Em união com todos os Santos Anjos

"Sanctus, Sanctus, Sanctus. Dóminus, Deus Sábaoth Pleni sunt caeli et terra Glória tua. Hosánna in excélsis. Benedíctus, qui venit In nómine Dómini, Hosánna in excélsis.

Blog Santo Anjo da Guarda

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domingo, 7 de setembro de 2014

Os nossos deveres para com os Santos Anjos



São Bernardo, o devoto de Maria, o amigo do Coração de Jesus, é também, pode-se dizer, o cantor, o arauto dos Anjos da Guarda. O santo doutor afirma que para cada criança, cada ser humano existe um Anjo, e nunca devemos nos esquecer deste parceiro de vida, (devemos) ter “respeito pela sua presença, devoção à sua bondade e confiança na guarda que nos faz. O anjo de Deus nos acompanha com sua presença, ele nos honra e nos ama por sua bondade, e ele nos defende por sua guarda”. Vejam então as disposições com as quais São Bernardo muito apropriadamente sugere para que correspondamos a tanta bondade .

"Respeito à presença." Nunca devemos esquecer a presença do Anjo da Guarda, o príncipe celeste que nunca se envergonha de nós. [...]

"Devoção à bondade." O Anjo da Guarda não se faz só presente, mas está cheio de ternura e caridade, que ainda exige de nós amor, por causa do carinho, isto é, a devoção. [...] Devoção concretizada na prática da oração diária, invocando seu Anjo no início e no final de cada dia, mas também durante todo o dia. [...]

"A confiança na sua guarda." Saber-se guardado por um príncipe da corte celeste, por um desses espíritos eleitos a quem o Senhor – se referindo às crianças - disse que eles veem constantemente a majestade de Deus no esplendor do Paraíso, que não só inspira respeito e devoção, mas suscita a mais total confiança. A confiança, que é muito mais do que a audácia terrena, é necessária e deve apoiar, principalmente, quando a tarefa é difícil e estamos pondo em dúvida nossos bons propósitos. Nesse momento, então, de uma forma mais acentuada, devemos esperar a proteção e a guarda dos Santos Anjos. E realmente, neste sentido de confiança, vemos mais e mais evidente a necessidade da oração, que é precisamente a expressão autêntica e espontânea da confiança.

Discurso às crianças, 10 de setembro de 1934 - Discursos, volume 3.

domingo, 29 de junho de 2014

São Pedro e São Paulo, rogai por nós.


A solenidade de são Pedro e de são Paulo é uma das mais antigas da Igreja, sendo anterior até mesmo à comemoração do Natal. Já no século IV havia a tradição de, neste dia, celebrar três missas: a primeira na basílica de São Pedro, no Vaticano; a segunda na basílica de São Paulo Fora dos Muros e a terceira nas catacumbas de São Sebastião, onde as relíquias dos apóstolos ficaram escondidas para fugir da profanação nos tempos difíceis.

E mais: depois da Virgem Santíssima e de são João Batista, Pedro e Paulo são os santos que têm mais datas comemorativas no ano litúrgico. Além do tradicional 29 de junho, há: 25 de janeiro, quando celebramos a conversão de São Paulo; 22 de fevereiro, quando temos a festa da cátedra de São Pedro; e 18 de novembro, reservado à dedicação das basílicas de São Pedro e São Paulo.

Antigamente, julgava-se que o martírio dos dois apóstolos tinha ocorrido no mesmo dia e ano e que seria a data que hoje comemoramos. Porém o martírio de ambos deve ter ocorrido em ocasiões diferentes, com são Pedro, crucificado de cabeça para baixo, na colina Vaticana e são Paulo, decapitado, nas chamadas Três Fontes. Mas não há certeza quanto ao dia, nem quanto ao ano desses martírios.

A morte de Pedro poderia ter ocorrido em 64, ano em que milhares de cristãos foram sacrificados após o incêndio de Roma, enquanto a de Paulo, no ano 67. Mas com certeza o martírio deles aconteceu em Roma, durante a perseguição de Nero.

Há outras raízes ainda envolvendo a data. A festa seria a cristianização de um culto pagão a Remo e Rômulo, os mitológicos fundadores pagãos de Roma. São Pedro e são Paulo não fundaram a cidade, mas são considerados os "Pais de Roma". Embora não tenham sido os primeiros a pregar na capital do império, com seu sangue "fundaram" a Roma cristã. Os dois são considerados os pilares que sustentam a Igreja tanto por sua fé e pregação como pelo ardor e zelo missionários, sendo glorificados com a coroa do martírio, no final, como testemunhas do Mestre.

São Pedro é o apóstolo que Jesus Cristo escolheu e investiu da dignidade de ser o primeiro papa da Igreja. A ele Jesus disse: "Tu és Pedro e sobre esta pedra fundarei a minha Igreja". São Pedro é o pastor do rebanho santo, é na sua pessoa e nos seus sucessores que temos o sinal visível da unidade e da comunhão na fé e na caridade.

São Paulo, que foi arrebatado para o colégio apostólico de Jesus Cristo na estrada de Damasco, como o instrumento eleito para levar o seu nome diante dos povos, é o maior missionário de todos os tempos, o advogado dos pagãos, o "Apóstolo dos Gentios".

São Pedro e são Paulo, juntos, fizeram ressoar a mensagem do Evangelho no mundo inteiro e o farão para todo o sempre, porque assim quer o Mestre.

terça-feira, 24 de junho de 2014

São João Batista, rogai por nós.


O arcanjo Gabriel, apresentou-se diante de Zacarias na Igreja que cuidava e disse-lhe que suas orações haviam sido ouvidas e em conseqüência, sua mulher, que era estéril e de idade avançada, ia a conceber e lhe daria um filho. (Lucas 1) (Mateus 11). E agregou: “Tu lhe darás o nome de João e será para ti objeto de júbilo e alegria; muitos se regozijarão por seu nascimento posto que será grande diante do Senhor”.
Mas Zacarias duvidou e assim perdeu a voz. Quando o porta-voz da redenção nasceu, e Zacarias escreveu num tabuinha: “Seu nome é João”, o sacerdote recuperou imediatamente a fala e entoou o esplêndido hino de amor e agradecimento conhecido como “Benedictus”, que a Igreja repete diariamente em seu ofício. São João Batista, embora concebido no Pecado Original, foi dele purificado antes de nascer, quando sua mãe, Santa Isabel, foi visitada pela Santíssima Virgem, que por sua vez portava no seio o Salvador.

“Em verdade eu vos digo, dentre os que nasceram de mulher, não surgiu ninguém maior que João, o Batista…De fato , todos os profetas, bem como a lei, profetizaram até João. Se quiserdes compreender-me, ele é o Elias que deve voltar.” (Mt 11,11-14)
Por isso, São João Batista é o único santo cujo nascimento se comemora na Liturgia – além da própria Virgem Maria, que já foi concebida isenta de todo pecado. Dele é difícil dizer coisa melhor do que aquela que os Evangelhos referiram. 

São João Batista, de altas virtudes e rigorosas penitências, anunciou o advento do Cristo e ao denunciar os vícios e injustiças deixou Deus conduzí-lo ao cumprimento da profecia do Anjo a seu respeito: “Pois ele será grande perante o Senhor; não beberá nem vinho, nem bebida fermentada, e será repleto do Espírito Santo desde o seio de sua mãe. Ele reconduzirá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus: e ele mesmo caminhará à sua frente…” ( Lc 1, 15)
Oração:
São João Batista, voz que clama no deserto: "Endireitai os caminhos do Senhor. Fazei penitência, porque no meio de vós está quem vós não conheceis e do qual eu não sou digno de desatar os cordões das sandálias", ajudai-me a fazer penitência das minhas faltas para que eu me torne digno do perdão daquele que vós anunciastes com estas palavras: "Eis o Cordeiro de Deus, eis aquele que tira o pecado do mundo".
São João, pregador da penitência, rogai por nós.
São João, precursor do Messias, rogai por nós.
São João, alegria do povo, rogai por nós. Amém.

domingo, 8 de junho de 2014

São Cirilo e o Dom de Inteligência

São Cirilo nasceu no ano de 315, e foi muito bem formado em Jerusalém. Ordenado sacerdote, poucos anos depois, em 348, já era bispo. Faleceu em 386. Empenhou-se nas catequeses para bem formar o povo de Deus, na verdade e no amor, formando-os também com sua vida. Muitos cristãos cediam às heresias, e Cirilo pagou o preço. Por três vezes foi desterrado sendo que, na última vez, teve que ficar 11 anos fora do seu pastoreio, percorrendo cidades na Ásia, como um peregrino, tendo uma vida cenobítica até que em 362 pôde retornar. São Cirilo ajudou os corações dos fiéis a mergulharem no mistério pascal, que é o coração da fé católica: o Crucificado que ressuscitou. Deixou muito presente para os cristãos do século IV a verdade da Eucaristia. Ele ensinava que era preciso fazer com as mãos, um trono – mão esquerda apoiada sobre a direita, para receber o Corpo do Senhor. E de estarmos atentos aos fragmentos, onde também há a presença real de Jesus.
São Cirilo de Jerusalém é considerado o "protótipo dos catequistas", depois de ser ordenado sacerdote recebeu a tarefa de preparar os catecúmenos para o batismo, tarefa de catequizar os adultos pagãos que desejavam entrar na Igreja Católica. Ele não se interessou pelas grandes especulações teológicas, esforçou-se para explicar a fé em uma linguagem simples.

Com certeza este santo pode nos ajudar a crescer no dom de inteligência e penetrar no profundo sentido das verdades da fé católica.

São Cirilo de Jerusalém, rogai por nós.

Fonte: Os Dons do Divino Espírito Santo - Pe. Ailbe O'Reilly, ORC

sábado, 17 de maio de 2014

São Pascoal



Pascoal Baylon nasceu na cidade de Torre Hermosa, na Espanha, em 16 de maio de 1540. Filho de uma família humilde, foi pastor de ovelhas desde muito jovem e, aos dezoito anos, seguindo sua vocação, tentou ser admitido no convento franciscano de Santa Maria de Loreto. Sua primeira tentativa foi frustrada, mas, em 1564, após recusar uma grande herança de um rico senhor que havia sido curado por ele e por causa dos seus dons carismáticos, ele pôde ingressar na Ordem.


Pascoal, por humildade, permaneceu um simples irmão leigo, exercendo as funções de porteiro e ajudante dos serviços gerais. Bom, caridoso e obediente às regras da Ordem, fazia penitência constante, alimentando-se muito pouco e mantendo-se em constante oração. Por causa de sua origem pobre, não possuía nenhuma formação intelectual, porém era rico em dons transmitidos pelo Espírito Santo, possuindo uma sabedoria inata.



Era tão carismático que a ele recorriam ilustres personalidades para aconselhamento, até mesmo o seu provincial, que lhe confiou a tarefa perigosa de levar documentos importantes para Paris. Essa viagem Pascoal fez a pé, descalço e com o hábito de franciscano, arriscando ser morto pelos calvinistas.



Defensor extremado de sua fé, travou grande luta contra os calvinistas franceses, que negavam a eucaristia. Apesar da sua simplicidade, Pascoal era muito determinado quando se tratava de dissertar sobre sua espiritualidade e conhecimentos eucarísticos.



Foi autor de um pequeno livro de sentenças que comprovam a real presença de Cristo na eucaristia e o poder sagrado transmitido ao sumo pontífice. Por isso foi considerado um dos primeiros e mais importantes teólogos da eucaristia.



Ele morreu no dia 17 de maio de 1592, aos cinqüenta e dois anos, em Villa Real, Valência. Em 1690, foi canonizado. O papa Leão XIII nomeou são Pascoal Baylon patrono das obras e dos congressos eucarísticos.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

DOUTOR ANGÉLICO




Nesta semana, dia 28 de janeiro para ser preciso, a Igreja celebrou Santo Tomás de Aquino, também chamado Doctor Angelicus, não somente por ter ele escrito mais e melhor do que qualquer outro sobre o mundo Angélico, mas também por suas virtudes, em particular a sublimidade de seu pensamento e a pureza de sua vida.

O dom que é para a Igreja a figura e o ensinamento desse grande santo! O Beato Papa João Paulo II, em sua encíclica Fides et ratio, lembra-nos que São Tomás “sempre foi proposto pela Igreja como mestre do pensamento e modelo do modo certo de fazer teologia” (n. 43).

Os últimos meses da vida terrena de Santo Tomás permanecem rodeados de uma atmosfera mística e misteriosa. Em dezembro de 1273, chamou seu amigo e secretário Reginaldo para comunicar-lhe sua decisão de interromper todo o trabalho, porque durante a celebração da Missa havia compreendido, a partir de uma revelação sobrenatural, que tudo que ele tinha escrito até então era apenas “um montão de palha”.

É um episódio misterioso que nos ajuda compreender não apenas a humildade pessoal de Santo Tomás, mas também o fato de que tudo aquilo que chegamos a pensar e a dizer sobre a fé, por mais elevado e puro que seja, é infinitamente superado pela grandeza e pela beleza de Deus, que nos será revelada em plenitude no Paraíso.

Um mês depois, cada vez mais absorto em uma meditação, Santo Tomás morreu enquanto estava de viagem para Lyon, aonde ia para participar do Concílio Ecumênico proclamado pelo Papa Gregório X.

A vida e o ensinamento de São Tomás de Aquino poderia se resumir em um episódio apanhado pelos biógrafos antigos. Enquanto o santo, como era seu costume, estava em oração perante o crucifixo, pelo início da manhã na Capela de São Nicolau, em Nápoles, o sacristão da igreja, ouviu desenvolver-se um diálogo:

Santo Tomás perguntava preocupado ao Crucificado, se o que havia escrito sobre os mistérios da fé cristã estava correto. E o Crucifixo respondeu: “Tu tens falado bem de mim, Tomás. Que queres como recompensa?”. E a resposta que Tomás deu é a que nós também, amigos e discípulos de Jesus, sempre queremos dizer: “Nada mais que Tu, Senhor”

Fonte: Opus Sanctorum Angelorum

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Hoje a Igreja celebra São João Evangelista



O nome deste evangelista significa: “Deus é misericordioso”: uma profecia que foi se cumprindo na vida do mais jovem dos apóstolos. Filho de Zebedeu e de Salomé, irmão de Tiago Maior, ele também era pescador, como Pedro e André; nasceu em Betsaida e ocupou um lugar de primeiro plano entre os apóstolos.


Jesus teve tal predileção por João que este assinalava-se como “o discípulo que Jesus amava”. O apóstolo São João foi quem, na Santa Ceia, reclinou a cabeça sobre o peito do Mestre e, foi também a João, que se encontrava ao pé da Cruz ao lado da Virgem Santíssima, que Jesus disse: “Filho, eis aí a tua mãe” e, olhando para Maria disse: “Mulher, eis aí o teu filho”. (Jo 19,26s).

Quando Jesus se transfigurou, foi João, juntamente com Pedro e Tiago, que estava lá. João é sempre o homem da elevação espiritual, mas não era fantasioso e delicado, tanto que Jesus chamou a ele e a seu irmão Tiago de Boanerges, que significa “filho do trovão”.

João esteve desterrado em Patmos, por ter dado testemunho de Jesus. Deve ter isto acontecido durante a perseguição de Domiciano (81-96 dC). O sucessor deste, o benigno e já quase ancião Nerva (96-98), concedeu anistia geral; em virtude dela pôde João voltar a Éfeso (centro de sua atividade apostólica durante muito tempo, conhecida atualmente como Turquia). Lá o coloca a tradição cristã da primeiríssima hora, cujo valor histórico é irrecusável.

O Apocalipse e as três cartas de João testemunham igualmente que o autor vivia na Ásia e lá gozava de extraordinária autoridade. E não era para menos. Em nenhuma outra parte do mundo, nem sequer em Roma, havia já apóstolos que sobrevivessem. E é de imaginar a veneração que tinham os cristãos dos fins do século I por aquele ancião, que tinha ouvido falar o Senhor Jesus, e O tinha visto com os próprios olhos, e Lhe tinha tocado com as próprias mãos, e O tinha contemplado na sua vida terrena e depois de ressuscitado, e presenciara a sua Ascensão aos céus. Por isso, o valor dos seus ensinamentos e o peso de das suas afirmações não podiam deixar de ser excepcionais e mesmo únicos.

Dele dependem (na sua doutrina, na sua espiritualidade e na suave unção cristocêntrica dos escritos) os Santos Padres daquela primeira geração pós-apostólica que com ele trataram pessoalmente ou se formaram na fé cristã com os que tinham vivido com ele, como S. Pápias de Hierápole, S. Policarpo de Esmirna, Santo Inácio de Antioquia e Santo Ireneu de Lião. E são estas precisamente as fontes donde vêm as melhores informações que a Tradição nos transmitiu acerca desta última etapa da vida do apóstolo.

São João, já como um ancião, depara-se com uma terrível situação para a Igreja, Esposa de Cristo: perseguições individuais por parte de Nero e perseguições para toda a Igreja por parte de seu sucessor, o Imperador Domiciano.

Além destas perseguições, ainda havia o cúmulo de heresias que desentranhava o movimento religioso gnóstico, nascido e propagado fora e dentro da Igreja, procurando corroer a essência mesma do Cristianismo.

Nesta situação, Deus concede ao único sobrevivente dos que conviveram com o Mestre, a missão de ser o pilar básico da sua Igreja naquela hora terrível. E assim o foi. Para aquela hora, e para as gerações futuras também. Com a sua pregação e os seus escritos ficava assegurado o porvir glorioso da Igreja, entrevisto por ele nas suas visões de Patmos e cantado em seguida no Apocalipse.

Completada a sua obra, o santo evangelista morreu quase centenário, sem que nós saibamos a data exata. Foi no fim do primeiro século ou, quando muito, nos princípios do segundo, em tempo de Trajano (98-117 dC).

Três são as obras saídas da sua pena incluídas no cânone do Novo Testamento: o quarto Evangelho, o Apocalipse e as três cartas que têm o seu nome.

São João Evangelista, rogai por nós!

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Um anjo traspassou seu coração com uma seta de fogo.


Santa Teresa D'Ávila (Santa Teresa de Jesus)
(15 de Outubro)

Santa Tereza nasceu em Ávila, na Espanha, no ano de 1515. A educação que os pais deram a ela e ao irmão Roderico, foi a mais sólida possível. Acostumada desde pequena à leitura de bons livros, o espírito da menina não conhecia maior encanto que o da vida dos santos mártires. Tanto a impressionou esta leitura que, desejosa de encontrar o martírio, combinou com o irmão a fuga da casa paterna, plano que realmente tentaram executar, mas que se tornou irrealizável, dada a vigilância dos pais. 

A idéia e o desejo do martírio ficaram, entretanto, profundamente gravados no coração da menina. Quando tinha 12 anos, perdeu a boa mãe. Prostrada diante da imagem de Nossa Senhora, exclamou: “Mãe de misericórdia, a vós escolho para serdes minha Mãe. Aceitai esta pobre órfazinha no número das vossas filhas”. A proteção admirável que experimentou durante toda a vida, da parte de Maria Santíssima, prova que esse pedido foi atendido. 

Deus permitiu que Teresa por algum tempo, enfastiando-se dos livros religiosos, desse preferência a uma leitura profana, que poderia pôr-lhe em perigo a alma. Também umas relações demasiadamente íntimas com parentes, um tanto levianas, levaram-na ao terreno escorregadio da vaidade. O resultado disto tudo foi ela perder o primitivo fervor, entregar-se ao bem-estar, companheiro fiel da ociosidade, sem entretanto chegar ao extremo de perder a inocência. 

O pai, ao notar a grande mudança que verificava na filha, entregou-a aos cuidados das religiosas agostinianas. A conversão foi imediata e firme. Uma grave enfermidade obrigou-a a voltar para a casa paterna. Durante esta doença, percebeu o profundo desejo de abandonar o mundo e servir a Deus, na solidão dum claustro. O pai, porém, opôs-se a esse plano, no que foi contrariado por Teresa, que fugiu de casa, para se internar num mosteiro das Carmelitas, em Ávila. No meio do caminho lhe sobreveio uma grande repugnância pela vida religiosa, e por um pouco teria desistido da idéia. Vendo em tudo isto uma cilada do inimigo de Deus e dos homens, seguiu resolutamente o caminho e ao transpor o limiar do mosteiro, os receios e escrúpulos deram lugar a uma grande calma e alegria no coração. 

Durante o tempo do noviciado, foi provada por outro relaxamento no fervor religioso que, aliás, pouco tempo durou. Deus mais uma vez lhe tocou o coração, mas de uma maneira tão sensível que Teresa, debulhada em lágrimas, prostrada diante do crucifixo, disse; “ Senhor, não me levanto do lugar onde estou, enquanto não me concederdes a graça e fortaleza bastantes, para não cair mais em pecado e servir-vos de todo coração, com zelo e constância”. A oração foi ouvida e de uma vez para sempre, ficou extinto no coração de Teresa o amor ao mundo e às criaturas e restabelecido o zelo pelas coisas de Deus, do seu santo serviço. 

Foi-lhe revelado que essa conversão era o resultado da intercessão de Maria Santíssima e de São José. Por isso, teve sempre profunda devoção a S. José e muito trabalhou para difundir este culto na Igreja. 

Profunda era a dor que sentia dos pecados cometidos e dolorosas eram as penitências que fazia, se bem que os confessores opinassem que nenhuma dessas faltas chegava a ser grave. Em visões lhe foi mostrado o lugar no inferno, que lhe teria sido reservado, se tivesse seguido o caminho das vaidades. De tal maneira se impressionou com esta revelação, que resolveu restabelecer a Regra carmelitana, em todo o rigor primitivo. Esse plano, embora tivesse a aprovação do papa Pio IV, a mais decisiva resistência encontrou da parte do clero e dos religiosos. Teresa, porém, tendo a intenção de agir por vontade de Deus, pôs mãos à obra e venceu.

Trinta e dois mosteiros (17 femininos e 15 masculinos) foram por ela fundados e outros tantos reformados. Em todos, tanto no convento dos religiosos, como das religiosas, entrou em vigor a antiga regra. São João da Cruz foi quem assumiu e escreveu as regras para o segmento masculino, a pedido de Santa Teresa. 

Em sua biografia há capítulos ( os 11 e os seguintes), que dão testemunho da intensidade da sua vida interior. O que diz sobre os quatro degraus da oração, isto é, sobre o recolhimento, a quietação, a união e o arrebatamento, é realmente aquilo que a oração da sua festa chama “pábulo da celeste doutrina”. Graças extraordinárias a acompanhavam constantemente como fossem: comunicações diretas divinas, visões, presença visível de Cristo.

Um anjo traspassou seu coração com uma seta de fogo, fato este que a Ordem carmelitana comemora na festa da transverberação do coração de Santa Teresa, em 27 de agosto.

Doloroso foi o caminho da cruz pelo qual a Divina Providência a quis levar e não faltou quem lhe envenenasse as mais retas intenções, quem em suas medidas de reforma visse obra do demônio, e intervenção direta diabólica. A calma lhe voltou, quando em 1559, se confiou à direção de São Pedro de Alcântara.

Não tardou que, em 1576, no seio da Ordem se levantasse uma grande tempestade contra a reforma. Veio a proibição de novas fundações, e Teresa viu-se obrigada a se recolher a um dos conventos. Parecia ter-se declarado o fracasso da sua obra: Foi, quando interveio o rei Felipe II. A perseguição afrouxou só pouco a pouco e, em 1580, o Papa Gregório XIII declarou autônoma a província carmelitana descalça. 
Esta obra sobre-humana não teria tido o resultado brilhante que teve, se não fosse a execução da vontade divina e se Teresa não tivesse sido toda de Deus, possuidora das mais excelentes e sólidas virtudes, dotada de grande inteligência e senhora de profundos conhecimentos teológicos. 

Santa Teresa teve o dom de ler nas consciências e predizer coisas futuras, não lhe faltou a cruz dos sofrimentos físicos e morais. No seio das maiores provações, nas ocasiões em que lhe parecia ter sido abandonada pelo céu e pela terra, era imperturbável sua paciência e conformidade com a vontade de Deus. No SS. Sacramento, achava a forma necessária para a luta e para a vitória.

Sob o impulso de uma graça especial fez o voto de fazer sempre aquilo que a consciência lhe dizia ser o mais alto grau da vida mística. Os numerosos escritos, asseguraram-lhe um dos primeiros lugares entre os místicos.

Oito anos antes de deixar este mundo, foi-lhe revelada a hora da morte. Sentindo esta se aproximar, dirigiu uma fervorosa ordem a todos os conventos de sua fundação ao ou reforma. Com muita devoção recebeu os santos Sacramentos, e constantemente rezava jaculatórias sobre esta: “ Meu Senhor, chegou afinal a hora desejada, que traz a felicidade de ver-vos eternamente.“ – Sou uma filha de Vossa Igreja. Como filha de Igreja Católica, quero morrer.” - Senhor, não me rejeiteis a Vossa face. Um coração contrito e humilhado não haveis de desprezar”.

Santa Teresa morreu em 1582, na idade de 67 anos. Logo após sua morte, o corpo da Santa exalava um perfume deliciosíssimo. Até o presente dia se conserva intacto.

Seu coração, apresentando larga e profunda ferida, acha-se guardado num precioso relicário na Igreja das Carmelitas em Alba.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

SANTA FAUSTINA E OS SANTOS ANJOS



"Nestes tempos difíceis quão importante é dar- nos conta de uma realidade que por tantas vezes nos esquecemos ou não honramos como deveria ser honrada a realidade Angélica (…) Os santos em geral tiveram uma grande devoção aos Anjos, especialmente ao Anjo da Guarda e aos Arcanjos S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael.

Também na vida de Santa Faustina, essa realidade que a Igreja nos apresenta como dogma de fé, foi experimentada de forma muito concreta e viva. Citamos alguns textos, como este, por exemplo, numa das viagens fez a Ir. Faustina; ela relata:
"Então, vi ao meu lado um dos sete Espíritos, radioso como anteriormente, sob uma forma luminosa. Observei que se mantinha constantemente a meu lado e, mesmo enquanto estava a viajar de trem, via-o. Reparei que em cima de cada uma das igrejas por onde passava se encontrava um Anjo, embora envolvido numa aura de luz mais pálida do que a do Espírito que me acompanhava durante a viagem. E cada um dos que guardavam as igrejas inclinava-se diante desse Espírito que estava a meu lado.
Quando entrei no portão do convento em Varsóvia, esse Espírito desapareceu. Agradeci a Deus pela Sua bondade em nos dar Anjos por companheiros. Oh, como as pessoas consideram pouco o facto de terem sempre perto de si um visitante como este, que é, ao mesmo tempo, testemunha de tudo! Pecadores, lembrai-vos que também vós tendes uma testemunha de todos os vossos atos!" (Diário 630)

RECOMENDAMOS!


Livro do Pe. Titus Kieninger ORC









Relato sobre a presença e o auxílio dos Santos Anjos na vida de Santa Faustina e como podemos aprender com o seu exemplo. No Diário de Santa Faustina encontram-se mais de 170 referências aos anjos bons e maus. O autor nos oferece uma ilustração prática da angelologia da Igreja e muitas orientações concretas para uma convivência com os Anjos e defesa contra os demônio segundo o exemplo de Santa Faustina.







Pe. Marcelo Magalhães S.A.C. Parte do artigo tirado da revista "Mensageiro da Misericórdia divina" (Julho/Set. 2004, nº 3 (21) 2004, p. 15-18).


quinta-feira, 14 de março de 2013

A Fuga da Sagrada Familia para o Egito e a morte dos Santos Inocentes


Assim nos conta o Evangelista São Mateus:
Depois da partida dos magos do oriente, um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar. José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito. Ali permaneceu até a morte de Herodes para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta: Eu chamei do Egito meu filho (Os 11,1). Vendo, então, Herodes que tinha sido enganado pelos magos, ficou muito irado e mandou massacrar em Belém e nos seus arredores todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo exato que havia indagado dos magos. Cumpriu-se, então, o que foi dito pelo profeta Jeremias: Em Ramá se ouviu uma voz, choro e grandes lamentos: é Raquel a chorar seus filhos; não quer consolação, porque já não existem (Jer 31,15)! Com a morte de Herodes, o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, no Egito, e disse: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e retorna à terra de Israel, porque morreram os que atentavam contra a vida do menino. José levantou-se, tomou o menino e sua mãe e foi para a terra de Israel. Ao ouvir, porém, que Arquelau reinava na Judéia, em lugar de seu pai Herodes, não ousou ir para lá. Avisado divinamente em sonhos, retirou-se para a província da Galiléia e veio habitar na cidade de Nazaré para que se cumprisse o que foi dito pelos profetas: Será chamado Nazareno. (Mt 2,13-23)
Esse fato aconteceu ainda quando Jesus era um bebê. E é repleto de significado para nós cristãos. Uma situação de risco para a vida da Sagrada Família, que mostra o que seria a vida deles dali em diante. Pegando a palavra um pouco desse acontecimento (Mt 2,1) vemos que após o nascimento do menino Jesus, apareceram naquela região, alguns homens vindo do oriente para adorar o menino (isso nós vimos no estudo anterior). Enquanto procuravam o menino, esses homens foram ao castelo de Herodes que por eles ficou sabendo que o Messias viria. Naquele momento, o coração de Herodes encheu-se de ódio. Ele não queria deixar de ser Rei. Ele queria o poder. De fato o poder corrompe. Dali em diante, o desejo de Herodes era de matar o menino a todo preço.
Após os magos do oriente adorarem o menino, eles foram orientados para retornar por outro caminho. Ao perceber que havia sido enganado, Herodes fez uma coisa muito má. Ordenou que se matasse todos os primogênitos de dois anos pra baixo. Herodes comandou um dos maiores infanticídios da história. A sua fome de poder era tanta que não pensou em mais nada. Mandou matar muitas crianças. Porém Herodes não tinha a percepção de que a sua guerra era com o Filho de Deus. Avisado em sonho, José tomou sua familia e foi ao Egito. Dali em diante a palavra não narra mais nada a respeito da vida de Jesus.
Porém nos fica um aprendizado importante: Aquele que faz a vontade de Deus precisa ter consciência de que está em uma guerra. Nessa guerra existe um inimigo que joga sujo e pesado, chegando a atos desumanos e cruéis como esse infanticídio que vimos na palavra.

A fuga para o Egito e o massacre dos inocentes manifestam a oposição das trevas à luz: “Ele veio para o que era seu e os seus não o receberam” (Jo 1,11). Toda a vida de Cristo estará sob o signo da perseguição. Os seus compartilham com Ele esta perseguição. Sua volta do Egito lembra o Êxodo e apresenta Jesus como o libertador definitivo. (CIC§530)
Fonte: Dominus Vobiscum

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

História do Anjo da Guarda


Domingos Sávio


Domingos Sávio que ganhou os corações de seus colegas em todo o mundo não só porque viveu uma vida pura e angelical, mas também por ter tido contato íntimo com o seu companheiro celeste desde a sua infância. De sua biografia, tiramos, uma experiência interessante:
Teresa, irmã de Domingos Sávio, recordou: "Eu me lembro da minha irmã Raimondina  dizendo que quando ela era uma jovem, caiu em um pequeno lago muito cheio e ameaçou a afogar. Meu irmão (Dominic) correu e me salvou. Questionado por algumas pessoas que estavam presentes, como pode salvá-la, já que ele era  mais esguio enquanto ela era muito desenvolvida; segundo ele, não foi apenas minha força própria que saiu bem sucedidos. Porque enquanto um braço segurou a sua irmã, do outro lado, fui ajudado por meu Anjo da Guarda ".
(Teresio Bosco, A vida de Domingos Sávio, 24s)

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Os Santos Anjos são os nossos melhores amigos no cumprimento da nossa missão.

São Pedro Fabro SJ († 1546), o grande pregador da Europa no século XVI, nas suas pregações populares, tinha o costume de invocar os Santos Anjos das respectivas cidades e dos países que ia visitar, a fim de que ajudassem no seu apostolado. Não faltaram os milagres...

Também São Pedro Canísio SJ (1521-1597), o apóstolo da Alemanha escreve: “Quem entra pela primeira vez num país ou numa cidade, deve, segundo o exemplo do Pe. Fabro, invocar e venerar os Anjos, os Arcanjos e também os Santos mais conhecidos daquela região, e deve confiar os seus esforços pastorais à sua proteção. Por sua intercessão, Deus vai certamente conceder o Seu auxílio poderoso apesar da própria indignidade (do missionário) ...” (traduzido do livro: B. Schneider, Petrus Canisius. Briefe, Salzburg 1959, p. 217).
São Francisco Xavier SJ, o padroeiro das missões, escreveu numa carta de Goa: “Vivo na firme confiança que Deus há de me conceder a graça da conversão desses países. Entretanto, desconfiando das minhas capacidades, deposito toda minha confiança em Jesus Cristo, na Santíssima Virgem e nos nove coros dos Santos Anjos, de entre os quais escolhi como padroeiro especial o príncipe e protetor da Santa Igreja São Miguel. Não espero pouca coisa desse Arcanjo, a cuja proteção o grande reino japonês foi confiado! Diariamente me recomendo a ele como também a todos os Anjos da Guarda dos japoneses, cuja tarefa é implorar de Deus a sua salvação” (Baroll, Dell’Asia; segundo St. Josephsblatt).

Certa vez, o Beato Papa João XXIII escreveu numa carta a sua sobrinha Irmã Angela Roncali: “O teu nome de religião, que recorda o do teu tio, o de teu bisavô e o de teu irmão, dos quais estes dois últimos já gozam da companhia visível dos Anjos, deve ser para ti um estímulo para manter uma intimidade familiar com o teu Anjo da Guarda e também com todos os Anjos da Guarda das pessoas que conheces e amas, na Santa Igreja e na tua congregação. É um consolo sentir perto de nós este custódio celestial, este guia de nossos passos, esta testemunha de nossos atos mais íntimos. Eu mesmo recito a oração do ‘Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador’ pelo menos cinco vezes por dia e com freqüência converso espiritualmente com ele, sempre com sossego e paz. Quando tenho de visitar alguém importante para tratar assuntos da Santa Sé, peço ao meu Anjo da Guarda para que se ponha de acordo com o dele, para que influencie na sua disposição de ânimo. É uma devoção que nos recomendava muitas vezes o Santo Padre Pio XI e que me é muito frutífera” (Carta de 3.10.1948). Outro fato, pouco conhecido, que teve influência incalculável no destino da Igreja: numa confidência a um Bispo canadense, João XXIII atribui a uma inspiração do seu Anjo da Guarda a idéia de convocar o Concílio Vaticano II (Gabriel C. Galache, Os Anjos, São Paulo 1997, p. 49s).

São José Maria Escrivá, fundador do Opus Dei, foi um grande devoto dos Santos Anjos: “Conquiste o Anjo da Guarda daquele que deseja atrair para sua missão. É sempre um grande cúmplice.” Se tiver presentes o seu Anjo da Guarda e os Anjos dos seus interlocutores, evitará muitas bobagens que escapam na sua conversa” (Gabriel C. Galache, Os Anjos, p. 44).
“O célebre ator italiano Carlo Camopanini contou-me também que tinha mandado o seu Anjo da Guarda de Milão a San Giovanni, em circunstâncias bem penosas. O Padre Pio apareceu-lhe em sonhos no mesmo dia em que ele, Camopanini, lhe enviara o Anjo e deu-lhe esta inesperada resposta, aplicável com toda a precisão ao seu caso: ‘Então não queres compreender que é necessário que sofras e que, se eu te livrar deste sofrimento, te privo de todo o mérito?’ ” (nota 214 in Giovanni P. Siena, Esta é a hora dos Anjos... Pe. Pio e os Anjos, Anápolis 2000, p. 171). Os Santos Anjos são, portanto, nossos melhores amigos no cumprimento da nossa missão.


Cum Sanctis Angelis

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Os Santos Anjos nos conduzem-nos a uma paz interior

Conselhos para o combate espiritual


Depois de um período de quase quatro gerações de experiência na oração e no combate espiritual, Antão tornara-se um mestre de discernimento. No fim da sua vida pôde dizer: "Os demônios têm inveja de nós, cristãos, e põem tudo em movimento para nos desviar do caminho para o céu, porque não querem que nós cheguemos ao lugar donde eles foram precipitados. ... Por isso temos necessidade da oração fervorosa e da ascese, para que, tendo recebido do ESPÍRITO SANTO o dom do discernimento, reconheçamos a sua maneira de proceder " (ibid. cap. 22). "Uma vida recta com fé em DEUS é uma arma poderosa contra eles" (ibid. cap. 30).
"Mas o assalto e a visão dos espíritos malignos criam grande confusão, pois isto se dá com estrondo, barulho e gritos, semelhantes ao que fazem os jovens mal educados e os ladrões. Na alma surgem então a confusão e a desordem dos pensamentos, a vergonha, o ódio contra a ascese, o desleixo, a dor, a lembrança dos familiares, o medo da morte; depois vêm o desejo apaixonado do mal, a negligência das virtudes e a deformação do carácter" (ibid. cap. 36). Vemos, portanto, que a presença dos demónios causa um género de escuridão turva, ao mesmo tempo que fazem brilhar as suas luzes falsas e excitantes, um falso sentimento de segurança e vaidade.
Os Santos Anjos, porém, inspiram sempre a serenidade e uma profunda paz interior; conduzem-nos à mansidão de CRISTO, virtude que eles próprios manifestam na sua missão junto de nós, pobres pecadores. "A sua aparição é algo de muito tranquilo e suave, de modo que dá alegria e coragem à alma. Com eles vem o Senhor que é a nossa alegria, a força que vem de DEUS..... A alma sente a ânsia do que é divino e que está no futuro, e o gosto de se unir aos Anjos...." (ibid. cap. 35). A luz que os Anjos transmitem, exalta DEUS e torna a alma humilde, enchendo-a do temor de DEUS. Assim ela sente uma grande ânsia de DEUS e um desprendimento interior e admirável das coisas do mundo.
Santo Antão diz que, de facto, a presença do Anjo primeiro inspira também receio, mas este transforma-se logo em respeito e numa confiança amorosa em DEUS. Recomenda o seguinte: "Se tiverdes uma visão e sentirdes receio, mas se este se converte rapidamente em alegria indizível que vos inspira sentimentos de bem-estar, coragem, alívio, ordem nos pensamentos, ... e amor a DEUS, então podeis ficar felizes e animados, podeis rezar, porque a alegria e a paz da alma manifestam a santidade daquele que se vos apresenta. Assim se alegrou Abraão ao ver o Senhor (cf. Jo 8,56) e o pequenino João saltou de alegria no seio de Isabel ao ouvir a voz de MARIA, a Mãe de DEUS" (ibid. cap. 36).
O conselho final do Santo para o combate espiritual é: "Tenhamos coragem e alegremo-nos porque seremos salvos. Pensemos interiormente que o Senhor, que expulsou e derrotou os demónios, está connosco. Portanto, lembremo-nos sempre que os inimigos nada poderão fazer contra nós, porque o Senhor está connosco. É mesmo assim: quando os demónios aparecem, agem conforme o nosso estado de ânimo e adaptam as suas imagens enganadoras aos nossos pensamentos. Se virem que somos cobardes e vacilantes, assaltar-nos-ão como ladrões que encontram a casa desprotegida; tornarão pior e desmedido aquilo que pensamos acerca de nós próprios. Se nos virem cheios de medo e de cobardia, aumentarão este desanimo pelas suas aparições e ameaças. .... Mas se nos encontrarem cheios de alegria no Senhor, com os nossos pensamentos nos bens futuros, nos dons do Senhor, considerando que tudo está nas mãos de DEUS e que o demónio nada pode fazer contra um cristão, que até não tem poder algum, então, vendo a alma protegida por tais pensamentos, retirar-se-ão envergonhados. .... Se, portanto, quisermos desprezar o inimigo, pensemos sempre nas graças do Senhor e conservemos a nossa alma em jubilosa esperança" (cf. Rom 12,12)" (ibid. cap. 42).

Fonte: Obra dos Santos Anjos

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Santa Maria Faustina Kowalska

Santa Faustina e o Anjo da Guarda
 
"Quando terminou o sermão, não esperei pelo final da cerimônia, porque tinha pressa de regressar à casa. Mas, mal havia dado alguns passos, surgiu diante de mim uma multidão de demônios que me ameaçavam com suplícios terríveis e podiam ouvir-se vozes: “Ela nos roubou tudo aquilo que conseguimos como trabalho de tantos anos”. Quando lhes perguntei: “Donde vindes em tão grande número? – responderam-me essas figuras maldosas: “Dos corações dos homens, não nos atormente”.
Vendo o seu terrível ódio para comigo, pedi ajuda do Anjo da Guarda e imediatamente surgiu diante de mim a clara e luminosa figura do Anjo da Guarda, que me disse: “Não tenhas medo, esposa do Meu Senhor, esses espíritos não te poderão fazer mal sem permissão d’Ele. Imediatamente, desapareceram os espíritos maus, e o fiel Anjo da Guarda acompanhou-me de maneira visível até a casa. Seu olhar era modesto e tranqüilo, e de sua fronte brotava um raio de fogo.
 
Ó Jesus, eu desejaria trabalhar, atormentar-me e sofrer a vida toda por esse único momento em que vi a Vossa glória,Senhor, e o proveito das almas".
 
 

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Santa Gema Galgani

O Anjo aceita tudo do nosso amor



O seu diretor espiritual achava exagerado o relacionamento íntimo com o Gema relatava e deu algumas diretrizes para ela observar. Ele tinha medo que a santa estivesse sendo enganada pelo demônio. Por isso, ao aparecer o Anjo, ela devia exclamar: "Viva Jesus!" e tentar afastá-lo seja com o sinal da Cruz, com água benta ou mesmo com o cuspir. Caso ele não se afastasse, ela devia convidá-lo a adorar com ela a Santíssima Trindade. Uma vez aconteceu que o Anjo lhe apareceu e ela tentava afastá-lo, mas inutilmente; o Anjo não desapareceu. Então Gema cuspiu no rosto dele, e viu no chão onde tinha caído o cuspe, brotar uma rosa branca, e nela estava escrito em letras de ouro: "Tudo se aceita do amor".
 (Ferdinand Holböck, Vereint Mit den Engeln und Heiligen, Stein am Rhein, 1984, pág. 394.


sábado, 15 de setembro de 2012

Viver com o Anjo

Da vida de santa Gema, vale também lembrar que nem tudo podemos imitar como, por exemplo, o envio das cartas pelo Anjo ou as aparições dele. Mas, o que podemos aprender quando consideramos as experiências desta santa é uma relação com o Anjo como de uma criança. Não havia nada que Gema escondesse diante do Anjo ou que não lhe contasse. Por isso, ele sabia tudo dela, não só porque estava sempre ao seu lado, mas também porque ele ouviu tudo de sua própria boca. Assim o amor ao Anjo tornou-se fecundo para muitas pessoas que, desta forma, receberam grandes ajudas de santa Gema Galgani seja pelas suas fervorosas orações, seja por meio dos bons conselhos que ela deu, inspirada pelo Anjo.


Será que a nossa união com o Anjo já é tão grande que não precisamos esforçar-nos por fazê-la mais íntima, ou não devemos reconhecer humildemente que estamos ainda bem no início do caminho? Uma coisa é clara: quanto mais nós cultivamos a intimidade com o Anjo, amando-o, invocando-o, falando-lhe de nossas preocupações e fracassos, tristezas e alegrias e as dos outros também , pedindo sua ajuda, seu

terça-feira, 1 de maio de 2012

José, de origem real, trabalhava com as mãos.

"José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus" (Mt 1, 16).




Ora, o ponto de referência é o mistério da encarnação, que pões em relevo a dignidade do trabalho através daquele que o exerce, e no caso de são José, ele mesmo sobre o exemplo do Filho [...].

Leão XIII escreveu:
“José, de origem real, unido em matrimônio com a sublime e a mais santa das mulheres, e pai putativo do Filho de Deus, passa, entretanto, sua vida ao trabalho, e pela sua obra e sua arte, ele obtém o necessário para a subsistência dos seus O trabalho do operário, longe de ser desonrado, pode, ao contrário, quando a virtude aí está associada, ser altamente enobrecedor.” (Leão XIII, Quamquam pluries, 1889).

“Jesus, ele o Filho de Deus e Deus ele próprio, quis ser visto e considerado como filho de um artesão, e melhor, ele não se negou de passar uma grande parte da sua vida ao trabalho manual, ‘não é este o carpinteiro, o filho de Maria?’ (Mc 6,3). “ (Leão XIII, Rerum Novarum, 1891)



segunda-feira, 9 de abril de 2012

Santa Faustina e o Santo Anjo

De forma especial os Anjos querem conduzir- nos a Jesus Eucarístico, mesmo e até principalmente durante as doenças. Assim escreve Santa Faustina:


"À noite a Irmã que cuidava de mim veio dizer- me "Amanhã a Irmã não receberá Nosso Senhor, porque está ainda muito fatigada, depois veremos como será." Isto magoou-me imenso, mas respondi com muita calma: "Está bem". E, submetendo-me inteiramente ao Senhor, procurei dormir. De manhã, fiz a meditação e preparei-me para a Sagrada Comunhão, embora não devesse receber Nosso Senhor. Quando a minha ansiedade e o meu amor atingiram o grau máximo, de repente, vi junto da minha cama um Serafim, que me deu a Sagrada Comunhão, pronunciando estas palavras: "Eis o Senhor dos Anjos". - Quando recebi o Senhor, o meu espírito mergulhou no amor de Deus e em assombro. Repetiu-se isto durante treze dias, embora eu nunca tivesse a certeza se ele m'A traria no dia seguinte; mas submetendo- me a Deus, confio na Bondade Divina e nem ousava pensar se no outro dia iria receber a Sagrada Comunhão dessa maneira.

O Serafim estava rodeado por um grande esplendor; reflectia-se o divino, o amor de Deus. Tinha uma veste dourada e, por cima, uma sobrepeliz e uma estola transparentes. O cálice era de cristal, coberto por um véu também diáfono. Logo que me dava o Senhor, desaparecia imediatamente." (Diário 1676)



Se tal era a sede da Irmã Faustina de receber Jesus eucarístico, mesmo estando impossibilitada, qual não deve ser a nossa, tendo tempo e saúde? Devemos procurar também a confissão, esta não com os Anjos mas com o Sacerdote: "Quando uma vez tive certa dúvida, que despertou em mim um pouco antes da Sagrada Comunhão, logo apareceu novamente o Serafim com Nosso Senhor. Eu, porém, recorri a Jesus e, não obtendo resposta roguei ao Serafim: "Poderias confessar-me?" E ele respondeu-me: "Nenhum Espírito no Céu tem esse poder". Nesse mesmo momento a Santa Hóstia pousou nos meus lábios." (Diário 1677)

domingo, 8 de abril de 2012

Santa Faustina e o Santo Anjo

Meditação



Um dia no céu, o nosso Anjo da Guarda nos mostrará o lugar que Deus preparou para cada um de nós. Santa Faustina recebeu esta graça já aqui na terra em Julho de 1936:

"Quando, uma vez, rezava fervorosamente aos Santos dos Jesuítas, de repente vi o Anjo da Guarda, que me conduzia ao Trono de Deus. Eu passava por grandes multidões de Santos e reconheci muitos que já conheci das imagens. Avistei muitos Jesuítas que me perguntavam: "De que Congregação é esta alma?" Quando lhes respondi, perguntaram: "Quem é o teu director espiritual?" Respondi que era o Padre Andrasz… Ao quererem falar mais, o meu Anjo da Guarda fez sinal, para que fizessem silêncio, e cheguei à presença do próprio Trono de Deus. Contemplei uma claridade enorme e inacessível e olhei para o lugar que me estava destinado próximo de Deus, mas como ele era não sei, porque estava encoberto por uma nuvem. Todavia o meu Anjo da Guarda disse-me:
"Aqui está o teu trono pela tua fidelidade no cumprimento da Vontade Divina".
                                                       (Diário 683)

Portanto, quem já experimentou "quão suave é o Senhor", sabe o quanto pode ir avante na sua vida com Deus, se emprega bem o seu tempo. Tanto na oração, no trabalho, como no descanso podemos ser um canal da Divina Misericórdia, protegidos e guiados pelos Santos Anjos, como Santa Faustina."

segunda-feira, 19 de março de 2012

São José, valei-nos!

Celebrar a festa de São José é celebrar a vitória da fé e da obediência sobre a rebeldia e a descrença que hoje invadem os lares, a sociedade e até a Igreja. O homem moderno quer liberdade; “é proibido proibir!”; e, nesta loucura lança a humanidade no caos.



Hoje, mais do que nunca é preciso clamar: “São José, valei-nos!” Ao falar desse santo, o Papa João Paulo II, na  exortação apostólica “Redemptoris Custos” (o protetor do Redentor), de 15 de agosto de 1989, declarou: “Assim como cuidou com amor de Maria e se dedicou com empenho à educação de Jesus Cristo, assim também guarda e protege o seu Corpo Místico, a Igreja” (nº1). “Hoje ainda temos motivos que perduram, para recomendar todos e cada um dos homens a São José (nº 31).

São José, tal como a Virgem Maria, com o seu “sim” a Deus, no meio da noite, preparou a chegada do Salvador. Deus Pai contou com ele e não foi decepcionado. Que o Altíssimo possa contar também conosco! Cada um de nós também tem uma missão a cumprir no plano divino. E o mais importante é dizer “sim” a Deus como São José. “Despertando, José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado” (Mt 1,24).

Celebrar a festa de São José é celebrar a santidade, a espiritualidade, o silêncio profundo e fértil. O pai adotivo de Jesus entrou mudo e saiu calado, mas nos deixou o Salvador pronto para começar a Sua missão. É como alguém destacou: “O servo que faz muito sem dizer nada; o especial agente secreto de Deus”. Ele é o mestre da oração e da contemplação, da obediência e da fé. Com ele aprendemos a amar a Deus e ao próximo.

São José viveu o que ensinou João Batista: “É preciso que Ele [Jesus] cresça e eu diminua” (Jo 3,30).