Em união com todos os Santos Anjos

"Sanctus, Sanctus, Sanctus. Dóminus, Deus Sábaoth Pleni sunt caeli et terra Glória tua. Hosánna in excélsis. Benedíctus, qui venit In nómine Dómini, Hosánna in excélsis.

domingo, 23 de maio de 2010

"...todos estavam unidos pelo mesmo sentimento, entregando-se assiduamente à oração" (At1, 14).


"...todos estavam unidos pelo mesmo sentimento, entregando-se assiduamente à oração" (1, 14).


"Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (Jo 20, 21-23).
Sobre o tema podemos ler na Bíblia principalmente textos de São Paulo (1 Cor 13) e de São João (Jo 13,31-15, 17; 1 Jo 4,11-22). São João, refletindo profundamente sobre o mistério de Deus uno em três Pessoas e Seu gesto de vir ao nosso encontro por meio da encarnação do Filho, descobriu que Deus é Amor.

Comparando à revelação vetero-testamentária, notou que mais do que estar presente e muito mais do que existir ou de ser o que é, Deus é "Aquele que ama". Nisto está Sua essência.

Contemplando o mistério da Santíssima Trindade, de três Pessoas em um só Deus, descobrimos que, em Deus, pessoa significa uma relação de amor: uma totalmente na outra e para a outra. Só poderíamos entender e descobrir que Deus é Amor pela revelação de Sua Trindade; porque seria difícil entender que uma pessoa a sós seja amor.
Não vendo diretamente Deus na Trindade das Pessoas, mas na Sua ação, que sai de Si em relação ao homem, São João foi descobrir Seu grande amor para conosco. Deus nos ama por um amor infinito, porque nos ama com o mesmo amor com que o Pai ama o Filho (cf. Jo 17,23). "Tanto amou Deus o mundo que deu-nos Seu próprio Filho" (Jo 3,16), para ser nosso Salvador. Como não nos vai dar tudo!

A morte de Jesus convenceu-nos do amor de Deus. E tanto nos ama que permanece conosco na Eucaristia. Ali vislumbramos algo ainda mais desafiador. Deus não só é Amor. Quer que também nós participemos deste amor, sentindo-nos amados e sendo capazes de amar com o amor d'Ele. Infundiu em nós seu Amor pelo Espírito Santo, derramado nos nossos corações (cf. Rm 5,5). Agora nós nos sentimos totalmente envolvidos pelo amor de Deus.

O amor humano tem uma dimensão espiritual e também corporal. Escreve o papa Bento XVI sobre as deformações do amor: no fundo, o "amor" é uma única realidade, embora com distintas dimensões; caso a caso, pode uma ou outra dimensão sobressair mais. Mas, quando as duas dimensões se separam completamente uma da outra, surge uma caricatura ou, de qualquer modo, uma forma redutiva do amor (Deus é Amor, n. 8). Por isso é tão importante orientar-nos no exemplo de Jesus. O amor de Jesus se expressa por meio de diferentes dimensões. Se não seguimos o exemplo de Jesus, o amor se torna um ídolo, uma deformação. Portanto, queremos considerar os seguintes aspectos da vida humana sob o critério do amor, precisamente para evitar a idolatria:


1) Jesus é aquele que ama intensamente a Deus e os irmãos. Seu amor ao Pai chega à unidade com Ele: "Eu e o Pai somos um". Jesus se entrega totalmente a Si mesmo ao Pai servindo-O. A este amor opõe-se a egolatria pela auto-suficiência. Desta forma, não se consegue relacionar nem com Deus, nem com os outros seres humanos e nem mesmo com a natureza, porque põe tudo a seu próprio serviço.

2) Jesus é casto. Tem o perfeito domínio de todas as suas tendências. Ele é a norma de vida e vivência em corpo humano, tem a temperança como modelo perfeito. O ídolo do sexo tornou-se extremamente tirano em nossos dias, fazendo desviar muitas pessoas para um caminho que se afigura como perversão. A este ídolo, juntam-se outros vícios que levam à escravidão. Tudo isto ameaça a sociedade e a família destruindo os laços de amizade e de compromissos.

3) Jesus é pobre. Confessou não ter sequer uma pedra para reclinar a cabeça. Só assim Ele era plenamente livre, sem compromissos, nem apreensões de bens materiais. Contrapõe-se o ídolo da ganância e da riqueza. O dinheiro afasta de Deus quando este não está ao serviço da caridade.

4) Jesus foi obediente a Maria e a José, também o foi ao Pai, inclusive ao extremo, da obediência à morte e morte de Cruz. Mostrando que a grandeza humana está na humildade e submissão. O poder é a tentação inversa que constitui o ídolo mais cobiçado. Quando se transforma em ídolo, adorado e não assumido como um serviço de amor, leva ao domínio, à arrogância e a considerar-se uma divindade, em vez de considerar os outros (as autoridades) maiores que a si mesmo (cf. Ef 5,21).

5) Jesus é modelo de vida comunitária. Com grande paciência com os discípulos, serve, ensina e corrige. No extremo oposto está o fanatismo, que fecha as pessoas sobre suas próprias convicções, destruindo a vida fraterna e o diálogo.

6) Jesus é o missionário do Pai. Veio para salvar e incendiar os corações dos discípulos. Ser cristão é ser missionário. O ídolo que impede o seguimento de Jesus é a acomodação, a falta de ardor e de vontade para fazer algo pelo Reino; o fogo não se acende.

7) Jesus apresenta o rosto misericordioso do Pai. A palavra chave de Seu Evangelho é o perdão. O ídolo que se lhe opõe é a vingança e o ódio. Sem o amor de Jesus é difícil perdoar, humanamente até impossível.

8) Jesus foi trabalhador. Além da sua profissão de carpinteiro, pela qual é modelo para todos nós, era incansável no exercício de Sua missão, uma vez iniciada. Entregou-Se tanto que não tinha nem tempo para comer. Este exemplo nos leva a superar o ídolo do ócio, considerado a mãe de todos os vícios. É preciso saber ocupar-se. O desemprego não é desculpa para não fazer nada ou para permanecer em bares, bebendo. O campo da cultura é grande, o que não justifica para ficar sentado na frente da televisão.


Poderíamos considerar ainda muitos outros aspectos para demonstrar que tudo deve ser dirigido pelos critérios do amor. O amor dá a nossa vida um brilho especial, o amor tem muitas facetas e a vida de cada um de nós pode tornar-se uma "canção de amor" ao Criador, o que em fim, é uma resposta ao amor de Deus. Precisamos de modelos de amor, que encontramos nas vidas dos santos, mas também nos nossos irmãos celestes, os santos Anjos. Também eles participam no amor Divino; os santos Anjos estão cheios de amor.

Pedimos especialmente ao nosso Santo Anjo da Guarda que nos ajude a transformar a nossa vida num cântico de amor.