam, nos instruam e nos guiem" [S. BERNARDO DE CLARAVAL,Sermo XII in Psalmum "Qui habitat", 3, In: Sancti Bernardi Opera. Romae, Editiones Cistercienses, IV, 1966, p. 459].


A devoção aos Anjos da Guarda dá também lugar a um estilo de vida caracterizado por:
• devota gratidão a Deus, que colocou a serviço dos homens espíritos de tão grande santidade e dignidade;
• atitude de compostura e piedade, provocada pela consciência de estar constantemente na presença dos santos Anjos;
• serena confiança no enfrentamento de situações até difíceis, porque o Senhor guia e assiste o fiel no caminho da justiça até mesmo através do ministério dos Anjos.

DIRETÓRIO SOBRE PIEDADE POPULAR E LITURGIA, 216

Fonte: Opus Sanctorum Angelorum

sábado, 28 de dezembro de 2013

O QUE SIGNIFICA A CONSAGRAÇÃO AOS SANTOS ANJOS?



A consagração aos Santos Anjos é uma aliança. Fundamenta-se naquela comunhão com os Santos Anjos que é realizada implicitamente no Batismo, e é confirmada por meio de uma consagração particular, de modo consciente e explícito. O homem confia-se, em amor fraterno, aos Santos Anjos quais irmãos inteiramente santos, já definitivamente unidos a Deus, e cosservos diante de Deus (cf. Ap 19,10; 22,9). Com isso abre-se voluntariamente à sua ação auxiliadora. Ao mesmo tempo, o homem compromete-se a ouvir e obedecer suas advertências (cf. Ex 23,21), que sempre têm como fim a glorificação de Deus e o cumprimento da Sua vontade. Ele aspira a uma íntima colaboração com eles, para a extensão e defesa do Reino de Deus na terra, e a uma vida o quanto possível perfeita como membro vivo da Santa Igreja.



Fonte: Opus Sanctorum Angelorum

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Porque o Senhor salvou os pecadores

Nos seus “Sermões sobre o Natal e a Epifania”, São Leão Magno, Papa e doutor da Igreja (440-461): “Gloriava-se o demônio porque o homem, enganado por seu ardil, estava privado dos dons divi­nos e, despojado da imortalidade, encontrava-se sujeito a uma dura sentença de morte; assim, tendo um companheiro de pre­varicação, encontrava algum alívio em seus males (…).”

“Cristo nasceu de uma virgem para “ocultar ao demônio que a salvação nascera para os homens, a fim de que, ignorando a geração espiritual, não julgasse que havia nascido de modo diferente aquele que via semelhante aos outros. Notando que Sua natureza era igual a de todos, supunha que Sua origem fosse a mesma; e não percebeu que estava livre dos laços do pecado aquele que não encontrou isen­to da fraqueza dos mortais.”
“Deus não recorreu a Seu poder; mas a Sua justiça. Pois o antigo inimigo, em seu orgulho, reivindicava com certa razão seu direito à tirania sobre os homens e oprimia com po­der não usurpado aqueles que havia seduzido, fazendo-os pas­sar voluntariamente da obediência aos mandamentos de Deus para a submissão à sua vontade. Era portanto justo que só per­desse seu domínio original sobre a humanidade sendo venci­do no próprio terreno onde vencera”.

 “Conhecendo o veneno com que corrompera a natureza humana, jamais (o demônio) jul­gou isento do pecado original aquele que, por tantos indícios, supunha ser um mortal. Obstinou-se pois o salteador imprudente e cobrador insaciável em se insurgir contra aquele que nada lhe devia; mas, ao perseguir n’Ele a falta original comum a todos os outros homens, ultrapassa os direitos em que se apoi­ava, exigindo daquele em quem não encontrou vestígio de culpa a pena devida ao pecado."

 “Fica portanto anulada a sentença (cf. Cl 2,14) do pacto mortal que ele havia maldosamente inspirado e, por ter exigido contra a justiça além do que era devido, todo o débito é cancelado. Aquele que era forte é amarrado com seus próprios laços. (…) O príncipe deste mundo é acorrentado, são-lhe tirados seus instrumentos de captura (…) a morte é destruída por outra morte, o nascimento renovado por outro nascimento, porque ao mesmo tempo a redenção põe fim a nosso cativeiro, a regeneração transforma nossa origem e a fé justifica o pecador.”
Ele veio para tirar o homem das trevas e o mundo da desgraça; Ele veio para nos devolver a vida que nunca acaba; Ele veio para dar sentido a todas as coisas.
Celebrar o seu Natal é se alegrar com sua chegada e o receber com um coração puro e disposto a fazer a sua vontade.
Professor Felipe Aquino.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Domingo ou fim de semana?


Para refletir.

Muito importante saber a distinção!

Ninguém desconhece, com efeito, que, num passado relativamente recente, a « santificação » do domingo era facilitada, nos países de tradição cristã, por uma ampla participação popular e, inclusive, pela organização da sociedade civil, que previa o descanso dominical como ponto indiscutível na legislação relativa às várias atividades laborativas.

Hoje, porém, mesmo nos países onde as leis sancionam o carácter festivo deste dia, a evolução das condições sócio-econômicas acabou por modificar profundamente os comportamentos colectivos e, consequentemente, a fisionomia do domingo. Impôs-se amplamente o costume do « fim de semana », entendido como momento semanal de distensão, transcorrido, talvez, longe da morada habitual e caracterizado, com frequência, pela participação em atividades culturais, políticas e desportivas, cuja realização coincide precisamente com os dias festivos.

Trata-se de um fenômeno social e cultural que não deixa, por certo, de ter elementos positivos, na medida em que pode contribuir, no respeito de valores autênticos, para o desenvolvimento humano e o progresso no conjunto da vida social. Isto é devido, não só à necessidade do descanso, mas também à exigência de « festejar » que está dentro do ser humano. Infelizmente, quando o domingo perde o significado original e se reduz a puro « fim de semana », pode acontecer que o homem permaneça cerrado num horizonte tão restrito, que não mais lhe permite ver o « céu ». Então, mesmo bem trajado, torna-se intimamente incapaz de « festejar ».

Aos discípulos de Cristo, contudo, é-lhes pedido que não confundam a celebração do domingo, que deve ser uma verdadeira santificação do dia Senhor, com o « fim de semana » entendido fundamentalmente como tempo de mero repouso ou de diversão. Urge, a este respeito, uma autêntica maturidade espiritual, que ajude os cristãos a « serem eles próprios », plenamente coerentes com o dom da fé, sempre prontos a mostrar a esperança neles depositada (cf. 1 Ped 3,15). Isto implica também uma compreensão mais profunda do domingo, para poder vivê-lo, inclusivamente em situações difíceis, com plena docilidade ao Espírito Santo.

Catecismo da Igreja Católica:



 A obrigação do Domingo 

1193 O domingo, "dia do Senhor", é o dia principal da celebração da Eucaristia por ser o dia da ressurreição. É o dia da assembléia litúrgica por excelência, o dia da família cristã, o dia da alegria e do descanso do trabalho. O domingo é "o fundamento e o núcleo do ano litúrgico". 

2180. O mandamento da Igreja determina e precisa a lei do Senhor: «No domingo e nos outros dias festivos de preceito, os fiéis têm obrigação de participar na missa» (102). «Cumpre o preceito de participar na missa quem a ela assiste onde quer que se celebre em rito católico, quer no próprio dia festivo quer na tarde do antecedente» (103).

2181. A Eucaristia dominical fundamenta e sanciona toda a prática cristã. É por isso que os fiéis têm obrigação de participar na Eucaristia nos dias de preceito, a menos que estejam justificados, por motivo sério (por exemplo, doença, obrigação de cuidar de crianças de peito) ou dispensados pelo seu pastor (104). Os que deliberadamente faltam a esta obrigação cometem um pecado grave.

Fonte: CARTA APOSTÓLICA DIES DOMINI, 4 DO SUMO PONTÍFICE JOÃO PAULO II SOBRE A SANTIFICAÇÃO DO DOMINGO

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

O Tempo Litúrgico do Advento

Neste tempo de preparação para o Natal (o tempo litúrgico do Advento), gostaria que percorrêssemos um pequeno caminho até chegarmos à grande festa do nascimento de Jesus.
Um caminho que não começa às portas da cidade de Belém, procurando em qual gruta estão Maria e José, mas que começa nove meses antes, em Nazaré, na pequena casa de Maria.
O nosso caminho para o Natal  começa  com a anunciação do Arcanjo São Gabriel e com a Encarnação do Verbo de Deus no seio puríssimo da Virgem Maria.

Momento singular para Maria, onde Deus, qual espada aguçada, penetra no seu jovem coração e lhe pede uma decisão: "Queres ou não queres ser meu instrumento? Queres ou não queres fazer a Minha vontade?"
Voluntária e livremente, com toda a sua inteligência, coração e vontade, Maria consente, sem reserva alguma, em entregar sua vida a Deus.
Tornar-se instrumento dócil nas mãos de Deus implica este sacrifício incondicional do corpo e da alma, da inteligência e da vontade.
A 1ª etapa do nosso caminho tem diante de cada um de nós o mesmo desafio feito a Maria: "TU QUERES?" Queres também tu ser um instrumento nas mãos de Deus? Um instrumento que Ele possa usar, como quiser, quando quiser e onde quiser?
Aceitas este desafio: fazer a vontade de Deus na tua vida, sejas tu casado ou solteiro, profissional ou desempregado, jovem ou adulto?
Aceitas sacrificar, isto é, fazer sagrado (sacrum + facere), o que tens de mais teu: o teu corpo e a tua alma, a tua inteligência e a tua vontade - para te tornares instrumento de Deus?
Reflete bem! O teu caminho para o Natal precisa deste passo.
Que o teu Anjo da guarda, fiel cumpridor da vontade de Deus, te ajude no "sim" que deves dar a Deus!
Pe. Gonçalo ORC

sábado, 30 de novembro de 2013

Domingo hodierno



Com o domingo hodierno tem início o Advento, um tempo de grande sugestão religiosa, porque está impregnado de esperança e de expectativa espiritual. No Advento, o povo cristão revive o duplo movimento do espírito: por um lado, eleva o olhar rumo à meta final da sua peregrinação na história, que é a vinda gloriosa do Senhor Jesus; por outro, recorda com emoção o seu nascimento em Belém. A esperança dos cristãos orienta-se para o futuro, mas permanece sempre bem arraigada num acontecimento do passado. 

O texto evangélico escolhido para este domingo, traz o Evangelista São Mateus (cf. Mt 24,37-44) a nos apresentar o último grande discurso de Jesus antes da sua paixão e morte. É um texto que nos convida a permanecer vigilantes, na expectativa da última vinda de Cristo. "Vigiai!, pois não sabeis o dia que o nosso Senhor virá” (Mt 24,42). "Vigiai!" Uma palavra dirigida aos discípulos, mas também "a todos", porque cada um, na hora que só Deus conhece, será chamado a prestar contas da própria existência. Isto exige um justo desapego dos bens terrenos, um arrependimento sincero dos próprios erros, uma caridade laboriosa em relação ao próximo e sobretudo uma entrega humilde e confiante nas mãos de Deus, nosso Pai terno e misericordioso.

É um apelo veemente à vigilância, pois devemos estar preparados para acolher o Senhor. O tempo do Advento chega todos os anos para nos recordar isto, para que a nossa vida encontre a sua orientação justa, em conformidade com o querer de Deus. 

O evangelista São Mateus contempla com preocupação os sinais de abandono, de desleixo, de rotina, de esfriamento que começam a aparecer na comunidade e sente que é preciso renovar a esperança e levar os crentes a comprometer-se na história, construindo o “Reino”. Nesta situação, Mateus descobre que as palavras de Jesus encerram um profundo ensinamento e compõe com elas uma exortação dirigida aos cristãos. Esta exortação fundamenta-se numa profunda convicção: a vinda do “Filho do homem” é um fato certo, ainda que não aconteça em breve; enquanto não chega o momento, é preciso preparar este grande acontecimento, vivendo de acordo com os ensinamentos de Jesus.

Para Mateus, a vinda do Senhor é certa, embora ninguém saiba o dia nem a hora (cf. Mt 24,36); aos crentes resta estar vigilantes, preparados e ativos. Para transmitir esta mensagem, Mateus usa três quadros:

O primeiro (vers. 37-39) é o quadro da humanidade na época de Noé: os homens viviam, então, numa alegre inconsciência, preocupados apenas em gozar a sua “vidinha” descomprometida; quando o dilúvio chegou, apanhou-os de surpresa e impreparados… Se o “gozar” a vida ao máximo for para o homem a prioridade fundamental, ele arrisca-se a passar ao lado do que é importante e a não cumprir o seu papel no mundo.

O segundo (vers. 40-41) coloca-nos diante de duas situações da vida quotidiana: o trabalho agrícola e a moagem do trigo… Os compromissos e trabalhos necessários à subsistência do homem também não podem ocupá-lo de tal forma que o levem a negligenciar o essencial: a preparação da vinda do Senhor.

O terceiro (vers. 43-44) coloca-nos frente ao exemplo do dono de uma casa que adormece e deixa que a sua casa seja saqueada pelo ladrão… Os crentes não podem, nunca, deixar-se adormecer, pois o seu adormecimento pode levá-los a perder a oportunidade de encontrar o Senhor que vem. A questão fundamental é, portanto, esta: o crente ideal é aquele que está sempre vigilante, atento, preparado, para acolher o Senhor que vem. Não perde oportunidades, porque não se deixa distrair com os bens deste mundo, não vive obcecado com eles e não faz deles a sua prioridade fundamental… Mas, dia a dia, cumpre o papel que Deus lhe confiou, com empenho e com sentido de responsabilidade.

Nossa vida cristã deve ser uma vida de luz, como convém ao dia. Os malfeitores agem à noite. Quem faz o bem, age à luz do dia. E a Palavra do Senhor deve ser para nós a poderosa arma da luz, pois é a Palavra de Deus que alimenta a nossa fé e a nossa esperança, e a fé nos mostra a luz para que possamos enxergar no meio da penumbra da madrugada e vemos com clareza o caminho que o Senhor nos propõe. Assim deve ser o cristão. Ele não tem necessidade de se ocultar, porque sempre deve procurar fazer o bem. Possamos nos preparar para o último dia, vigilantes, não com medo, mas com esperança.

Possamos ainda lembrar das palavras de Santa Teresa de Jesus, que assim diz: “Nada te perturbe, Nada te espante; Tudo passa; Deus não muda; A paciência tudo alcança; Quem a Deus tem; Nada lhe falta: Só Deus basta”. 

Com a Virgem Maria, que nos guia no caminho do Advento, peçamos que sejamos sempre atentos e que tenhamos o coração dilatado para esperar aquele que vem. Assim seja. Um bom domingo a todos.

D. Anselmo Chagas de Paiva, OSB

domingo, 17 de novembro de 2013

A Igreja Católica Romana ensina com a Bíblia que Jesus Cristo é o nosso único Redentor.
Precisamos todavia precisamos acreditar em Anjos?



A Igreja Católica Romana crê em Jesus Cristo como único Redentor segundo o ensinamento de São Paulo: “Há um só Deus e há um só mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo, homem que se entregou como resgate por todos” (1Tm 2, 5-6). Mas a Igreja reconhece e crê também que Deus criou os Anjos e quis servir-se deles, porque a Revelação divina na Bíblia e na Tradição fala dos Anjos e da sua missão na vida de Jesus Cristo e de todos os homens: “Não são todos os Anjos espíritos ao serviço de Deus, que lhes confia missões para o bem daqueles que devem herdar a salvação?” (Hb 1, 14).

- Pequeno Catecismo dos Anjos. Pe Titus Kieninger ORC

A Igreja ensinou




A Igreja confessou no segundo Concílio do Vaticano, que ela sempre “venerou os Santos com particular afeto, juntamente com a Bem-aventurada Virgem Maria e os Santos Anjos, e implorou o auxílio da sua intercessão”(1) ; “por meio da Liturgia da terra cantamos ao Senhor um hino de glória com toda a milícia do exército celestial”(2).

O Vaticano II também alerta aos homens sobre o combate com os Anjos caídos: “Um duro combate contra os poderes das trevas atravessa, com efeito, toda a história humana; começou no princípio do mundo e, segundo a palavra do Senhor (3), durará até o último dia. Inserido nesta luta, o homem deve combater constantemente, se quer ser fiel ao bem” (4).

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1. Vaticano II, Constituição dogmática sobre a Igreja Lumen Gentium (LG) 50.
2. Vaticano II, Constituição sobre a Sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium (SC) 8; outras referências aos Santos Anjos encontram-se LG 7, 49-51, 53, 55, 56, 63, 66, 69; GS 12, 45.
3. Cf. Mt 24, 13; 13, 24-30 e 36-43.
4. Concílio Vaticano II, Constituição pastoral sobre a Igreja no mundo de hoje Gaudium et Spes (= GS) 37; outras referências aos demônios se encontra em LG 5, 16, 17, 35, 48; GS 2, 7, 13, 22, 37; SC 6; AG 3, 9, 14.

- Pequeno Catecismo dos Anjos. Pe. Titus Kieninger ORC.