Em união com todos os Santos Anjos

"Sanctus, Sanctus, Sanctus. Dóminus, Deus Sábaoth Pleni sunt caeli et terra Glória tua. Hosánna in excélsis. Benedíctus, qui venit In nómine Dómini, Hosánna in excélsis.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A Igreja confessa sua fé no Anjo da Guarda

O Papa Bento XVI disse que: “Eliminaríamos uma parte do Evangelho se deixássemos fora esses seres enviados por Deus, que anunciaram sua presença entre nós e que são um sinal dela”. E pediu a intercessão dos anjos “para que nos sustenham no empenho de seguir Jesus até nos identificarmos com Ele” (Zenit.org, março 2009).

A Bíblia e a Tradição da Igreja mostram amplamente que os anjos têm participação ativa na história da salvação dos homens, nos momentos em que Deus quer.

Pergunta o autor da Carta aos Hebreus, capítulo1, versículo 14:“Não são eles todos espíritos ao serviço de Deus, enviados a fim de exercerem um ministério a favor daqueles que hão de herdar a salvação?”

E nisso crê e isso ensina a Igreja; sabemos que é tarefa desses seres celestes bons a proteção dos homens e a sua salvação. Diz o Salmo: “Mandou aos seus anjos que te guardem em todos os teus caminhos. Eles te levarão nas suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra” (Sl 90/91,11-12).

O próprio Jesus, falando das crianças e recomendando que não se lhes desse escândalo, faz referência aos “seus anjos” (cf. Mt 18,10). Ele atribui também aos anjos a função de testemunhas no supremo juízo divino sobre a sorte de quem reconheceu ou negou Cristo: “Todo aquele que se declarar por Mim diante dos homens, também o Filho do Homem se declarará por ele diante dos anjos de Deus. Aquele, porém, que Me tiver negado diante dos homens será negado diante dos anjos de Deus” (Lc 12,8-9; cf. Ap 3,5).

Se os esses seres celestes tomam parte no juízo de Deus, logo, estão interessados pela vida do homem. Isso se pode ver também no discurso escatológico em que Jesus os faz intervir em Sua vinda definitiva no fim da história (cf. Mt 24,31; 25,31-41).

Muitas vezes, a Bíblia fala da ação dos anjos pela defesa do homem e sua salvação: o Anjo de Deus liberta os Apóstolos da prisão (cf. At 5,18-20) e antes de tudo Pedro, que estava ameaçado de morte por parte de Herodes (cf. At 12, 15-10). Guia a atividade deste a respeito do centurião Cornélio, o primeiro pagão convertido (cf. At 10,3-8. 12-13), e a atividade do diácono Filipe no caminho de Jerusalém para Gaza (cf. At 8,26-29).

Foi um anjo que encontrou Agar no deserto (cf. Gn 16); os anjos tiraram Lot de Sodoma; assim como foi um anjo que anunciou a Gedeão que devia salvar o seu povo; um anjo anunciou o nascimento de Sansão (cf. Jz 13); e o anjo Gabriel instruiu a Daniel (cf. 8,16). Este mesmo anjo anunciou o nascimento de São João Batista e a encarnação de Jesus; esses seres enviados por Deus também anunciaram a mensagem aos pastores (cf. Lc 2,9) e a missão mais gloriosa de todas, a de fortalecer o Rei dos Anjos em Sua Agonia no Horto das Oliveiras (cf. Lc 22, 43).

Os anjos estão presentes na história da humanidade desde a criação do mundo (cf. Jó 38,7); são eles que fecham o paraíso terrestre (cf. Gn 3, 24); seguram a mão de Abraão para não imolar Isaac (cf. Gen 22,11); a Lei é comunicada a Moisés e ao povo por ministério deles (cf. At 7,53); são eles que conduzem o povo de Deus (cf. Ex 23, 20-23); eles anunciam nascimentos célebres (cf. Jz 13); indicam vocações importantes (cf. Jz 6, 11-24; cf. Is 6,6); são eles que assistem aos profetas (cf. 1 Rs 19,5).

Da mesma forma que os anjos acompanharam a vida de Jesus, acompanharam também a vida da Igreja, beneficiando-a com a sua ajuda poderosa e misteriosa (cf. At 5, 18-20; 8,26-29; 10,3-8; 12,6-11; 27,23-25). Eles abrem as portas da prisão (cf. At 5, 19); encorajam Paulo (cf. At 27,23 s); levam Filipe ao carro do etíope (cf. At 8,26s), entre outros.

A Igreja confessa a sua fé nos anjos da guarda, venerando-os na liturgia com uma festa própria e recomendando o recurso à sua proteção com uma oração freqüente, como na invocação do “Anjo de Deus”. São Basílio Magno, doutor da Igreja, escreveu: “Cada fiel tem ao seu lado um anjo como tutor e pastor, para o levar à vida” (cf. 5. Basilius, Adv. Eunonium, III, 1; cf.Sto. Tomas, Summa Theol. 1, q. II, a.3).

São Jerônimo, doutor da Igreja, afirmou que: "A dignidade de uma alma é tão grande, que cada um tem um anjo guardião desde seu nascimento".

A Igreja honra com culto litúrgico três anjos. O primeiro é Miguel Arcanjo (cf. Dn 10,13-20; Ap 12,7; Jd 9). O seu nome exprime a atitude essencial dos espíritos bons. “Mica-El” significa, de fato: “Quem como Deus?”. O segundo é Gabriel: figura ligada sobretudo ao mistério da encarnação do Filho de Deus (cf. Lc 1,19-26). O seu nome significa: “O meu poder é Deus” ou “poder de Deus”. O terceiro arcanjo chama-se Rafael. “Rafa-El” significa: “Deus cura”; o conhecemos pela história de Tobias (cf. Tb 12,15-20), entre outros.

O famoso Bossuet dizia que: "Os anjos oferecem a Deus as nossas esmolas, recolhem até os nossos desejos, fazem valer também diante de Deus os nossos pensamentos… Sejamos felizes de ter amigos tão prestativos, intercessores tão fiéis, intérpretes tão caridosos".

Os santos todos foram devotos desses seres celestes. Os anjos assistem a Igreja que nasce e os Apóstolos, prepararão o Juízo Final e separarão os bons dos maus. São eles que protegem Jesus na infância (cf. Mt 1, 20; 2, 13.19); são eles que O servem no deserto (cf. Mc 1, 12); e O reconfortam na agonia mortal (cf. Lc 22, 43); eles poderiam salvar o Senhor das mãos dos malfeitores se assim Cristo quisesse (cf. Mt 26, 53).
Toda a vida de Jesus Cristo foi cercada da adoração e do serviço dos anjos. Desde a Encarnação até a

Ascensão eles O acompanharam. A Sagrada Escritura diz que quando Deus "introduziu o Primogênito no mundo afirmou: "Adorem-no todos os Anjos de Deus" (cf. Hb 1, 6). Alguns teólogos acham que isso motivou a queda dos anjos maus, por não aceitarem adorar a Deus Encarnado na forma humana.

A Igreja continua a repetir o canto de louvor que eles entoaram quando Jesus nasceu: "Glória a Deus no mais alto dos céus e na terra paz aos homens, objetos da benevolência divina" (cf. Lc 2, 14).

A Bíblia não só os apresenta como nossos guardiães, mas também como nossos intercessores. O anjo Rafael diz: "Ofereci orações ao Senhor por ti" (Tob 12, 12). "A fumaça dos perfumes subiu da mão do anjo com as orações dos santos, diante de Deus" (Ap 8,4).

Santo Ambrósio, doutor da Igreja, declarou: "Devemos rezar aos anjos que nos são dados como guardiães" (De Viduis, IX); (cf. S. Agostinho, Contra Fausto, XX, 21).

A Igreja acredita que, no dia do batismo, cada cristão é confiado a um anjo que o acompanha e o guarda em sua caminhada para Deus, iluminando-o e inspirando-o.

Na Festa do Anjo da Guarda (2 de outubro), a Igreja põe diante dos nossos olhos o texto do Êxodo que diz:
"Assim diz o Senhor: Vou enviar um anjo que vá à tua frente, que te guarde pelo caminho e te conduza ao lugar que te preparei. Respeita-o e ouve a sua voz. Não lhe sejas rebelde, porque não suportará as vossas transgressões e nele está o meu nome. Se ouvires a sua voz e fizeres tudo o que eu disser, serei inimigo dos teus inimigos e adversário dos teus adversários. O meu anjo irá à tua frente e te conduzirá à terra dos amorreus, dos hititas, dos ferezeus, dos cananeus, dos heveus e dos jebuzeus, e eu os exterminareis" (Ex 23,20-23).

Além de tudo isso, a Bíblia frequentemente mostra os poderes dos anjos na natureza, e afirma São Jerônimo que eles manifestam a onipotência de Deus (cf. S. Jerônimo, En Mich., VI, 1, 2; P. L., IV, col. 1206).

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Padre Pio e sua especial devoção ao Santo Anjo da Guarda


Padre Pio tinha uma devoção muito especial, delicada e respeitosa pelo Anjo da guarda. Seu ‘pequeno companheiro de infância’, ‘o bom anjinho’, sempre o ajudou. Foi amigo obediente, fiel, pontual, que, como grande mestre de santidade , exerceu sobre ele um estimulo continuo a progredir no exercício de todas as virtudes.


Sua ação assídua e discreta foi de guia, de conselho e de amparo. Se, por antes do demônio, algumas cartas de seu confessor chegavam até o Padre manchadas de tinta, ele sabia como torná-las legíveis porque o"Anjo lhe sugeriria que quando a carta chegasse, a aspergisse com água benta antes de abri-la" (cf. Epistolário,1.p.321)

Quando recebia uma carta escrita em francês, era o Anjo da Guarda que lhe servia de tradutor: “Se a missão de nosso Anjo é grande, a do meu é maior ainda, já que deve ainda fazer o papel de mestre e ensinar-me outras línguas”.

Valia-se do auxílio do anjo para difundir seu apostolado mariano:
“Gostaria de ter uma voz muito alta, para convidar os pecadores de todo o mundo a amar Nossa senhora. Mas, como isso não está em meu poder, orei e continuarei a orar ao meu anjinho para que faça isso por mim”.

O Anjo da guarda era o amigo íntimo que, de manhã, depois de tê-lo acordado, junto com ele louvava o Senhor: “Quando a noite chega, ao fechar os olhos, vejo o véu cair e abrir-se diante de mim o Paraíso. Assim, embalado por essa visão, durmo com um sorriso de doce beatitude nos lábios e com uma perfeita calma na fronte, esperando que o pequeno companheiro de minha infância venha despertar-me para que, juntos, possamos elevar os louvores matutinos ao escolhido de nossos corações”.
Nas investidas infernais, era o Anjo da guarda, seu amigo invisível, que aliviava seus sofrimentos: “O companheiro da minha infância procura atenuar as dores que aqueles apóstatas impuros me infligem, acalentando-me o espírito em sinal de esperança”.

Quando o Anjo demorava a intervir, Padre Pio, confidencialmente, sabia dirigir-lhe uma reprovação áspera e fraterna: “Nem imaginam como aqueles infelizes têm me machucado. Algumas vezes tenho a impressão de que vou morrer. Sábado, pareceu que queriam acabar comigo. Não sabia nem qual santo invocar. Volto-me para meu anjo, Depois de esperar algum tempo, ei-lo enfim a voar ao meu redor e, com sua voz angelical, cantar hinos à divina Majestade. Então, eu o repreendi duramente por ter demorado tanto, enquanto eu não me esquecera de chamá-lo em meu socorro. Para castigá-lo, recusei-me a olhar seu rosto, queria afastar-me dele, queria evitá-lo, mas ele, coitadinho, alcançou-me quase chorando, até que, elevando o olhar, vi seu rosto e o encontrei todo desgostoso. ‘…Estou sempre perto de você’, ele disse, ‘nunca o abandono, esta minha afeição por você não terminará nem mesmo com a vida”.

Padre Pio reconheceu e apreciou a função de “mensageiro” do amigo invisível. “Se precisarem”, dizia a seus filhos espirituais, “enviem-me o seu Anjo da guarda.” E durante várias horas, de dia ou de noite, ocupava-se em ouvir as “mensagens” de seus filhos que tantas criaturas angelicais, obedientes, lhe traziam.

Anjos companheiros no dia-a-dia, Pe Jonas Abib

“ Invoque o seu Anjo da guarda, pois ele te iluminará e te guiará no caminho de Deus. Deus o deu a você. Então o use.”

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O Anjo da Guarda

Segundo Santo Tomás de Aquino todo homem, cristão ou não cristão, tem um anjo da guarda que nunca o abandona, nem mesmo se é um grande pecador. Eles agem sobre seu protegido iluminando-o e inspirando-lhe bons sentimentos.
                                        
Muitos Padres da Ireja afirmam que há para cada família, para cada comunidade, um Anjo da Guarda. Esse Anjo fica conosco durante toda nossa vida e sua principal tarefa é guardar-nos dos ataques do demônio, embora sua proteção seja muito mais abrangente, pois, reza por nós, leva as nossas orações a Deus, estimula-nos a fazer o bem e no momento da nossa morte, conduzirá nossa alma ao tribunal divino.
Mas, podemos perguntar: Se os Anjos da Guarda existem, porque há tantos pecadores entre os homens? Os seus Anjos não estão trabalhando a contento? Não, não é isso. Não basta que o Anjo da Guarda forneça boas inspirações. Elas precisam ser acolhidas e as pessoas devem desfrutar dos favores e graças dos seus Anjos. Se uma pessoa quiser permanecer na obscuridade, não há como fazer com que os possam protegê-la.
São João Bosco dizia aos seus jovens: "Despertem a fé no Anjo da Guarda, que está com vocês. Procurem ser bons para dar alegria ao seu Anjo da Guarda. Recorram sempre a este amigo com confiança e ele os atenderá".
Lembremo-nos sempre do nosso Anjo da Guarda, com a maior frequência possível, pois nunca estamos sós: nosso guardião celeste sempre esteve, está e estará conosco.

Louvado e bendito seja o bom Deus pelo Anjo que Ele nos enviou para nos guardar em nossos caminhos. Amém.

Um Anjo na sua frente - Editora Chevalier

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Anjos para todas as missões.

"Não são todos os Anjos, espíritos ao serviço..." (Hb 1,14)

O sempre disponível pequeno Anjo do Pe Pio foi enviado inúmeras vezes por ele para aqueles que dele precisavam. Em uma carta datada de 28 de julho de 1913 ele diz:
"... O senhor sabe quantas lágrimas eu derramei por você, especialmente, desde que fiquei sabendo do seu sofrimento. Nunca começo a rezar sem apresentá-lo ao meu dulcíssimo Jesus. Nunca subo ao altar sem recomendá-lo fervorosamente ao meu Pai do céu. No dia 20 deste mês, ofereci a Santa Missa para você. Meu bom Anjo da Guarda sabe disso e eu o tenho encarregado muitas vezes da delicada tarefa de ir consolá-lo" ( cartas 1, nº141)


Houve algumas vezes em que o seu Anjo não lhe obedeceu tão rapidamente, mas ao que parece ele tinha as suas razões, como narra o Pe Lino Barbato: " Pe Pio estava mais cansado que usualmente e não conseguia descansar. Eu sugeri-lhe: ' Padre, se o senhor pedir ao seu Anjo da Guarda para si mesmo, ele vai garantir que o senhor descanse.' Ele respondeu: E o que vou fazer, se ele responder que nós temos que sofrer?" (Envie-me seu Anjo da Guarda, 52)
Pe Pio confirmou posteriormente este fato quando disse: " Os Anjos nos são enviados por um único propósito eles não podem sofrer por DEUS".

Depois de sofrer um ataque pelos demônios, o seu Anjo apareceu a ele dizendo: "Agradece a Jesus por te estar tratando como a um escolhido para subir o caminho escarpado para o Calvário. Alma confiada por Jesus aos meus cuidados, eu guardo com alegria e profunda comoção este comportamento de Jesus contigo. Acaso pensas que estaria tão feliz se não te visse tão maltratado? Eu, que em santo amor desejo teu bem, começo a jubilar mais e mais ao ver-te neste estado. Jesus permite estes assaltos do diabo porque Sua compaixão te faz querido a Ele e Ele quer que te pareças com ELE no deserto, no Jardim (das Oliveiras) e na Cruz” (Ibid., 330–331).

E Pe Pio exorta em carta:
 “Ó Rafaelina, que consolação é saber que estamos sempre sob os cuidados de um espírito celestial que nunca nos abandona, mesmo quando desagradamos a Deus! Como é doce esta verdade para o fiel! De quem pode ter medo a alma devota que se esforça por amar a Jesus, se tem sempre perto de si um guerreiro tão grande? Não foi ele um dos muitos que, junto com São Miguel, defenderam a glória de Deus contra Satanás e contra todos os espíritos rebeldes, e finalmente os arrastaram para a perdição e os prenderam no inferno? Bom, sabe que ele (o Anjo da Guarda) ainda está muito forte contra Satanás e seus sequazes. Seu amor não diminuiu e ele nunca falhará em nos defender. Desenvolva, pois, o belo costume de pensar sempre nele; que bem perto de nós está um espírito celestial que, do berço até o túmulo, não nos abandona nem um instante sequer; guia-nos, protege-nos como um amigo, um irmão. Ele sempre vai ser uma consolação para nós, especialmente nos momentos mais tristes” (Ibid., 115s).

Atrás destas palavras está a experiência cotidiana de Padre Pio.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Santos Anjos, seres livres - parte II

A queda dos Anjos rebeldes

Continuando o argumento das catequeses passadas dedicadas aos Anjos, criaturas de Deus, concentramo-nos hoje a explorar o mistério da liberdade que alguns deles orientaram contra Deus, e o seu plano de salvação em relação aos homens.

Como testemunha o evangelista Lucas, no momento em que os discípulos voltavam ao Mestre cheios de alegria, pelos frutos recolhidos no seu tirocínio missionário, Jesus pronuncia uma palavra que faz pensar: "Eu via satanás cair do céu como um raio" (cf. Lc 10,18). Com estas palavras o Senhor afirma que o anúncio do reino de Deus é sempre uma vitória sobre o diabo, mas ao mesmo tempo revela também que a edificação do reino está continuamente exposta às insídias do espírito mau.

Como se hão de compreender esta oposição e esta rebelião a Deus em seres dotados de tão viva inteligência e enriquecidos com tanta luz? Qual pode ser o motivo desta radical e irreversível escolha contra Deus? De um ódio tão profundo que pode parecer unicamente fruto de loucura? Os Padres da Igreja e os teólogos não hesitam em falar de "cegueira" produzida pela supervalorização da perfeição do próprio ser, levada até o ponto de velar a supremacia de Deus, que, pelo contrário, exigia um ato dócil e obediente submissão. Tudo isto parece estar expresso de modo conciso nas palavras: "Não Vos servirei" (Jr 2,20), que manifestam a radical e irreversível recusa a tomar parte na edificação do reino de Deus no mundo criado. "Satanás", o espírito rebelde, quer o próprio reino, não o de Deus, e erige-se em "primeiro" adversário do Criador, em opositor da Providência, em antagonista da sabedoria amorosa de Deus.
 
Interessar-se por isso, como pretendemos fazer, quer dizer preparar-se para a condição de luta que é própria da vida da Igreja neste tempo derradeiro da história, da salvação (como afirma o livro do Apocalipse, cf. 12,7). Por outro lado, isto permite esclarecer a reta fé da Igreja perante quem a altera exagerando a importância do diabo, ou quem nega ou minimiza o seu poder maléfico.
 
A queda, apresenta o caráter da rejeição de Deus, com o conseqüente estado de danação, consiste na livre escolha daqueles espíritos criados, que radical e irrevogavelmente rejeitaram Deus e o seu reino, usurpando os seus direitos soberanos e tentando subverter a economia da salvação e a própria ordem da criação inteira. Um reflexo desta atitude encontra-se nas palavras do tentador aos progenitores: "sereis como Deus" ou "como deuses" (cf. Gn 3,5). Assim o espírito maligno tenta insuflar no homem a atitude de rivalidade, de insubordinação e de oposição a Deus, que se tornou quase a motivação de toda a sua existência.
 
Da rebelião e do pecado do homem, devemos concluir acolhendo a sábia experiência da Escritura que afirma: "Na soberba está contida muita corrupção" (Tb 4,13).
 
Devemos acrescentar as impressionantes palavras do Apóstolo João: "O mundo inteiro está sob o jugo do maligno" (l Jo 5,19), aludem também à presença de satanás na história da humanidade, uma presença que se acentua à medida que o homem e a sociedade se afastam de Deus. O influxo do espírito maligno pode ocultar-se de modo mais profundo e eficaz: fazer-se ignorar corresponde aos seus "interesses". A habilidade de satanás no mundo está em induzir os homens a negarem a sua existência, em nome do racionalismo e de cada um dos outros sistemas de pensamento que procuram todas as escapatórias para não admitir a obra dele. Isto não significa, porém, a eliminação da vontade livre e da responsabilidade do homem e nem se quer a frustração da ação salvífica de Cristo. Trata-se antes de um conflito entre as forças obscuras, do mal e as forças da redenção. São eloqüentes a este propósito as palavras que Jesus dirigiu a Pedro no inicio da Paixão: "Simão, olha que satanás vos reclamou para vos joeirar como o trigo. Mas Eu roguei por ti, a fim de que tua fé não desfaleça" (Lc 22,31).

Por isso compreendemos o motivo por que Jesus, na oração que nos ensinou, o "Pai-nosso", que é a oração do reino de Deus, termina bruscamente, ao contrário de muitas outras orações do seu tempo, recordando-nos a nossa condição de expostos às insídias do Mal-Maligno. O cristão, fazendo apelo ao Pai com o espírito de Jesus e invocando o seu Reino, brada com a força da fé: não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, do Maligno. Não nos deixeis, ó Senhor, cair, na infidelidade a que nos tenta aquele que foi infiel desde o princípio.


Catequese do Papa João Paulo II
Audiência do dia 13 de agosto de 1986

(Publicada no L'OSSERVATORE ROMANO, ed. port., no dia 17 de agosto de 1986.)


segunda-feira, 16 de maio de 2011

Santos Anjos, seres livres.


Na perfeição da sua natureza espiritual, os anjos são chamados desde o princípio, em virtude da sua inteligência, a conhecer a verdade e a amar o bem que conhecem na verdade de modo muito mais perfeito do que é possível ao homem. Este amor é o ato de uma vontade livre, pelo que também para os anjos a liberdade significa possibilidade de efetuar uma escolha favorável ou contra o Bem que eles conhecem, isto é, Deus mesmo. E preciso repetir aqui: criando os seres livres, Deus quis que no mundo se realizasse aquele amor verdadeiro que só é possível quando tem por base a liberdade. Ele quis, portanto, que a criatura, formada à imagem e semelhança do seu Criador, pudesse do modo mais pleno possível tornar-se semelhante a Ele. Deus, que "é amor" (Jo 4,16). Criando os espíritos puros como seres livres, Deus, na sua Providência, não podia deixar de prever também a possibilidade do pecado dos anjos. Mas, precisamente porque a Providência é eterna sabedoria que ama, Deus saberia tirar da história deste pecado, incomparavelmente mais radical enquanto pecado de um espírito puro, o definitivo bem de todo a criação.

Com efeito, como diz de modo claro a Revelação, o mundo dos espíritos puros apresenta-se dividido em bons e maus. Pois bem, esta divisão não se realizou por obra de Deus, mas em conseqüência da liberdade própria da natureza espiritual de cada um deles. Realizou-se mediante a escolha que para os seres puramente espirituais possui um caráter incomparavelmente mais radical do que a do homem, e é irreversível dado o grau do caráter intuitivo e de penetração do bem de que é dotada a sua inteligência. A este propósito deve dizer-se também que os espíritos puros foram submetidos a uma prova de caráter moral. Foi uma escolha decisiva a respeito, antes de tudo, de Deus mesmo, um Deus conhecido de modo mais essencial e direto do que é possível ao homem, um Deus que a estes seres espirituais tinha feito o dom, primeiro que ao homem, de participar da sua natureza divina.
A escolha feita com base na verdade acerca de Deus, conhecida de forma superior devido à lucidez da inteligência deles, dividiu também o mundo dos puros espíritos em bons e maus. Os bons escolheram Deus como Bem supremo e definitivo, conhecido à luz do intelecto iluminado pela Revelação. Ter escolhido Deus significa que se dirigiram a Ele com toda a força interior da sua liberdade, força que é amor.


Deus tornou-se a total e definitiva finalidade da sua existência espiritual. Os outros, pelo contrário, voltaram as costas a Deus em oposição à verdade do conhecimento que indicava n’Ele o bem total e definitivo. Escolheram em oposição à revelação do mistério de Deus, em oposição à sua graça que os tornava participantes da Trindade e da eterna amizade com Deus na comunhão com Ele mediante o amor. Tendo como base a sua liberdade criada, fizeram uma escolha radical e irreversível, tal como os anjos bons, mas diametralmente oposta: em vez de uma aceitação de Deus cheia de amor, opuseram-Lhe uma rejeição inspirada por um falso sentido de auto-suficiência, de aversão e até de ódio que se transformou em rebelião.
Catequese do Papa João Paulo II.
Audiência do dia 23 de julho de 1986

(Publicado no L'OSSERVATORE ROMANO, ed. port., no dia 27 de julho de 1986.)

Uma oração ao Anjo da Guarda

Meu santo e grande Anjo, tu que me foste concedido por DEUS como auxílio, amparo e guia todos os dias de minha vida, quantas graças eu dou ao PAI benigníssimo no Céu por tu existires, por tu nunca me abandonares, por tu bateres sempre de novo ao meu coração, a fim de que eu o abra para o meu Senhor e DEUS e o feche às insinuações dos amigos falsos, que falam de vantagens e razão, de comodidades merecidas, e do desejo dos prazeres da vida.
Tu falas da espada que JESUS CRISTO assentou na minha vida: "Quem não é comigo é contra mim".
Tu falas dos valores eternos da fidelidade, da confiança incondicional e bondade paternal de DEUS.
Tu falas da subordinação da vontade à vontade de DEUS e da grandeza do sacrifício diante de DEUS.
Deixa cair as tuas palavras no meu coração, como o grão de semente no campo preparado, para que dê fruto para a eternidade, a fim de que alcance a meta loriosa e maravilhosa, a meta da casa celestial do PAI e dos braços abertos do meu DEUS. Amém.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

MARIA a predileta do PAI.

Virgem MARIA predileta do PAI, aquEla quem DEUS amou primeiro.
PREDILETA, amada primeira.



DEUS depositou a plenitude de todo o bem em MARIA, para que nisto conhecêssemos que tudo o que temos de esperança, graça e salvação, dela deriva até nós.
                                                                           - São Boaventura

Como diz Santo Irineu, 'obedecendo, se fez causa de salvação, tanto para si como para todo o gênero humano'. Do mesmo modo, não poucos antigos Padres dizem com ele: 'O nó da desobediência de Eva foi desfeito pela obediência de MARIA; o que a virgem Eva ligou pela incredulidade, a Vigem MARIA desligou pela fé'. Comparando MARIA com Eva, chamam MARIA de Mãe dos viventes e, com frequência, afirmam: 'veio a morte por Eva, e a vida por MARIA' (Lumen Gentium, 56 e CIC, 494).

Nossa Senhora, Rainha de todos os Anjos e Santos no céu, rogai por nós!!!

Gostaria de meditar convosco (…) a saudação do Anjo a Maria. (…) A palavra grega, «Kaire», significa por si só «rejubila», «alegra-te». E aqui está o primeiro elemento que surpreende: a saudação entre os judeus era «Shalom», «paz», enquanto a saudação no mundo grego era «Kaire», «alegra-te». É surpreendente que o Anjo, ao entrar na casa de Maria, cumprimente com a saudação dos gregos: «Kaire», «alegra-te, rejubila». (…) Nesta saudação grega do Anjo manifesta-se a nova universalidade do Reino do verdadeiro Filho de David. (...) Somente com este diálogo, que o anjo Gabriel tem com Maria, começa realmente o Novo Testamento. Portanto, podemos dizer que a primeira palavra do Novo Testamento é um convite à alegria: «rejubila, alegra-te!». O Novo Testamento é verdadeiramente «Evangelho», a «Boa Nova» que nos traz alegria. Deus não está distante de nós, não é desconhecido, enigmático, talvez perigoso. Deus está próximo de nós, tão próximo que se faz criança, e nós podemos tratar este Deus por «tu».
                                                                                            - Papa Bento XVI.

domingo, 1 de maio de 2011

Discipulo do amor




SENHOR obrigada por teu escolhido,João Paulo II. 
Obrigada por este exemplo de vida em Ti, exemplo de AMOR traduzido em gestos, dedicação transformadas em ação, exemplo de ser somente Teu... como vela acesa iluminando Tua Face Eucarística e misericordiosa para o Mundo; gastando-se simples e docimente, gastando-se segundo a Vossa vontade.

Rogai a DEUS por nós!

JESUS CHRIST YOU ARE MY LIFE

MENSAGEM DA DIVINA MISERICÓRDIA - SANTA FAUSTINA