Em união com todos os Santos Anjos

"Sanctus, Sanctus, Sanctus. Dóminus, Deus Sábaoth Pleni sunt caeli et terra Glória tua. Hosánna in excélsis. Benedíctus, qui venit In nómine Dómini, Hosánna in excélsis.

Blog Santo Anjo da Guarda

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sábado, 3 de maio de 2014

Instrumento de Deus para a Obra dos Santos Anjos

RECORDANDO A MÃE GABRIELE
(1896 - 1978)


"O amor à cruz é o mais pesado, o mais brilhante
e o mais frutuoso, porque conduz da terra ao céu".
(Mãe Gabriele)





Em todas as épocas DEUS escolhe no Seu livre desígnio a quem deseja confiar uma missão singular na Igreja. É a revelação visível de Sua presença paterna, salvífica e santificadora. Poderíamos citar aqui centenas de exemplos de vida dos Santos e da história da Igreja. Uns eram profetas de voz poderosa, outros pregavam pelo silêncio e brilho do testemunho de vida, simples e ocultos aos olhos do mundo. Sejam eles monges ou missionários, sacerdotes ou leigos, jovens ou até crianças, sempre o selo da propriedade divina os distinguia, imbuídos do mistério e da força do DEUS Altíssimo.



Para criar a Obra dos Santos Anjos, DEUS escolheu como instrumento uma simples mãe de família, Gabriele Bitterlich. Esse fato, por si só, se reveste de um particular significado, pois, assim como toda a Santa Igreja, também a Obra deve ser a família do Senhor, manifestação do Seu amor salvífico, comunidade de membros visíveis e invisíveis, de anjos e homens, unidos no Corpo Místico de CRISTO.



Personalidade forte, marcada pela profunda comunhão com DEUS, Gabriele irradiava o verdadeiro amor divino que, atuando na sua vocação materna, fez dela a Mãe da Obra dos Santos Anjos. É este o seu mais belo atributo, visível naquele amor sóbrio, puro, desapegado e autêntico que a todos atraía e a todos indicava o caminho para a casa do PAI.



Gabriele nasceu no dia 1o. de novembro de 1896 em Viena (Áustria), e foi batizada no dia 21 de novembro do mesmo ano. Desde criança Gabriele teve a graça de uma profunda união com o seu Santo Anjo da Guarda. A presença visível deste seu amigo celeste tornou-se tão natural e freqüente, a ponto de ocupar um lugar especial em toda sua vida. De fato, foi ele o pedagogo que o Senhor destinou para sua formação e caminho à santidade. No entanto, Mãe Gabriele não vivia num mundo de ilusões e fantasias. Já na adolescência começara uma sóbria educação nas mãos de DEUS. Desde cedo aprendera a procurar sempre a vontade de DEUS, mortificar a vontade própria, diminuir continuamente, a fim de que ELE fosse o único tesouro de sua vida. Mais tarde, depois de casada, em Innsbruck no dia 23 de maio de 1919, o Senhor submeteu-a a uma rigorosa formação na escola da Cruz, cumulando-a com inumeráveis e pesadas provações. Mãe Gabriele descobriu assim o segredo da renúncia por amor, crescendo na sede de DEUS que era puro anseio e ardor.



Mulher realista, consciente de seus deveres de esposa e mãe de família, ela vivia como que estendida na Cruz de uma grande tensão: de um lado, mergulhada no mistério de DEUS e por outro, envolta em inúmeras tarefas do dia a dia, atenta aos mínimos detalhes de sua vida doméstica. Conciliava em verdadeira santidade o contínuo olhar para DEUS, a constante atenção aos Santos Anjos e uma correspondência exemplar à sua vocação de mãe de uma família natural com seis filhos (três eram de adoção). E mais tarde, acrescentou-se uma família espiritual que atingia proporções mundiais. Como se não bastasse tudo isso, somavam-se a saúde debilitada e as contínuas doenças, vendo-se por várias vezes à beira da morte. Seu grande amor a DEUS também refletiu-se visivelmente na dedicação aos pobres e aos enfermos. A pobreza em espírito alçou-a à total simplicidade do caráter, condição essencial para a santidade. Chamada a uma verdadeira missão expiatória, Nosso Senhor introduziu-a gradativamente na experiência de Seu sofrimento Redentor no Horto das Oliveiras e do Calvário. Numa imolação total pelos sacerdotes, ela não meditava, mas vivia a Paixão de CRISTO numa participação real, interior e física. Assim nasceu a regra da "Passio Domini" (Paixão do Senhor) das quintas e sextas-feiras na Obra dos Santos Anjos e a nossa mais profunda vocação: a reparação pela Santa Igreja. Através dela aprendemos a amar a Cruz como o segredo que nos abre a porta ao eterno amor de DEUS. Mas a força para o sacrifício diário provinha ainda de um outro mistério: a profunda vida eucarística. O Santo Sacrifício da Missa e a conseqüente comunhão constituíam o ponto culminante de sua vida unitiva com Seu amado Senhor, antecipando todos os dias o céu na sua alma. Ela nos ensinou que a verdadeira reparação não é possível sem esta graça, pois é sempre DEUS em nós que opera e salva.



Formando sua serva na ciência da Cruz, DEUS a preparou para a missão de portadora de uma revelação particular em torno da realidade dos Anjos. Como jamais antes, Nosso Senhor revelou à Mãe Gabriele a partir de 1949 o mundo dos Santos Anjos, seus coros, sua missão na Igreja e na criação. Através dela o Senhor quis abrir os nossos olhos para a atualidade da presença destes grandes guerreiros invisíveis nos tempos de hoje, como intercessores, defensores e, sobretudo, como nossos educadores em vista da santidade e da vocação particular de cada um de nós. A Igreja sempre acompanhou de perto esta revelação por meio de seus legítimos representantes, a saber, o Bispo de Innsbruck, os diversos diretores por ele designados, e ultimamente por dois decretos da Santa Sé.



Mãe Gabriele orientou os nossos olhares para MARIA, a Esposa do ESPÍRITO SANTO e Senhor dos últimos tempos. Mostrou-nos que é ela a Rainha dos Anjos, a Vitoriosa que vem com seu exército angélico, pronta para o combate derradeiro. Por isso, a Obra vive em torno da Mãe de DEUS, a Mãe da transformação, a Arca da Aliança. Mãe Gabriele irradiava o ser mariano, não só pelo seu ser maternal, mas também pelo silêncio no qual guardava os arcanos da sua intimidade com DEUS e pela alegria que provava a
autenticidade de seu grande carisma. Na sua vida oculta, imolada pelos sacerdotes, imitava MARIA a Mãe dos sacerdotes. Ao longo de tantos anos, padres, religiosos e leigos reuniam-se em torno dela, por todos venerada com o carinhoso título de "Mãe". Assim surgiu a Obra dos Santos Anjos, em obediência ao Senhor e à Igreja, e não por iniciativa humana.



Sendo DEUS tudo para ela, a própria vida só teria sentido se configurada à Sua morte. Após uma longa e pesada agonia, o Senhor levou consigo esta alma-vítima no dia 4 de abril de 1978 no convento de S. Petesburg no Tirol (Áustria), onde também foi sepultada. Uma singela inscrição sobre a Cruz de madeira no túmulo diz: "DEUS é bom, Mãe". Nela se realizou plenamente a palavra: "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos" (Jo 15,13).



Neste mês queremos pedir ao Senhor a graça de vê-la o quanto antes, elevada à honra dos altares, como exemplo de vida santa, para que todo o povo de DEUS possa recorrer à sua intercessão.




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NOVENA A MÃE GABRIELE



PAI, FILHO e ESPÍRITO SANTO!
VÓS encontrastes na Vossa serva Gabriele Bitterlich um instrumento escolhido
para os Vossos planos santíssimos. A exemplo de MARIA, Vossa Mãe, ela foi
muito além de sua própria família uma bondosa mãe que se sacrificava e
cuidava fielmente dos que lhe estavam confiados. Como os Santos Anjos, ela
atendia a todos os Vossos desejos, por menores que fossem, obedecendo em
tudo com obediência alada e em grade fidelidade. Em meio aos mais amargos
sofrimentos e nas horas mais obscuras VÓS a conformastes ao Vosso FILHO na
Cruz. Com MARIA ela disse o "ECCE" e com os Santos Anjos "Louvor a DEUS.
Como testemunho ela deixou para seus filhos a palavra "DEUS é Bom"!
Convencidos de que a vida sacrificada e fiel da Vossa serva Gabriele foi do
Vosso agrado, nós Vos suplicamos que, se for da Vossa Vontade, Vos digneis
apresentá-la ao mundo como modelo de uma vida santa, elevando-a à honra dos
altares, e conceder-nos pela intercessão da nossa Mãe Gabriele a graça de...



(reza-se como novena, acrescentando nove Sanctus em honra dos nove coros
angélicos, bem como nove Glória ao PAI e o Magnificat)
(A novena é somente para uso privado)



Pede-se o favor de comunicar graças alcançadas pela intercessão da Mãe Gabriele ao: administrador do blog pelo e-mail.
DEUS lhe pague.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

História da Obra dos Santos Anjos

A postagem mais vista deste blog é a de título "Obra dos Santos Anjos", então pensamos em falar de sua História.
Inícios
O movimento eclesial da Obra dos Santos Anjos (OA) foi iniciado em Innsbruck, no Tirol (Áustria) nos anos 50 do século passado com a intenção de aprofundar o conhecimento e a devoção aos santos Anjos e, com isto, a colaboração com eles na vida e na missão da Santa Igreja, para a glorificação de Deus e para se dedicar de forma mais eficaz à santificação e salvação das almas.
Um instrumento humano
Instrumento para este movimento foi uma mulher, Gabriella Bitterlich, simples dona de casa em Innsbruck que, por ordem do seu confessor, em 1949, começou a escrever as suas experiências interiores. Na verdade, desde a sua infância, ela teve uma especial intimidade com o seu santo Anjo da Guarda que, ao longo dos anos, a tinha guiado sempre mais profundamente na vida espiritual, conduzindo-a a uma união cada vez maior com Cristo crucificado, com o objetivo de cooperar mais estreitamente na obra da salvação.
Um dom para a Igreja
O seu diretor espiritual verificou que não se tratava simplesmente de um caminho individual, mas de uma oferta de graça dirigida à Igreja. Ao redor da Sra. Bitterlich formou-se um grupo de fiéis, entre eles sacerdotes e seminaristas devotos dos Anjos.
Em 1950, o bispo diocesano, em Innsbruck, Dr. Paulus Rusch, aprovou um texto de Consagração aos santos Anjos e um outro texto de Consagração ao Anjo da Guarda. Em seguida, o próprio bispo acompanhou o movimento, autorizando a divulgação de cartas espirituais escritas pela Sra. Bitterlich para os membros cada vez mais numerosos do movimento.
Em 1961, o bispo diocesano, tomou a iniciativa e erigiu canonicamente a Confraria dos Anjos da Guarda como uma associação pública de fiéis. Seguiram-se outras associações, entre elas também as associações de sacerdotes. Nos anos 60 e 70, o movimento se espalhou em diferentes partes do mundo.
Um caminho de santidade
O compromisso central do movimento consistia numa simples busca da perfeição cristã, sem a qual uma amizade verdadeira com os espíritos bem-aventurados é inconcebível. Esta colaboração, em primeiro lugar, consiste na glorificação de Deus, especialmente através da celebração reverente da santa liturgia e da adoração eucarística, em segundo lugar, refere-se à nossa missão comum de nos dedicarmos à santificação e salvação dos nossos irmãos. Por esta razão, muitos dos escritos da Sra. Bitterlich centravam-se na prática das virtudes e no seguimento de Cristo sofredor. Na verdade, a devoção do mistério pascal de Cristo logo se tornou uma característica central do movimento e a Virgem Santa Maria cada vez mais tornou-se o modelo para a vida interior dos membros da Obra.
Comunidades de Vida Consagrada
Também surgiu um forte desejo entre muitos membros da OA, por uma vida regrada e consagrada segundo as linhas deste movimento espiritual. Tudo isto começou com a restauração da Ordem dos Cónegos Regrantes da Santa Cruz através do decreto pontifício Perantiquus ordo em 1979, enquanto que o ramo feminino das Irmãs da Santa Cruz foi erigido canonicamente mais tarde, em Innsbruck, em 2002.
A intervenção da Santa Igreja
O processo histórico da inclusão da OA no corpo da Santa Igreja necessitou de um diálogo prolongado entre as autoridades eclesiásticas e os representantes do movimento. Daqui resultaram uma série de intervenções da Igreja para orientar o caminho do movimento, talvez inesperadas para muitos, mas necessárias pois estavam implicadas com a própria natureza da Santa Igreja. É ela quem possui o carisma da verdade – e, portanto, do discernimento – isto é, de provar os espíritos, guardando o bem (cf. 1Ts 5,21) e a exemplo de São Paulo, regulando a sua aplicação na mesma Igreja (cf. 1Cor 14). São Justino afirma que o carisma profético, que anteriormente se verificava em Israel, passou para a Igreja, novo Povo de Deus (cf. Diálogo contra Trifon, cap. 82). E São Paulo, inspirado pelo Espírito Santo incentiva a “procurar o amor. Aspirai aos dons do Espírito, especialmente à profecia (...) a profecia não é para os incrédulos, mas para os crentes” (1Cor 14,1.22).
Na verdade, a história da Igreja está repleta de tais dons proféticos, também a nível institucional, como os carismas das comunidades religiosas. Estes dons carismáticos, aceitados com gratidão pela Igreja, são regulados e, por vezes, modificados pela própria Igreja. A aceitação dócil e obediente de tais disposições e alterações é um elemento necessário para garantir a autenticidade do carisma e é o pré requisito para ser aprovado pela autoridade eclesiástica competente. Como o único fundamento da fé e da espiritualidade na Igreja é o depósito da fé transmitido pelos Apóstolos, sempre que uma graça carismática faz nascer uma nova família religiosa na Igreja (caso muito frequente na história!), os responsáveis na Igreja (os bispos, a Santa Sé) são chamados a cumprir a sua obrigação apostólica de supervisionar o crescimento espiritual e doutrinal do movimento e a sua incorporação na Igreja. Enfim, sabemos que “a nenhuma profecia da Escritura compete uma interpretação subjetiva” (2Pe 1,20), e isto vale tanto mais para a interpretação e direção de qualquer carisma que surge dentro da Igreja. E esta responsabilidade torna-se cada vez maior na medida em que um carisma oferece uma própria espiritualidade e leva à fundação de uma comunidade religiosa.
Dois decretos
Entre os anos 1977 e 1992, a Congregação para a Doutrina da Fé submeteu a doutrina e as práticas da Obra dos Santos Anjos a exames detalhados, emitindo dois decretos, um em 1983 e outro em 06 de junho de 1992. Neste último, a Congregação para a Doutrina da Fé orienta fundamentalmente a doutrina, a espiritualidade e as práticas da OA para que esta possa caminhar de modo equilibrado e saudável dentro da Igreja.
Pede que a Obra dos Santos Anjos e os seus membros sigam fielmente a angelologia proposta pela Sagrada Escritura e pela Tradição da Igreja. Não é permitido um culto dos Anjos usando nomes ou doutrinas não verificadas na Tradição da Igreja. Em especial, na celebração da liturgia devem ser seguidas com rigorosa fidelidade as rubricas dos textos litúrgicos.
Foi instituído um Delegado Apostólico para ajudar e garantir a aplicação fiel das disposições eclesiásticas. Devido à docilidade e fidelidade dos membros e responsáveis da OA foi possível realizar, num curto espaço de tempo, vários passos para uma reorganização da Obra dos Santos Anjos e do seu apostolado segundo as diretrizes da Santa Sé.
Acolhimento pela Santa Igreja
Citamos aqui os momentos mais importantes:
– No Ano Santo de 2000, com a recomendação do Delegado Apostólico e várias explicações teológicas, a Congregação para a Doutrina da Fé aprovou o texto da Consagração aos santos Anjos.
– Em 2003, a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, aprovou definitivamente as Constituições da Ordem dos Cónegos Regrantes da Santa Cruz, segundo as quais compete a esta Ordem a direção da OA segundo o CIC, cân. 303.
– Em 07 de novembro de 2008 a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, aprovou o Estatuto da Obra dos Santos Anjos como associação pública de fiéis na Igreja.
– Em sua mensagem de saudação por ocasião do Capítulo Geral da Ordem dos Cónegos Regrantes da Santa Cruz, a 08 de janeiro de 2009, sua Eminência o Cardeal Tarcísio Bertone, por mandato do Santo Padre Bento XVI, manifestou a sua esperança de que os Anjos “acompanhem a família do Opus Angelorum, para que esta com a oração e o zelo apostólico possa servir à santificação contínua de todo o povo de Deus”.
Conclusão
Assim, a Obra dos Santos Anjos foi formada e consolidada na Igreja. Promovendo a devoção aos santos Anjos quer sabiamente guiar os seus membros para a perfeição da vida cristã no caminho do seguimento de Cristo na companhia dos santos Anjos, com os quais adoram o Deus três vezes santo, e se dedicam à santificação das almas, especialmente a santificação dos sacerdotes.

Fonte: Opusangelorum.org

domingo, 19 de janeiro de 2014

CATÓLICO PODE CONSULTAR HORÓSCOPO?



Normalmente as pessoas buscam nos horóscopos, em seus signos, como será a sua semana ou seu dia... se está num tempo favorável para iniciar ou terminar um projeto... se o meu signo combina com o signo de alguém... são tantas as formas de querer adivinhar o futuro oriunda de uma necessidade vinda das urgências de uma vida corrida e superficial que se vive esperando ler algo mágico para viver.  

ADIVINHAÇÃO E MAGIA


Deus pode revelar o futuro aos seus profetas ou a outros santos. Mas a atitude certa do cristão consiste em pôr-se com confiança nas mãos da Providência, em tudo quanto se refere ao futuro, e em pôr de lado toda a curiosidade mau a tal propósito. A imprevidência, no entanto, pode constituir uma falta de responsabilidade.


Todas as formas de adivinhação devem ser rejeitadas: recurso a Satanás ou aos demónios, evocação dos mortos ou outras práticas supostamente «reveladoras» do futuro. A consulta dos horóscopos, a astrologia, a quiromancia, a interpretação de presságios e de sortes, os fenómenos de vidência, o recurso aos "médiuns", tudo isso encerra uma vontade de dominar o tempo, a história e, finalmente, os homens, ao mesmo tempo que é um desejo de conluio com os poderes ocultos. Todas essas práticas estão em contradição com a honra e o respeito, penetrados de temor amoroso, que devemos a Deus e só a Ele.

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA 2115-16

Fonte: Opus Sanctorum Angelorum

OS ANJOS NA VIDA DA IGREJA




A Igreja, que em seus primórdios foi guardada e defendida pelo ministério dos Anjos (1) e que constantemente experimenta a sua "ajuda misteriosa e poderosa" (2), venera esses espíritos celestes e, confiante, solicita a intercessão dos mesmos.


Durante o Ano litúrgico, a Igreja comemora a participação dos Anjos nos eventos da salvação [Assim, por exemplo, na própria solenidade máxima, a Páscoa, e nas solenidades da Anunciação (25 de março), do Natal (25 de dezembro), da Ascensão, da Imaculada Conceição (8 de dezembro), da Assunção (15 de agosto) e de Todos os Santos (12 de novembro)], e celebra a memória deles em alguns dias particulares: em 29 de setembro a dos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael; em 2 de outubro a dos Anjos da Guarda; a eles dedica uma Missa votiva, cujo prefácio proclama que "a glória de Deus resplandece nos Anjos" (3); 

Na celebração dos divinos mistérios se associa ao canto dos Anjos para proclamar a glória do Deus três vezes santo (cf. Is 6,3) (4) e invoca a assistência deles para que a oferta eucarística "seja levada ao altar do céu, diante da [...] majestade divina" (5); na presença deles celebra o oficio de louvor (cf. Sl 137,I) (6); confia ao ministério dos Anjos as orações dos fiéis (cf. Ap 5,8; 8,3), a dor dos penitentes (7), a defesa dos inocentes contra os assaltos do Maligno (8);

Implora a Deus para que envie, no final do dia, os seus Anjos a fim de guardar na paz os que oram (9); ora para que os espíritos celestes venham socorrer os agonizantes (10) e, no rito das exéquias, suplica para que os Anjos acompanhem até o paraíso a alma do defunto (11) e guardem o seu sepulcro.

DIRETÓRIO SOBRE PIEDADE POPULAR E LITURGIA, 215

_________________________________
1. cf. At 5,17-20; 12,6-11
2. CICat., 334
3. MISSAL ROMANO, Prefácio dos Anjos
4. Cf. MISSAL ROMANO,Oração Eucarística, Santo
5. MISSAL ROMANO, Oração Eucarística I, Nós vos suplicamos
6. S. BENEDITO, Regula, 19,5: CSEL 75, Vindobonae, 1960, p. 75
7. Cf. RITUAL ROMANO, Ritual da Penitência, São Paulo, Ave Maria, 1999, 54
8. Cf. LITURGIA DAS HORAS, 2 de outubro, memória dos Santos Anjos da Guarda, Vésperas, Hino "Aos anjos cantemos, que guardem a todos"
9. Cf. LITURGIA DAS HORAS, Completas depois das II Vésperas dos Domingos e Solenidades, Oração "Visitai, Senhor, esta casa"
10. Cf. RITUAL ROMANO, Ritual da unção dos enfermos e sua assistência pastoral, cit., 147
11. Cf. RITUAL ROMANO, Ritual de Exéquias, São Paulo, Paulinas, 1971, 50

Fonte: Opus Sanctorum Angelorum

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

De boa vontade o inferno está cheio... será?




A frase “Deus olhou para todas as coisas e viu que eram boas” encerra um sentido sutil, que o pessimista popular não pode entender ou tem demasiada pressa em contestar. É a tese de que não há coisas más, mas somente mau uso das coisas. Ou, se o preferirem, não há coisas más, mas somente maus pensamentos e, em especial, más intenções. Em verdade, só os calvinistas podem crer que o inferno esteja pavimentado com boas intenções. É exatamente esta a única coisa com que não pode estar pavimentado. É possível, todavia, ter más intenções quanto a coisas boas; e coisas boas, como o mundo e a carne, têm sido de fato deturpadas por uma intenção má chamada demônio. Mas não é ele que pode fazer más as coisas; estas estão exatamente como no primeiro dia da criação. Só o trabalho do céu foi material: a fabricação de um mundo material. O trabalho do inferno é puramente espiritual. (G. K. Chesterton, em "Santo Tomás de Aquino")

Fonte: Opus Sanctorum Angelorum - Juventude Obra dos Santos Anjos

domingo, 12 de maio de 2013

A Ascensão do Senhor


"Por entre aclamações DEUS se elevou, o SENHOR subiu ao toque da Trombeta".


O acontecimento

Esta solenidade foi transferida para o 7º  domingo  Páscoa desde seu dia originário, a quinta-feira da 6º semana de Páscoa, quando se cumprem os quarenta dias depois da ressurreição, conforme o relato de São Lucas em seu Evangelho e nos Atos dos Apóstolos; mas continua conservando o simbolismo da quarentena: como o Povo de Deus esteve quarenta dias em seu Êxodo do deserto até chegar à terra prometida, assim Jesus cumpre seu Êxodo pascal em quarenta dias de aparições e ensinamentos até ir ao Pai. A Ascensão é um momento mais do único mistério pascal da morte e ressurreição de Jesus Cristo, e expressa sobretudo a dimensão de exaltação e glorificação da natureza humana de Jesus como contraponto à humilhação padecida na paixão, morte e sepultamento.
Ao contemplar a ascensão de seu Senhor à glória do Pai, os discípulos ficaram assombrados, porque não entendiam as Escrituras antes do dom do Espírito, e olhavam para o alto. Aparecem dois homens vestidos de branco, é uma teofania, a mesma dos dois homens que Lucas descreve no sepulcro  (24,4). Neles a Igreja Mãe judaico-cristã via acertadamente a forma simbólica da divina presença do Pai, que são Cristo e o Espírito. As palavras dos dois homens são fundamentais: Galileus, o que fazeis aí plantados olhando para o céu? O próprio Jesus que vos deixou para subir ao céu, voltará como vistes marchar (Atos 1,11). Em um excesso de amor semelhante ao que o levou ao sacrifício, o Senhor voltará para tomar os seus e para estar com eles para sempre; e se mostrará como imagem perfeita de Deus, como ícone transformante por obra do Espírito, para nos tornar semelhantes a ele, para contemplá-lo tal como ele é  (1 João 3,1-12). Contemplando na liturgia o  ícone do Senhor – sobretudo na  Eucaristia - intuamos o rosto de Deus tal como é e como o veremos  eternamente. E o invocamos para que venha agora e sempre.
No relato deste mistério segundo o Evangelho de São Mateus (28,19-20), o Senho envia os discípulos a proclamar e realizar a salvação, segundo o triplo mistério da Igreja: pastoral, litúrgico e magisterial: Ide e fazei discípulos de todos os povos (pelo anúncio profético e o governo pastoral, formando e desenvolvendo a vida da Igreja), batizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo (aplicando-lhes a salvação, introduzindo sacramentalmente na Igreja); e ensinando-os a guardar tudo o que vos mandei (mediante o magistério apostólico e a vida na caridade, o grande mandamento). O Plano de Deus está sendo cumprido, e a salvação, anunciada primeiro a Israel, é proclamada a todos os povos. Nesta obra de conversão universal, por longa e laboriosa que possa ser, o Ressuscitado estará vivo e operante em meio dos seus: E sabei que eu estou convosco todos os dias até o final dos tempos.

O mistério

A leitura apostólica que a Igreja propõe interpreta perfeitamente o acontecimento da Ascensão do Senhor, adentrando-nos no mistério do ressuscitado no santuário celeste. Agora podemos dizer com o canto do Santo que os céus e a terra estão cheios da glória de Deus (Em Isaías 6,3 só se nomeava a terra). Agora, com a ascensão da humanidade do Filho de Deus, comemorada no mistério litúrgico, sobre a qual repousa a glória do Pai, adorada pelos anjos, também nós somos unidos pela graça a este eterno louvor, no céu e na terra. Estamos no penúltimo momento do mistério pascal, antes da doação do Espírito Santo ao se completarem os cinqüenta dias, o Pentecostes.

A vida cristã

As orações desta solenidade pedem que permaneçamos fiéis à dupla condição da vida cristã, orientada simultaneamente às realidades temporais e às eternas. Esta é a vida na Igreja , comprometida na ação e constante na contemplação. Porque Cristo, levantado no alto sobre a terra, atraiu para si todos os homens; ressuscitando dentre os mortos enviou seu Espírito vivificador sobre seus discípulos e por ele constituiu seu Corpo que é a Igreja, como sacramento universal de salvação; estando sentado à direito do Pai, sem cessar atua no mundo para conduzir os homens à sua Igreja e por Ela uni-los assim mais estreitamente e, alimentando-os com seu próprio Corpo e Sangue, torná-los partícipes de sua vida gloriosa. Instruídos pela fé sobre o sentido de nossa vida temporal, ao mesmo tempo, com a esperança dos bens futuros,  realizamos a obra que o Pai nos confiou no mundo e lavramos nossa salvação (Vaticano II, Lumen gentium 48).


O Senhor subiu ao céu e um dia voltará, e nós clamamos “Maranatha” – vem Senhor Jesus – Mas entre a subida de Jesus ao Céu e sua volta existe uma missão que deve ser realizada – é a nossa missão, é a missão da igreja – De evangelizar o mundo para que “todos creiam que Jesus é o Senhor”. “Depois de falar com os discípulos, o Senhor Jesus foi levado ao céu, e sentou-se à direita de Deus. Ai está à força de nossa pregação: Aquele que desceu dos céus, se rebaixando e sendo um de nós, agora subiu aos céus e está à direita do Pai, Ele elevou a nossa humanidade, que foi decaída pelo pecado, ao grau da divindade, e toda a humanidade recebeu uma glória que não merecia, mas foi elevada por Cristo que nos amou até o fim. E se agora temos um homem de carne e osso andando no Céu podemos também chegar lá, por isso que Jesus é o caminho a verdade e a vida e quem crer n’Ele está salvo. Então celebrar a ascensão é celebrar a glorificação de toda a humanidade resgatada por Cristo. Não percamos tempo, digamos ao Senhor: “Eu creio, realize em mim o poder do Teu Espírito”.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

A Cruz do Ressuscitado - Uma Explicação do ícone do Crucifixo de São Damião




A Cruz de São Damião, popularmente conhecida como "Crucifixo de São Francisco", tornou-se famosa no mundo inteiro como a "cruz que falou a Francisco".

“Francisco, não vês que Minha casa está desmoronando?
Vai, então reconstrói a Minha Igreja”.
 (Palavras de JESUS  a São Francisco,  em outubro de 1205) 


São Francisco recebeu do próprio Senhor a missão: ”Francisco constrói a Minha Igreja”, a princípio ele compreendeu isto de maneira muito limitada. Aos poucos, porém, ele percebeu que as palavras “Minha Igreja” tinha um significado bem mais profundo: JESUS estava pensando em toda a Sua Igreja.
O sofrimento e a morte de JESUS são lidos à luz da glorificação de JESUS, como nos descreve São João em seu Evangelho. Assim o ícone oferece uma perspectiva  inspirada pelo Evangelho de São João. 

 Altíssimo e glorioso Senhor! 
Iluminai e dissipai as trevas do meu espírito. 
Dai-me  fé reta, esperança certa, caridade perfeita. 
Fazei, meu DEUS, que Vos conheça  
e faça cada coisa à Vossa luz
e conforme a Vossa santa vontade. Amém. 
(Oração de São Francisco)   



 Analisando:

 “PAI glorifica Teu FILHO, para que Teu FILHO glorifique a TI” (Jo 17,1).

“ Chegando, porém, a JESUS, como O vissem já morto, não Lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados abriu-Lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu Sangue e água. O que foi testemunha desse fato o atesta (e o seu testemunho é digno de fé, e ele sabe que diz a verdade), a fim de que vós creiais” (Jo 19, 33-35). 

No ícone se vê um forte antagonismo, uma luta entre luz e trevas. Ele representa o resultado final desta luta: O corpo glorioso de CRISTO resplandece diante de um fundo bem escuro.

“A luz resplandece nas trevas, mas as trevas não a compreenderam” (Jo 1, 5).  

Todo ícone é contornado pela cor vermelha.  Esta cor simboliza  o amor que venceu  as trevas e a morte. 



Detalhes que revelam o Mistério

As conchas:  
Todo ícone é contornado também por cochas emendadas uma na outra. Elas simbolizam a beleza e a eternidade do céu. 



CRISTO aceitou a Cruz em vista da alegria que Lhe fora proposto. 
 (Hb 12, 2).

A Pedra:
 Em baixo, no pé do ícone, não há conchas, mas uma pedra, que significa Pedro e a Igreja. CRISTO, no Gólgota, aparece como Aquele que gera pelo ESPÍRITO SANTO a Igreja viva sobre o fundamento dos Apóstolos. 

“Eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela”  
(Mt 16, 18).




A Coroa de Glória: 
Ela é uma das chaves para entender o ícone. É à sua luz que devemos “lê-lo”. Tanto JESUS como os outros  da Cruz, inseridas na coroa da glória, já estão imersas na luz.  
personagens aparecem, já, na glória. As linhas
Assim está presente o abaixamento e a exaltação de JESUS.

“As dores do momento presente não tem nenhuma proporção com a glória que se manifestará em nós” (Rm 8, 18).

Também para nós vale: o nosso testemunho da vitória de CRISTO damos nas renúncias e sacrifícios diários.  Nestas situações podemosdar o testemunho de nossa esperança na ressurreição. 

“Mas Aquele que fora colocado por pouco tempo abaixo dos Anjos, JESUS, nós O vemos, por Sua Paixão e morte, coroado de glória e de honra. Assim, pela graça de DEUS, a Sua morte aproveita a todos os homens” (Hb 2, 9).


A Figura do CRISTO


As Vestes de JESUS:
JESUS está vestido com um efod de linho bordado a ouro. É aquilo que os sacerdotes usavam sobre o quadril. Portanto, é símbolo de sacerdócio como de vítima. 

“Entretanto, Samuel, ainda criança, servia ao Senhor, trajando um efod de linho” (1 Sm 2, 18).

“Não quisestes sacrifício nem oferta, mas um corpo Me preparastes. Agora Eu disse: Eis que venho para fazer a Tua vontade” (Hb 10, 5-7).

As vestes revelam JESUS como o Rei, Sacerdote, Vítima e Altar. Sua oferta é agradável ao PAI. Seu louvor é perfeito, dado com a própria vida, por obediência e entrega total de amor ao PAI pelos homens.  Ele é o Pontífice, o Príncipe da Paz. 

“Louvai a DEUS com todas as vossas forças, isto é, também com a vossa consciência, vossa vida, vossas ações. Não deixes de viver santamente e louvarás sempre a DEUS. Se nunca te desviares do bom caminho, ainda que tua língua se cale, tua vida clamará” (Santo Agostinho). 

Os olhos de JESUS:

Os olhos abertos O mostram como O Vivente por excelência. Além disso são desmesuradamente grandes.  que vê o PAI. Seu olhar está dirigido entre céu e terra, porque Ele age como Sumo Sacerdote, como Mediador que Se oferece ao PAI pelos homens. 
Isto indica que Ele é o único
Ao mesmo tempo é um olhar grave e sereno: JESUS é consciente da importância da história da salvação da qual Ele é o Centro.

“Quem Me vê, vê o PAI” (Jo 8, 12).

Ao mesmo tempo é um olhar grave e sereno: JESUS é consciente da importância da história da salvação da qual Ele é o Centro.  Estão abertos. Ele olha para o mundo que salvou. É o olhar Eucarístico de JESUS. É o convite para nós: “Mira que te le mira” (Olha atentamente a Quem atentamente te olha)! 
“Eu sou a Luz do mundo; aquele que
Me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8, 12).

O túmulo vazio: 

Atrás dos braços esticados de JESUS está Seu túmulo vazio, representado pelo retângulo preto. Este sublinha a mensagem de que CRISTO na Cruz é a luz do mundo.




                     “Eu sou a Luz do mundo; aquele que Me segue não andará nas trevas, 
                                              mas terá a luz da vida” (Jo 8, 12). 


JESUS, Templo da TRINDADE: 
No centro do peito de JESUS se distingue a cabeça de um per-sonagem desenhada em filigrana, que está voltado para o lado esquerdo de CRISTO. Trata-se do PAI. Testemunha que o PAI estava presente na Paixão de JESUS, como Ele mesmo havia declarado:

“Como Tu, PAI, estás em Mim e Eu em Ti” (Jo .17, 21).
“Todos vós Me deixareis só, mas não estou só. O PAI está coMigo” (Jo 16, 32).

A Eternidade:

Há ainda um círculo abaixo do quase perfil do PAI que simboliza a eternidade, pois não tem início, nem fim. “Tudo o que CRISTO é, fez e sofreu por todos os homens participa da eternidade Divina e por isso abraça todos os tempos e nele se mantém presente” (CIC 1085)

“N’Ele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade” (Cl 2,9). 

A testa de JESUS:



 Sobre a testa de JESUS se pode distinguir uma pomba de asas abertas. Assim este ícone nos leva a uma contemplação profunda de toda a TRINDADE.

“N’Ele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade” 
(Cl 2,9). 


O rosto coberto de JESUS:

Olhando detalhadamente se vê o rosto e a coroa de JESUS encobertos por finíssimo véu. Este véu obscurece o rosto de JESUS e também o Seu pescoço.

“A glória do Senhor repousou sobre o Monte Sinai que ficou envolvido na nuvem durante seis dias” (Ex 24, 16) .

Como a glória do Senhor era velada pela nuvem no deserto, assim a Face de CRISTO era velada pela  Sua humanidade. Este véu simboliza toda a carne de JESUS que nos oferece acesso ao Trono da Graça pela fé: 

“Irmãos, temos ampla confiança de poder entrar no Santuário eterno, 
em virtude do Sangue de JESUS, pelo caminho novo e vivo que nos abriu através do véu, isto é, o caminho de Seu próprio Corpo” (Hb 10, 19-20) .

Como a glória do Senhor era velada pela nuvem no deserto, assim a Face de CRISTO era velada pela Sua humanidade.

O tórax e o pescoço de JESUS:


Estão muito robustos. O peito inflado mostra JESUS que, expirando, sopra o Seu ESPÍRITO sobre o mundo, gesto que realizará outra vez no cenáculo como Ressuscitado. Assim revela como o peito de JESUS estava cheio de perdão.

“Disse-lhes outra vez: A paz esteja convosco. Como o PAI Me enviou, assim também vos envio a vós. Depois destas palavras soprou sobre eles , dizendo-lhes: Recebei o ESPÍRITO SANTO. A quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados”
 (Jo 20, 22-23).

Este sopro de JESUS nos lembra da criação do homem. JESUS na Cruz está renovando a criação. Portanto, os mortos somos nós e Ele é o “Vivente pelos séculos” (Apoc 1, 18):

“O Senhor DEUS formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou-lhe nas narinas um sopro de vida e o homem se tornou um ser vivente” (Gn 2, 7).
“Profetiza ao ESPÍRITO, disse Me o Senhor, profetiza, filho do homem, e dirige-te ao ESPÍRITO: Eis o que diz o Senhor DEUS: vem, ESPÍRITO, dos quatro cantos do céu, sopra sobre esses mortos para que revivam” 
(Ez 37, 9).

 O último suspiro de JESUS foi o primeiro da Igreja. Quem rejeita a Cruz, rejeita o primeiro Pentecostes. Para cada Cruz há um Pentecostes e no Pentecostes da Cruz só permanece quem confia no amor e obedece.  O peito inflado de JESUS, cheio do ESPÍRITO SANTO, é, pois, símbolo do ESPÍRITO SANTO que, a partir da Cruz, rege a nova criação, que dá a vida nova de CRISTO ao homem morto de nosso tempo, que renova a face da terra a partir da Cruz de JESUS. 
  
JESUS é o personagem central:
É Ele que ilumina o ícone. Os outros personagens são iluminados pelo corpo luminoso de CRISTO. 

“Eu sou a Luz do mundo; aquele que Me segue não andará nas trevas, 
mas terá a luz da vida” (Jo 8, 12).


As chagas de CRISTO:



São chagas gloriosas. Não há sinais de morte em todo corpo de JESUS. Além disso, estas chagas são representadas como fontes vivas e ativas. A partir delas jorra com abundância o Sangue do Cordeiro de DEUS.




“Conduziu-me, então, à entrada do Templo. Eis que águas jorraram de sob o limiar do edifício, em direção ao oriente... vi a água brotar do lado de sul” (Ez 47, 2).
Ø
“...mas um dos soldados abri-Lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu Sangue e água” (Jo 19, 34).



“Mostrou-me, então, o Anjo um rio de água viva resplandecente como cristal de rocha, saindo do Trono de DEUS e do Cordeiro (Apc 22,1).

As Chagas de JESUS:
Estas chagas são o lugar de encontro entre nossa vida e o CRISTO que nos acolhe e cura. São lugar de encontro entre terra e céu, entre o humano e o Divino, entre o homem pecador e a TRINDADE Santa.
“Por Suas chagas fomos curados” (1 Pd 2, 24).



Ao lado de cada uma das mãos de JESUS, há um pequeno santo que neles fixa seu olhar e, enquanto sorri, aponta para as chagas de maneira admirada. Talvez se trate de Pedro e João que testemunham o sepulcro vazio.


Das chagas de JESUS brota vida em abundância.
“Eu vim para que tenham a vida e a tenham em abundância” (Jo 10, 10).



Assim nas pessoas que estão debaixo dos braços estendidos de JESUS, já resplandece a vida eterna.

Os Personagens sob o Braço direito de JESUS



“PAI, quero que onde Eu estou, estejam coMigo aqueles que Me deste, para que vejam a Minha glória que Me concedeste, porque Me amaste antes da criação do mundo”  (Jo 17, 24).

Todos os personagens debaixo da Cruz tem a mesma estatura, trazem entre si uma grande semelhança e também com o próprio rosto de JESUS. Isto indica que

CRISTO é tudo em todos (cf. Col 3,11).
Todos chegaram ao estado do homem perfeito (cf. Ef 4,13).

Personagens à direita:
MARIA

MARIA e João são colocados lado a lado. Isto lembra da Palavra de JESUS: “Mulher, eis o teu filho... Eis tua Mãe” (Jo 19, 26-27).

MARIA está do lado direito. No oriente, este é o lugar de honra.
“À Tua direita está a Rainha, vestida de ouro de Ofir” (Sl 45, 10).

MARIA está sorrindo, o que lembra do gozoso anúncio de São Gabriel: “Alegra-te, ó cheia de graça”. Assim Ela é a Nova Eva, aquela que encontrou graça diante de DEUS (Lc 1, 30).
O rosto de MARIA está voltado para João, e nele para cada um de nós. Ela cumpre a Palavra de JESUS: “Mulher, eis teu filho”Assim Ela contempla agora o mistério de Seu FILHO Unigênito nos seus demais filhos e cuida deles.

MARIA leva a sua mão esquerda à boca, gesto descrito em várias passagens bíblicas. (veja Sb 8, 12; Jó 21, 5; 29,9).

Com a mão direita, Ela aponta para JESUS, o que significa:

JESUS é o assunta de sua conversa com João
JESUS é a vida dos dois que os une. João e MARIA debaixo da Cruz estão unidos no amor de CRISTO.
É o mesmo gesto com que Ela preparou os servos para as ordens do FILHO.
O véu branco de MARIA significa:
-          sua pureza,
-          sua vitória sobre a serpente, sobre o mal
-          a purificação trazida por CRISTO.

Sobre o véu se vê um grande número de pedras dispostas em fila. Dizem respeito das graças que o ESPÍRITO SANTO lhe havia concedido. Ela é a cheia de graça, plena dos favores de DEUS.

- O vermelho escuro de sua capa indica seu intenso amor de Co-Redentora.

A cor purpúrea na veste interna evoca a Arca da Aliança, recoberta, por dentro, com púrpura violeta e contendo as tábuas da lei.  Esta arca prefigurava MARIA que levou em seu seio a PALAVRA viva de DEUS: JESUS CRISTO.


JOÃO

Ele está mesma posição que na última ceia: ao lado de JESUS. Por isso o ícone nos dá uma mensagem Eucarística: Nós temos a mesma posição debaixo da Cruz e durante a Santa Missa.
João é mais perto do lado aberto de CRISTO do qual ele dá testemunho em seu Evangelho.  Ele está mais perto da chaga de amor de JESUS como o discípulo amado.
Goteja sobre ele o Sangue de CRISTO, de maneira diferente do que em MARIA. Pois em MARIA a graça da redenção foi antecipada.

Somos chamados a imitar João debaixo da Cruz e contemplar JESUS com esta grande admiração e amor com que ele olhou para seu Mestre. Somos os discípulos amados de JESUS se permanecermos fiéis a Ele.


manto de São João tem cor de rosa, o que significa sabedoria eterna.


Sua túnica branca é sinal de sua pureza, castidade perfeita, sua vitória sobre a carne. Assim ele podia acolher a Sabedoria que não habita num corpo devedor do pecado (cf. Sb1, 4).
Ele segura seu manto com a mão esquerda, o que significa que ele está na posse da sabedoria e da castidade.
Ele é colocado entre JESUS e MARIA por ser o discípulo amado de ambos. Sua atitude é a do filho que se sabe amado pelos seus pais.
Seu olhar é dirigido a MARIA. Assim também ele acolhe  as palavras de JESUS:

“Mulher, eis o teu filho... Eis tua Mãe” (Jo 19, 26-27).

Os Personagens sob o Braço esquerdo de JESUS



MARIA MADALENA

Sua cabeça toca a da mãe de Tiago o que indica que ambas não apenas estão conversando, mas trocando um segredo.
Nela prevalece a alegria da ressurreição, como também a admiração que JESUS escolheu a ela, que vivia antes uma vida tão pecaminosa.

“Há primeiros que serão os últimos e últimos que serão os primeiros” (Mt 19, 30).

Ela leva sua mão direita à boca como MARIA a sua mão esquerda. Isto indica que, debaixo da Cruz junto à Virgem, ela aprendeu algo dela. E é, sobretudo o grande amor e admiração que a faz semelhante à MARIA.
Sua túnica tem cor escarlate, simbolizando seu grande amor.
azul de seu manto intensifica este simbolismo e introduz um elemento da virgindade. Para os orientais, ela é virgem, pois CRISTO transformou seu coração fragmentado em indiviso.
A partir da Cruz, o Senhor quer “revirginizar” os nossos corações.
Reconhecendo-se profundamente pecadora, Maria Madalena está cheia de gratidão.

Personagens à esquerda:

MARIA MADALENA

No Crucifixo de São Damiano estão reunidos, de forma misteriosa, três amores:
  1. O amor esponsal de MARIA, a Mãe de JESUS, para quem foram antecipadas as graças da redenção.
  2. O amor de João, nascido como pecador, mas eleito como discípulo amado, profundo conhecedor da misericórdia do Senhor.
  3. O amor de Maria Madalena, a pecadora pública, alvo da misericórdia insondável do Senhor.

 O CENTURIÃO

É aquele centurião cujo filho foi curado por JESUS (Jo 4, 46).
O adolescente nas suas costas é seu filho curado por JESUS.
O pedaço de madeira em sua mão lembra que ele construiu uma sinagoga para os judeus (Lc 7, 5).
Ele tem três dedos estendidos – símbolo de sua fé na TRINDADE, e dois dedos fechados, simbolizando o mistério das duas naturezas de JESUS CRISTO.
Ele representa a multidão de pessoas que cresceram sem conhecer o DEUS verdadeiro e SEU FILHO Unigênito, JESUS CRISTO, mas vivem fiéis as inspirações do ESPÍRITO SANTO em sua consciência.

Figuras Menores:

LONGUINHO E ESTEFÂNIO


Longuinho está ao lado da Mãe de JESUS. Ele é, segundo a tradição, o soldado romano que feriu o lado aberto de JESUS.
Estefânio está ao lado do centurião. Ele era judeu e tem o mesmo tamanho.
Ambos olham para JESUS de maneira admirada: Matando JESUS, descobrem que Ele é o FILHO de DEUS e assim abrem-se seus os olhos e aderem à fé.
           
“Olharão para Aquele que transpassaram.” (Jo 19, 37).

Os dois mostram que a responsabilidade pela morte de JESUS recai igualmente entre pagãos e judeus. Sua estatura é pequena, como seu papel na história da salvação.
Os homens fizeram tudo para interferir contra JESUS, para flagelá-l’O e matá-l’O, mas com tudo isso só conseguiram glorificá-l’O.

“Ninguém Me tira a vida. Eu mesmo a dou.” (Jo 10, 18).



OS DOIS SANTOS AO LADO DO SEPULCRO



- Eles poderiam ser Pedro e João que correram junto ao sepulcro vazio.








O GALO



Ele lembra, em primeiro lugar, da negação de Pedro.
            “Mas Pedro O negou outra vez, e imediatamente o galo cantou.” (Jo 18, 27).

Ele é também o símbolo do sol que surge. Assim este galo proclama o novo despertar de CRISTO Ressuscitado.
            “Mas sobre vós, que temeis Meu nome, levantar-se-á o Sol de Justiça que traz a salvação em seus raios.” (Ml 3, 20).






Os coros dos Anjos acolhem JESUS que volta para as moradas celestes, onde prometeu preparar-nos  um lugar.
“Subo para junto do Meu PAI e vosso PAI, Meu DEUS e vosso DEUS” (Jo 20,17).



O Crucificado Ressuscitado - "Nós anunciamos CRISTO Crucificado que para os judeus é escândalo para os gentios é loucura mas para aqueles que são chamados tantos judeus como gregos é CRISTO, poder de DEUS, sabedoria de DEUS. Mas a este CRISTO, DEUS o ressuscitou dentre os mortos, e disto nós somos testemunhas". (ICor 1,23-24 e At 3,15).


Crucificado, porém, ressuscitado. Ressuscitado, porém, crucificado. Nele convivem o mistério da Cruz e da Ressurreição, mas a ênfase maior nesta. Seu olhar esquecido de si convida ao discípulo o seguimento de sua Pessoa em uma  experiência de vida com Ele através da Igreja e da vivência radical do Evangelho. A um só tempo se dá e chama, se oferta e convida, está ressuscitado e traz em si as marcas gloriosas da Cruz.


Fonte: A Cruz do Ressuscitado - Edições Shalom, 2006.