Em união com todos os Santos Anjos

"Sanctus, Sanctus, Sanctus. Dóminus, Deus Sábaoth Pleni sunt caeli et terra Glória tua. Hosánna in excélsis. Benedíctus, qui venit In nómine Dómini, Hosánna in excélsis.

Blog Santo Anjo da Guarda

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segunda-feira, 21 de abril de 2014

História da Obra dos Santos Anjos

A postagem mais vista deste blog é a de título "Obra dos Santos Anjos", então pensamos em falar de sua História.
Inícios
O movimento eclesial da Obra dos Santos Anjos (OA) foi iniciado em Innsbruck, no Tirol (Áustria) nos anos 50 do século passado com a intenção de aprofundar o conhecimento e a devoção aos santos Anjos e, com isto, a colaboração com eles na vida e na missão da Santa Igreja, para a glorificação de Deus e para se dedicar de forma mais eficaz à santificação e salvação das almas.
Um instrumento humano
Instrumento para este movimento foi uma mulher, Gabriella Bitterlich, simples dona de casa em Innsbruck que, por ordem do seu confessor, em 1949, começou a escrever as suas experiências interiores. Na verdade, desde a sua infância, ela teve uma especial intimidade com o seu santo Anjo da Guarda que, ao longo dos anos, a tinha guiado sempre mais profundamente na vida espiritual, conduzindo-a a uma união cada vez maior com Cristo crucificado, com o objetivo de cooperar mais estreitamente na obra da salvação.
Um dom para a Igreja
O seu diretor espiritual verificou que não se tratava simplesmente de um caminho individual, mas de uma oferta de graça dirigida à Igreja. Ao redor da Sra. Bitterlich formou-se um grupo de fiéis, entre eles sacerdotes e seminaristas devotos dos Anjos.
Em 1950, o bispo diocesano, em Innsbruck, Dr. Paulus Rusch, aprovou um texto de Consagração aos santos Anjos e um outro texto de Consagração ao Anjo da Guarda. Em seguida, o próprio bispo acompanhou o movimento, autorizando a divulgação de cartas espirituais escritas pela Sra. Bitterlich para os membros cada vez mais numerosos do movimento.
Em 1961, o bispo diocesano, tomou a iniciativa e erigiu canonicamente a Confraria dos Anjos da Guarda como uma associação pública de fiéis. Seguiram-se outras associações, entre elas também as associações de sacerdotes. Nos anos 60 e 70, o movimento se espalhou em diferentes partes do mundo.
Um caminho de santidade
O compromisso central do movimento consistia numa simples busca da perfeição cristã, sem a qual uma amizade verdadeira com os espíritos bem-aventurados é inconcebível. Esta colaboração, em primeiro lugar, consiste na glorificação de Deus, especialmente através da celebração reverente da santa liturgia e da adoração eucarística, em segundo lugar, refere-se à nossa missão comum de nos dedicarmos à santificação e salvação dos nossos irmãos. Por esta razão, muitos dos escritos da Sra. Bitterlich centravam-se na prática das virtudes e no seguimento de Cristo sofredor. Na verdade, a devoção do mistério pascal de Cristo logo se tornou uma característica central do movimento e a Virgem Santa Maria cada vez mais tornou-se o modelo para a vida interior dos membros da Obra.
Comunidades de Vida Consagrada
Também surgiu um forte desejo entre muitos membros da OA, por uma vida regrada e consagrada segundo as linhas deste movimento espiritual. Tudo isto começou com a restauração da Ordem dos Cónegos Regrantes da Santa Cruz através do decreto pontifício Perantiquus ordo em 1979, enquanto que o ramo feminino das Irmãs da Santa Cruz foi erigido canonicamente mais tarde, em Innsbruck, em 2002.
A intervenção da Santa Igreja
O processo histórico da inclusão da OA no corpo da Santa Igreja necessitou de um diálogo prolongado entre as autoridades eclesiásticas e os representantes do movimento. Daqui resultaram uma série de intervenções da Igreja para orientar o caminho do movimento, talvez inesperadas para muitos, mas necessárias pois estavam implicadas com a própria natureza da Santa Igreja. É ela quem possui o carisma da verdade – e, portanto, do discernimento – isto é, de provar os espíritos, guardando o bem (cf. 1Ts 5,21) e a exemplo de São Paulo, regulando a sua aplicação na mesma Igreja (cf. 1Cor 14). São Justino afirma que o carisma profético, que anteriormente se verificava em Israel, passou para a Igreja, novo Povo de Deus (cf. Diálogo contra Trifon, cap. 82). E São Paulo, inspirado pelo Espírito Santo incentiva a “procurar o amor. Aspirai aos dons do Espírito, especialmente à profecia (...) a profecia não é para os incrédulos, mas para os crentes” (1Cor 14,1.22).
Na verdade, a história da Igreja está repleta de tais dons proféticos, também a nível institucional, como os carismas das comunidades religiosas. Estes dons carismáticos, aceitados com gratidão pela Igreja, são regulados e, por vezes, modificados pela própria Igreja. A aceitação dócil e obediente de tais disposições e alterações é um elemento necessário para garantir a autenticidade do carisma e é o pré requisito para ser aprovado pela autoridade eclesiástica competente. Como o único fundamento da fé e da espiritualidade na Igreja é o depósito da fé transmitido pelos Apóstolos, sempre que uma graça carismática faz nascer uma nova família religiosa na Igreja (caso muito frequente na história!), os responsáveis na Igreja (os bispos, a Santa Sé) são chamados a cumprir a sua obrigação apostólica de supervisionar o crescimento espiritual e doutrinal do movimento e a sua incorporação na Igreja. Enfim, sabemos que “a nenhuma profecia da Escritura compete uma interpretação subjetiva” (2Pe 1,20), e isto vale tanto mais para a interpretação e direção de qualquer carisma que surge dentro da Igreja. E esta responsabilidade torna-se cada vez maior na medida em que um carisma oferece uma própria espiritualidade e leva à fundação de uma comunidade religiosa.
Dois decretos
Entre os anos 1977 e 1992, a Congregação para a Doutrina da Fé submeteu a doutrina e as práticas da Obra dos Santos Anjos a exames detalhados, emitindo dois decretos, um em 1983 e outro em 06 de junho de 1992. Neste último, a Congregação para a Doutrina da Fé orienta fundamentalmente a doutrina, a espiritualidade e as práticas da OA para que esta possa caminhar de modo equilibrado e saudável dentro da Igreja.
Pede que a Obra dos Santos Anjos e os seus membros sigam fielmente a angelologia proposta pela Sagrada Escritura e pela Tradição da Igreja. Não é permitido um culto dos Anjos usando nomes ou doutrinas não verificadas na Tradição da Igreja. Em especial, na celebração da liturgia devem ser seguidas com rigorosa fidelidade as rubricas dos textos litúrgicos.
Foi instituído um Delegado Apostólico para ajudar e garantir a aplicação fiel das disposições eclesiásticas. Devido à docilidade e fidelidade dos membros e responsáveis da OA foi possível realizar, num curto espaço de tempo, vários passos para uma reorganização da Obra dos Santos Anjos e do seu apostolado segundo as diretrizes da Santa Sé.
Acolhimento pela Santa Igreja
Citamos aqui os momentos mais importantes:
– No Ano Santo de 2000, com a recomendação do Delegado Apostólico e várias explicações teológicas, a Congregação para a Doutrina da Fé aprovou o texto da Consagração aos santos Anjos.
– Em 2003, a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, aprovou definitivamente as Constituições da Ordem dos Cónegos Regrantes da Santa Cruz, segundo as quais compete a esta Ordem a direção da OA segundo o CIC, cân. 303.
– Em 07 de novembro de 2008 a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, aprovou o Estatuto da Obra dos Santos Anjos como associação pública de fiéis na Igreja.
– Em sua mensagem de saudação por ocasião do Capítulo Geral da Ordem dos Cónegos Regrantes da Santa Cruz, a 08 de janeiro de 2009, sua Eminência o Cardeal Tarcísio Bertone, por mandato do Santo Padre Bento XVI, manifestou a sua esperança de que os Anjos “acompanhem a família do Opus Angelorum, para que esta com a oração e o zelo apostólico possa servir à santificação contínua de todo o povo de Deus”.
Conclusão
Assim, a Obra dos Santos Anjos foi formada e consolidada na Igreja. Promovendo a devoção aos santos Anjos quer sabiamente guiar os seus membros para a perfeição da vida cristã no caminho do seguimento de Cristo na companhia dos santos Anjos, com os quais adoram o Deus três vezes santo, e se dedicam à santificação das almas, especialmente a santificação dos sacerdotes.

Fonte: Opusangelorum.org

domingo, 19 de janeiro de 2014

OS ANJOS NA VIDA DA IGREJA




A Igreja, que em seus primórdios foi guardada e defendida pelo ministério dos Anjos (1) e que constantemente experimenta a sua "ajuda misteriosa e poderosa" (2), venera esses espíritos celestes e, confiante, solicita a intercessão dos mesmos.


Durante o Ano litúrgico, a Igreja comemora a participação dos Anjos nos eventos da salvação [Assim, por exemplo, na própria solenidade máxima, a Páscoa, e nas solenidades da Anunciação (25 de março), do Natal (25 de dezembro), da Ascensão, da Imaculada Conceição (8 de dezembro), da Assunção (15 de agosto) e de Todos os Santos (12 de novembro)], e celebra a memória deles em alguns dias particulares: em 29 de setembro a dos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael; em 2 de outubro a dos Anjos da Guarda; a eles dedica uma Missa votiva, cujo prefácio proclama que "a glória de Deus resplandece nos Anjos" (3); 

Na celebração dos divinos mistérios se associa ao canto dos Anjos para proclamar a glória do Deus três vezes santo (cf. Is 6,3) (4) e invoca a assistência deles para que a oferta eucarística "seja levada ao altar do céu, diante da [...] majestade divina" (5); na presença deles celebra o oficio de louvor (cf. Sl 137,I) (6); confia ao ministério dos Anjos as orações dos fiéis (cf. Ap 5,8; 8,3), a dor dos penitentes (7), a defesa dos inocentes contra os assaltos do Maligno (8);

Implora a Deus para que envie, no final do dia, os seus Anjos a fim de guardar na paz os que oram (9); ora para que os espíritos celestes venham socorrer os agonizantes (10) e, no rito das exéquias, suplica para que os Anjos acompanhem até o paraíso a alma do defunto (11) e guardem o seu sepulcro.

DIRETÓRIO SOBRE PIEDADE POPULAR E LITURGIA, 215

_________________________________
1. cf. At 5,17-20; 12,6-11
2. CICat., 334
3. MISSAL ROMANO, Prefácio dos Anjos
4. Cf. MISSAL ROMANO,Oração Eucarística, Santo
5. MISSAL ROMANO, Oração Eucarística I, Nós vos suplicamos
6. S. BENEDITO, Regula, 19,5: CSEL 75, Vindobonae, 1960, p. 75
7. Cf. RITUAL ROMANO, Ritual da Penitência, São Paulo, Ave Maria, 1999, 54
8. Cf. LITURGIA DAS HORAS, 2 de outubro, memória dos Santos Anjos da Guarda, Vésperas, Hino "Aos anjos cantemos, que guardem a todos"
9. Cf. LITURGIA DAS HORAS, Completas depois das II Vésperas dos Domingos e Solenidades, Oração "Visitai, Senhor, esta casa"
10. Cf. RITUAL ROMANO, Ritual da unção dos enfermos e sua assistência pastoral, cit., 147
11. Cf. RITUAL ROMANO, Ritual de Exéquias, São Paulo, Paulinas, 1971, 50

Fonte: Opus Sanctorum Angelorum

domingo, 19 de maio de 2013

O Espírito Santo




O Espírito Santo foi enviado por Jesus e o Pai para acompanhar a Sua Igreja e introduzi-la na plena verdade. Ele o faz de duas maneiras: por um lado acompanha a Igreja, formando a assim chamada Sagrada Tradição, sob a explícita confirmação do Magistério; e por outro lado conduz certas almas, por um amor radical, a uma intimidade mais profunda com Deus, de modo que pode inspirá-las e explicar certos mistérios já revelados aos Apóstolos. As luzes comunicadas a estas pessoas devem “ajudar a 
viver dela (da Revelação definitiva de Cristo) com mais plenitude em determinada época da história”. Mesmo algumas delas que “têm sido reconhecidas pela autoridade da Igreja não pertencem, contudo, ao depósito da fé”. Elas chamam-se “revelações”, para indicar a sua origem em Deus, porém, “privadas”, para indicar a não-obrigatoriedade à adesão por parte de todos os fiéis.

A Santa Irmã Faustina Kowalska, por exemplo, é uma dessas almas que o Senhor purificou e preparou por fortíssimos sofrimentos e provações para o cumprimento fiel de Sua Vontade. Ela tornou-se instrumento do Seu Amor e missionária da divina Misericórdia: “Ouvi na alma estas palavras, clara e fortemente: prepararás o mundo para a Minha última Vinda”. Como a própria Santa foi bem provada em sua vida, assim o serão também os 
promotores desta missão após ela. Atualmente, retiradas as proibições “relacionadas com a devoção à Misericórdia divina nas formas apresentadas pela S. Faustina Kowallska”, a devoção à divina Misericórdia, 
especialmente o “Terço da Misericórdia”, apresentado pela Santa, conta entre as devoções mais difundidas na Igreja. 
Em suas anotações no seu Diário, encontram-se os Anos bons como auxiliares e intermediários, mas também os anjos maus. Como tinham um lugar na vida de Jesus e na desta Santa – confessa ela: “A minha 
convivência é com os Anjos” (D 1200) –, assim Deus os manda à vida de todos os homens: eles são “espíritos servidores, enviados a serviço daqueles que deverão herdar a salvação” (Hb 1,14), “e protegem cada ser humano” (CIC 352). A missão dos Anjos faz parte do plano da Misericórdia de Deus para com os homens: para colaborar melhor com a Sua Misericórdia. Para mostrar isto, neste pequeno trabalho, seja examinado o Diário pela presença e ação dos Anjos na vida e doutrina de Santa Faustina. Surpreende o fato de se encontrar referência a quase cada pergunta da Angelologia.

domingo, 12 de maio de 2013

A Ascensão do Senhor


"Por entre aclamações DEUS se elevou, o SENHOR subiu ao toque da Trombeta".


O acontecimento

Esta solenidade foi transferida para o 7º  domingo  Páscoa desde seu dia originário, a quinta-feira da 6º semana de Páscoa, quando se cumprem os quarenta dias depois da ressurreição, conforme o relato de São Lucas em seu Evangelho e nos Atos dos Apóstolos; mas continua conservando o simbolismo da quarentena: como o Povo de Deus esteve quarenta dias em seu Êxodo do deserto até chegar à terra prometida, assim Jesus cumpre seu Êxodo pascal em quarenta dias de aparições e ensinamentos até ir ao Pai. A Ascensão é um momento mais do único mistério pascal da morte e ressurreição de Jesus Cristo, e expressa sobretudo a dimensão de exaltação e glorificação da natureza humana de Jesus como contraponto à humilhação padecida na paixão, morte e sepultamento.
Ao contemplar a ascensão de seu Senhor à glória do Pai, os discípulos ficaram assombrados, porque não entendiam as Escrituras antes do dom do Espírito, e olhavam para o alto. Aparecem dois homens vestidos de branco, é uma teofania, a mesma dos dois homens que Lucas descreve no sepulcro  (24,4). Neles a Igreja Mãe judaico-cristã via acertadamente a forma simbólica da divina presença do Pai, que são Cristo e o Espírito. As palavras dos dois homens são fundamentais: Galileus, o que fazeis aí plantados olhando para o céu? O próprio Jesus que vos deixou para subir ao céu, voltará como vistes marchar (Atos 1,11). Em um excesso de amor semelhante ao que o levou ao sacrifício, o Senhor voltará para tomar os seus e para estar com eles para sempre; e se mostrará como imagem perfeita de Deus, como ícone transformante por obra do Espírito, para nos tornar semelhantes a ele, para contemplá-lo tal como ele é  (1 João 3,1-12). Contemplando na liturgia o  ícone do Senhor – sobretudo na  Eucaristia - intuamos o rosto de Deus tal como é e como o veremos  eternamente. E o invocamos para que venha agora e sempre.
No relato deste mistério segundo o Evangelho de São Mateus (28,19-20), o Senho envia os discípulos a proclamar e realizar a salvação, segundo o triplo mistério da Igreja: pastoral, litúrgico e magisterial: Ide e fazei discípulos de todos os povos (pelo anúncio profético e o governo pastoral, formando e desenvolvendo a vida da Igreja), batizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo (aplicando-lhes a salvação, introduzindo sacramentalmente na Igreja); e ensinando-os a guardar tudo o que vos mandei (mediante o magistério apostólico e a vida na caridade, o grande mandamento). O Plano de Deus está sendo cumprido, e a salvação, anunciada primeiro a Israel, é proclamada a todos os povos. Nesta obra de conversão universal, por longa e laboriosa que possa ser, o Ressuscitado estará vivo e operante em meio dos seus: E sabei que eu estou convosco todos os dias até o final dos tempos.

O mistério

A leitura apostólica que a Igreja propõe interpreta perfeitamente o acontecimento da Ascensão do Senhor, adentrando-nos no mistério do ressuscitado no santuário celeste. Agora podemos dizer com o canto do Santo que os céus e a terra estão cheios da glória de Deus (Em Isaías 6,3 só se nomeava a terra). Agora, com a ascensão da humanidade do Filho de Deus, comemorada no mistério litúrgico, sobre a qual repousa a glória do Pai, adorada pelos anjos, também nós somos unidos pela graça a este eterno louvor, no céu e na terra. Estamos no penúltimo momento do mistério pascal, antes da doação do Espírito Santo ao se completarem os cinqüenta dias, o Pentecostes.

A vida cristã

As orações desta solenidade pedem que permaneçamos fiéis à dupla condição da vida cristã, orientada simultaneamente às realidades temporais e às eternas. Esta é a vida na Igreja , comprometida na ação e constante na contemplação. Porque Cristo, levantado no alto sobre a terra, atraiu para si todos os homens; ressuscitando dentre os mortos enviou seu Espírito vivificador sobre seus discípulos e por ele constituiu seu Corpo que é a Igreja, como sacramento universal de salvação; estando sentado à direito do Pai, sem cessar atua no mundo para conduzir os homens à sua Igreja e por Ela uni-los assim mais estreitamente e, alimentando-os com seu próprio Corpo e Sangue, torná-los partícipes de sua vida gloriosa. Instruídos pela fé sobre o sentido de nossa vida temporal, ao mesmo tempo, com a esperança dos bens futuros,  realizamos a obra que o Pai nos confiou no mundo e lavramos nossa salvação (Vaticano II, Lumen gentium 48).


O Senhor subiu ao céu e um dia voltará, e nós clamamos “Maranatha” – vem Senhor Jesus – Mas entre a subida de Jesus ao Céu e sua volta existe uma missão que deve ser realizada – é a nossa missão, é a missão da igreja – De evangelizar o mundo para que “todos creiam que Jesus é o Senhor”. “Depois de falar com os discípulos, o Senhor Jesus foi levado ao céu, e sentou-se à direita de Deus. Ai está à força de nossa pregação: Aquele que desceu dos céus, se rebaixando e sendo um de nós, agora subiu aos céus e está à direita do Pai, Ele elevou a nossa humanidade, que foi decaída pelo pecado, ao grau da divindade, e toda a humanidade recebeu uma glória que não merecia, mas foi elevada por Cristo que nos amou até o fim. E se agora temos um homem de carne e osso andando no Céu podemos também chegar lá, por isso que Jesus é o caminho a verdade e a vida e quem crer n’Ele está salvo. Então celebrar a ascensão é celebrar a glorificação de toda a humanidade resgatada por Cristo. Não percamos tempo, digamos ao Senhor: “Eu creio, realize em mim o poder do Teu Espírito”.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Mensagem do Anjo de Portugal


As aparições da Mãe de Deus em Fátima foram precedidas pelas do Anjo: as silenciosas de março a outubro de 1915; e as três dialogadas em 1916.
Não foi um Anjo qualquer, mas um especial, como ele próprio se chamou. Na primeira aparição, na primavera de 1916, cognominou-se pela sua tarefa específica: “Não temais. Sou o Anjo da Paz. Orai comigo”. Mas na segunda foi mais claro ao revelar-se: “De tudo o que puderdes oferecei um sacrifício em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores. Atraí assim sobre a vossa Pátria a Paz. Eu sou o Anjo da sua Guarda, o Anjo de Portugal”.

As aparições silenciosas do Anjo, dão-nos uma visão de conjunto de toda a revelação de Fátima. Está ali, de facto, uma tríplice mensagem:
a) pureza de vida, ou vida em graça, que é “o que Nossa Senhora quer”. As aparições começaram no primeiro dia em que Lúcia vai guardar o rebanho com as companheiras que a Sra. Maria Rosa propositadamente escolhera para acautelar a saúde moral da filha. Na véspera fora para a serra com os restantes pastores e veio de lá desanimada com o ambiente pagão que encontrou. Por isso, a mãe procurou companheiras de toda a confiança. Foi exatamente nesse dia (provavelmente 24 março) que o Anjo apareceu pela primeira vez.
b) terço: o Anjo aparece quando rezam o terço, mantém-se visível enquanto o terço perdura, e desaparece logo que este termina.
c) ato de Fé: os videntes compreendem que o personagem da aparição não é deste mundo. Não sobe da terra, não desce para ela e mantém-se, suspenso no ar, contra as leis físicas. Há, portanto, um outro mundo (ato de Fé, em miniatura). Ora, a mensagem de Fátima, começa por um ato de Fé. O primeiro pedido que o Céu faz à Terra, na Loca do Cabeço, é esta oração: “Meu Deus, eu creio...”

Oração
O Anjo ensina duas fórmulas novas de oração. A primeira – “Meu Deus, eu creio...” – contém todos os atos reduzidos à expressão mais simples, por vezes, a uma só palavra. Oração perfeitamente adaptada ao século XX (é cada vez menor o tempo reservado à oração) e oportuna para qualquer momento do dia. Oração universal: nela pedimos por nós e por todos. A segunda – “Santíssima Trindade...” – constitui uma bela preparação e uma excelente ação de graças da Missa e da Comunhão. Contém, além disso, de maneira muito clara e ordenada, os quatro elementos teológicos da oração perfeita: adoração, oferta, reparação e petição.
O Anjo pede oração contínua: “Oferecei constantemente ao Altíssimo, orações...”. Isto é viver em união com Deus, elevando continuamente a alma até Ele.
O Anjo convida-nos a rezar com Ele: “Orai comigo”. A união com o Anjo, que vive permanentemente na visão beatífica, torna mais intensa e perfeita a nossa oração.

Penitência
Significa aceitação do sofrimento que Deus envia. “Sobretudo aceitai e suportai, com submissão, o sofrimento que o Senhor vos enviar”. Significa também, cumprimento dos deveres de estado (implícito no pedido anterior, uma vez que os deveres próprios são a expressão mais direta e clara da vontade de Deus); e conversão de toda a vida em sacrifício, isto é, em oferta constante ao Senhor: “Oferecei constantemente ao Altíssimo... sacrifícios”. Tudo o que é de acordo com a vontade divina pode ser objeto de oferta a Deus, quer agrade quer desagrade a nossa sensibilidade.

Eucaristia
O Anjo adora a Eucaristia e leva os videntes a adorá-la consigo (prostração e oração eucarística). Recomenda a recepção da Eucaristia: “Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo”. Pede a Eucaristia como meio de reparação: “Reparai os seus crimes (dos homens) e consolai o vosso Deus”.

Ecumenismo
Não podemos deixar de considerar relevante a dimensão ecumênica da aparição do Anjo no recurso simultâneo à liturgia romana (comunhão de Lúcia só com o Pão) e bizantina-eslava (comunhão de Jacinta e Francisco com o Vinho, prostração, etc...) (cfr. Diálogos de Fátima, M. Dias Coelho, 1977, Sameice, pg. 6 e 7).


Fonte: Comunidade Aliança Eterna.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Papa Bento XVI

A renúncia do Papa Bento XVI suscitou na mídia e em boa parte dos fiéis, especulações acerca de profecias apocalípticas sobre o futuro da Igreja. Dentre elas, a que mais chamou a atenção foi a famosa "Profecia de São Malaquias" que, segundo a lenda, anunciava o fim da Igreja e do mundo ainda neste século. Apesar dessas previsões catastróficas alimentarem a imaginação de inúmeras pessoas, a verdade é que elas carecem de fundamento e lógica, como já demonstraram vários teólogos.
Não é sobre profecia que quero falar aqui, não é sobre a especulação sobre este assunto e tão pouco divulgar nomes de papáveis, muitos começam a escolherem seus candidatos. O que realmente eu quero falar neste post é sobre um grande amor a Deus e à sua Igreja expresso por Bento XVI.
Mas, vou revelar o meu candidato: aquele que aparecer vestido de branco no balcão da Basílica de São Pedro após o "Habemus Papam". Eu quero é este!


Cum sanctis Angelis.



Por trás da renúncia



A Igreja é repleta de mistérios, sendo ela mesma um mistério, como um sacramento, no qual uma coisa é o que aparece, outra é o que realmente é. E a Igreja, à semelhança de seu Divino Fundador, tem sua parte divina e humana. Divina na sua instituição, doutrina e graça salvífica que nos transmite, e humana nos seus membros, muitas vezes pecadores, ela “é ao mesmo tempo santa e sempre necessitada de purificação” (L.G. 8).
Pessoas nem sempre imbuídas de espírito de Fé especulam os problemas da Igreja católica, demasiadamente focados na sua parte humana, organizacional e estrutural, esquecendo-se da parte divina, muito mais importante, e a presença nela do seu Fundador, que a assiste através do Divino Espírito Santo. Mas, há já dois mil anos, ela “continua o seu peregrinar entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus” (L.G. 8).


Mas afinal o que há por trás da renúncia de Bento XVI. Além dos motivos visíveis, apontados pelo próprio Papa – “forças já não idôneas, vigor do corpo e do espírito, devido à idade avançada” – existem outros fatores ocultos. Todos estão curiosos e eu vou lhes revelar o que realmente está por detrás dessa atitude do Papa.
Só é capaz de renunciar a esse cargo de tal importância e influência quem, olhando muito além das perspectivas humanas, tem uma profunda Fé em Deus, na divindade da sua Igreja e na assistência daquele do qual o Papa é o representante na terra: “confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo” (Bento XVI).
E como a Fé é a base da Esperança e da confiança, por trás dessa renúncia há uma sublime confiança em Deus: a barca de Pedro não soçobrará nas ondas desse mar tempestuoso, nem depende de nós para isso: “as forças do Inferno não poderão vencê-la” (Mt 16, 18).
Por trás dessa renúncia, vemos um grande amor a Deus e à sua Igreja: “uma decisão de grande importância para a vida da Igreja”, como disse ele. 


Um grande desapego do alto cargo e influente posição, declarando-se apenas um humilde servidor, uma profunda humildade, não se julgando necessário e reconhecendo a própria fraqueza e incapacidade, de corpo e de espírito, para exercer adequadamente o ministério petrino, e ao pedir perdão – “peço perdão por todos os meus defeitos”.
Ao lado do heroísmo do Beato João Paulo II de levar o sofrimento pessoal até o fim, temos o grande heroísmo de Bento XVI de renunciar por amor à Igreja, para evitar qualquer sofrimento para ela. No começo da Igreja, no tempo das perseguições, houve cristãos que resolveram ficar onde estavam e enfrentar o martírio. Exemplo de fortaleza. Houve outros cristãos, que temendo a perseguição e a própria perseverança, acharam melhor fugir da perseguição e se refugiar no deserto, para rezar e fazer penitência, longe do mundo. Exemplo de humildade. Houve santos de ambas as posturas, os que enfrentaram e os que se retiraram. Heroísmo de fortaleza e heroísmo de humildade, frutos da Fé. A Igreja é feita de heróis da Fé!

Fonte: Dom Fernando Rifan - Bispo da Administração Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/2013/02/por-tras-da-renuncia.html