Em união com todos os Santos Anjos

"Sanctus, Sanctus, Sanctus. Dóminus, Deus Sábaoth Pleni sunt caeli et terra Glória tua. Hosánna in excélsis. Benedíctus, qui venit In nómine Dómini, Hosánna in excélsis.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

SANTA TEREZINHA FALA SOBRE A “INVEJA” DOS SANTOS ANJOS!




Santa Teresinha tinha consciência da diferença entre Anjo e homem. Pensar-se-ia que ela teria inveja dos Anjos, mas é o contrário! Ela tinha entendido a grandeza da Encarnação. "Quando vejo o Eterno envolvido em paninhos e ouço o fraco choro desse Verbo divino, ó Mãe querida, não invejo mais os Anjos, porquanto o Onipotente é meu amado Irmão! ..." (Poesia 54: "Porque eu te amo, Maria").

Também os Anjos compreendem profundamente o alcance da Encarnação e teriam, se fosse possível, inveja de nós pobres criaturas de carne e sangue. Num teatro natalino, no qual ela dá nomes aos Anjos conforme suas tarefas em relação a Cristo - por exemplo, o Anjo do Menino Jesus, o Anjo da Sagrada Face, o Anjo da Eucaristia - ela coloca na boca do Anjo do Juízo Final o canto: "Diante de Ti, doce Criança, o Querubim se inclina! Admira, espantado, Teu inefável amor. Quer, como Tu, sobre a sombria colina poder um dia morrer!" Então todos os Anjos cantam o estribilho: "Como é imensa a alegria da humilde criatura. Nos seus arrebatamentos os Serafins desejam deixar, ó Jesus, a angélica natureza, e fazer-se criança!" (Os Anjos no presépio, cena final).

Aqui nos deparamos com o motivo da estima de Santa Teresinha para com os Anjos, isto é: sua 'santa inveja' em relação aos homens, pelos quais o Filho de Deus Se fez homem e morreu. Na poesia em honra de Santa Cecília, um Serafim explica esse mistério a Valeriano da seguinte forma: "Eu me abismo em Deus, Seus encantos contemplo, mas não posso imolar-me nem sofrer por Ele. Não posso Lhe ofertar nem lágrimas nem sangue; apesar de todo meu amor, não posso morrer... A pureza de um Anjo é a herança luminosa de uma felicidade imensa que não passa, mas neste ponto, sim, vós venceis os Serafins: sois puros e, além disso, ainda podeis sofrer" (Poesia 3: Santa Cecília).

Mais adiante, Jesus Se dirige a um Anjo com as seguintes palavras cheias de luz e consolo: "Ó tu! que quiseste na terra compartilhar Minha cruz, Minha dor; belo Anjo, escuta este mistério: toda alma padecente é irmã tua. No Céu, o brilho do seu sofrimento virá também na tua fronte recair, e o brilho da tua pura essência iluminará o mártir!" (Os Anjos no presépio, Cena 5,10-11). Portanto, no Céu, Anjo e homem terão comunhão, parte e alegria com a glória do outro. Assim, na economia da salvação existe uma maravilhosa e íntima comunhão de pessoas.

Fontes: Opus Sanctorum Angelorum

OS PERIGOS DA "NOVA ERA"



A New Age constitui um grande desafio para o cristianismo. Não só porque se está difundindo em nível planetário, mas, sobretudo, porque incorpora elementos do cristianismo, modificando seu significado original; por exemplo, JESUS CRISTO já não é considerado como Filho de DEUS e único Salvador do mundo, mas um “iluminado” ao lado de outros.


Existe a perda do conceito de «verdade», estamos em pleno subjetivismo. DEUS tem mil facetas (energia cósmica, extracósmica, uma Mente, o Todo, somos nós mesmos, etc).

Se JESUS já não é o Salvador, se vai à busca de outras salvações que se convertem em «auto-salvações» através de métodos, meditações, praticas várias, inclusive mágicas. Esvazia-se da espera escatológica, enquanto que a salvação chegará em qualquer caso após uma série, talvez longuíssima, de reencarnações.

Entre as tradições que se juntaram na Nova Era podem contar-se: as antigas práticas do ocultismo egípcio, a cabala, o gnosticismo cristão primitivo, o sufismo, as tradições dos druidas, o cristianismo celta, a alquimia medieval, o hermetismo renascentista, o budismo zen, a yoga, etc.

“A natureza gnóstica deste movimento exige que se o julgue em sua totalidade. Desde o ponto de vista da fé cristã, não é possível isolar alguns elementos da religiosidade da Nova Era como aceitáveis por parte dos cristãos e rejeitar outros. Posto que o movimento da Nova Era insiste tanto na comunicação com a natureza, no conhecimento cósmico de um bem universal, negando assim os conteúdos revelados da fé cristã, não pode ser considerado como algo positivo ou inócuo” (1).

As teses principais da New Age são incompatíveis com o cristianismo, muito mais, são opostas a ele.

DISFARÇADOS EM ANJOS DE LUZ



Quando na Nova Era se fala de anjos, se faz de maneira pouco sistemática, muito confusa e sem distinções. Os “anjos” da New Age são identificados como diversos níveis de guias, entidades, energias e seres que (segundo eles) estão espalhados pelo universo... Estes seres estariam à disposição para que cada um os possa escolher e eleger segundo os seus próprios mecanismos de atração–repulsão.

Estes seres espirituais às vezes são invocados de maneira “não religiosa” como uma ajuda para o relaxamento, com vista a melhorar a tomada de decisões e o controle da própria vida pessoal e profissional.

A New Age descreve espíritos da natureza como energias poderosas que existem no mundo natural e também nos “níveis interiores”: aos quais se acede mediante o uso de rituais, drogas e outras técnicas para alcançar estados de consciência alterados.

Urge esclarecer o seguinte: É certa a existência de criaturas espirituais que influenciam a ordem da natureza. Esses seres foram criados por DEUS. São os Anjos. Entre os Anjos não existe meio termo: ou são bons: Santos Anjos, ou maus: os demônios.

Como já dissemos em outro post, os Santos Anjos não têm interesse de alimentar a curiosidade humana, em hipótese alguma. Eles não chamam a atenção para si mesmos. Ao passo que os demônios não só querem a atenção dos homens, mas também o seu culto. E as pessoas que vão atrás de doutrinas exotéricas e New Age em geral, não estão se unindo aos Anjos Bons, mas aos maus... dá para entender?

“Isso não é de admirar, pois o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz” (2 Cor 11,14).



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1. Documento do Vaticano «JESUS CRISTO, portador de água viva. Uma reflexão cristã sobre a Nova Era», n 4.


Fonte: Opus Sanctorum Angelorum

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

DOUTOR ANGÉLICO




Nesta semana, dia 28 de janeiro para ser preciso, a Igreja celebrou Santo Tomás de Aquino, também chamado Doctor Angelicus, não somente por ter ele escrito mais e melhor do que qualquer outro sobre o mundo Angélico, mas também por suas virtudes, em particular a sublimidade de seu pensamento e a pureza de sua vida.

O dom que é para a Igreja a figura e o ensinamento desse grande santo! O Beato Papa João Paulo II, em sua encíclica Fides et ratio, lembra-nos que São Tomás “sempre foi proposto pela Igreja como mestre do pensamento e modelo do modo certo de fazer teologia” (n. 43).

Os últimos meses da vida terrena de Santo Tomás permanecem rodeados de uma atmosfera mística e misteriosa. Em dezembro de 1273, chamou seu amigo e secretário Reginaldo para comunicar-lhe sua decisão de interromper todo o trabalho, porque durante a celebração da Missa havia compreendido, a partir de uma revelação sobrenatural, que tudo que ele tinha escrito até então era apenas “um montão de palha”.

É um episódio misterioso que nos ajuda compreender não apenas a humildade pessoal de Santo Tomás, mas também o fato de que tudo aquilo que chegamos a pensar e a dizer sobre a fé, por mais elevado e puro que seja, é infinitamente superado pela grandeza e pela beleza de Deus, que nos será revelada em plenitude no Paraíso.

Um mês depois, cada vez mais absorto em uma meditação, Santo Tomás morreu enquanto estava de viagem para Lyon, aonde ia para participar do Concílio Ecumênico proclamado pelo Papa Gregório X.

A vida e o ensinamento de São Tomás de Aquino poderia se resumir em um episódio apanhado pelos biógrafos antigos. Enquanto o santo, como era seu costume, estava em oração perante o crucifixo, pelo início da manhã na Capela de São Nicolau, em Nápoles, o sacristão da igreja, ouviu desenvolver-se um diálogo:

Santo Tomás perguntava preocupado ao Crucificado, se o que havia escrito sobre os mistérios da fé cristã estava correto. E o Crucifixo respondeu: “Tu tens falado bem de mim, Tomás. Que queres como recompensa?”. E a resposta que Tomás deu é a que nós também, amigos e discípulos de Jesus, sempre queremos dizer: “Nada mais que Tu, Senhor”

Fonte: Opus Sanctorum Angelorum

POR QUE DEUS PÕE UM ANJO GUARDIÃO AO NOSSO LADO?



Os Santos Anjos estão ao serviço dos planos de Deus nos momentos fundamentais da história da salvação. Como enviados de Deus, agem como mensageiros da Sua vontade redentora.


A presença dos Anjos é vista pela Escritura e pela incessante fé eclesial como sinal de uma intervenção especial da Providência e como anúncio de realidades novas, que trazem consigo redenção e salvação.

PONDO AO NOSSO LADO O SEU ANJO, O SENHOR QUER ACOMPANHAR CADA MOMENTO DA NOSSA EXISTÊNCIA COM O SEU AMOR E COM A SUA PROTEÇÃO, PARA QUE POSSAMOS COMBATER A BOA BATALHA DA FÉ (CF. 1 TM. 6, 12) E TESTEMUNHAR, SEM TEMOR NEM HESITAÇÃO, A NOSSA ADESÃO A ELE, MORTO E RESSUSCITADO PARA A NOSSA REDENÇÃO.

Invoquemos a Rainha dos Anjos e dos Santos para que, sustentados pelo nosso Anjo da Guarda, saibamos ser cada dia autênticas testemunhas do Senhor. Amém.

Beato Papa João Paulo II
Regina Caeli de 31 de março de 1997


Fonte: Opus Sanctorum Angelorum

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Conhecemos somente três anjos pelo nome pessoal?

Na Sagrada Escritura somente três nomes pessoais de santos Anjos são revelados; dos Anjos caídos são mencionados vários nomes (cf. futuramente no n° 47).




De outros Santos Anjos não sabemos os seus nomes porque, ou Deus, ou eles não nos quiseram revelar: Manué perguntou ao Anjo: “Qual é o teu nome, para que, assim que se cumprir a tua palavra, possamos prestar-te homenagem? O Anjo de Iahweh lhe respondeu: Por que te falar do meu nome? Ele é misterioso”.

Os livros apócrifos indicam mais nomes de Anjos. Porém, a Igreja se limitou aos três nomes mencionados e não quer que se usem outros nomes, nem que se venerem Anjos sob outros nomes, como ela afirmou várias vezes na história.

É importante saber que como Deus mandou Adão dar nomes aos animais (cf. Gn 2, 19-20) e como Adão chamou sua mulher com um nome (cf. Gn 3, 20), assim também Deus chama todas as criaturas pelo nome: “Quem criou todos estes astros? Aquele que faz marchar o exército completo, e a todos chama pelo nome” (1). De alguns conhecemos o nome pessoal, como o de S. Miguel que significa “Quem como Deus” (2) o de São Rafael que significa “Deus cura” ou “Medicina de Deus”(3) e o de São Gabriel que significa “Força de Deus” ou “Deus forte” (4).

Fonte: Opus Sanctorum Angelorum

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Doutrina Católica sobre os Anjos

O DEMÔNIO EXISTE OU É UMA LENDA?

Já em 1972 o Papa Paulo VI se questionava: Atualmente, quais são as maiores necessidades da Igreja?

Não deveis considerar a nossa resposta simplista, ou até supersticiosa e irreal: uma das maiores necessidades é a defesa daquele mal, a que chamamos Demônio.

A SAGRADA ESCRITURA É CLARA QUANTO À EXISTÊNCIA DO DEMÔNIO:

E como não haveríamos de recordar que Jesus Cristo, referindo-se três vezes ao Demônio como seu adversário, o qualifica como "príncipe deste mundo" (Jo 12,31; 14,30; 16,11)? E a ameaça desta nociva presença é indicada em muitas passagens do Novo Testamento. São Paulo chama-lhe "deus deste mundo" (2Cor 4,4) e previne-nos contra as lutas ocultas, que nós cristãos devemos travar não só com o Demônio, mas com a sua tremenda pluralidade: "Revesti-vos da armadura de Deus para que possais resistir às ciladas do Demônio. Porque nós não temos de lutar (só) contra a carne e o sangue, mas contra os Principados, contra os Dominadores deste mundo tenebroso, contra os Espíritos malignos espalhados pelos ares" (Ef 6,11-12).

Diversas passagens do Evangelho dizem-nos que não se trata de um só demônio, mas de muitos (cf. Lc 11,21; Mc 5,9), um dos quais é o principal: Satanás, que significa o adversário, o inimigo; e, ao lado dele, estão muitos outros, todos criaturas de Deus, mas decaídas, porque rebeldes e condenadas; constituem um mundo misterioso transformado por um drama muito infeliz, do qual conhecemos pouco.

A AÇÃO DO DEMÔNIO

Podemos admitir a sua atuação sinistra onde a negação de Deus se torna radical, sutil ou absurda; onde o engano se revela hipócrita, contra a evidência da verdade; onde o amor é anulado por um egoísmo frio e cruel; onde o nome de Cristo é empregado com ódio consciente e rebelde (cf. 1 Cor 16,22; 12,3); onde o espírito do Evangelho é falsificado e desmentido; onde o desespero se manifesta como a última palavra etc.

Papa Paulo VI
Audiência do dia 15 de novembro de 1972


COMO SE DEFENDER DOS ATAQUES DO MAL?

A DEFESA DO CRISTÃO

A esta pergunta, que defesa, que remédio, há para combater a ação do Demônio, a resposta é mais fácil de ser formulada, embora seja difícil pô-la em prática.

Poderemos dizer que tudo aquilo que nos defende do pecado nos protege, por isso mesmo, contra o inimigo invisível. A GRAÇA É A DEFESA DECISIVA.

A inocência assume um aspecto de fortaleza. E, depois, todos devem recordar o que a pedagogia apostólica simbolizou na armadura de um soldado, ou seja, as virtudes que podem tornar o cristão invulnerável (cf. Rm 13,13; Ef 6,11-14-17; 1Ts 5,8).

O cristão deve ser militante; deve ser vigilante e forte (1 Pd 5,8); e algumas vezes, deve recorrer a algum exercício ascético especial, para afastar determinadas invasões diabólicas; Jesus ensina-o, indicando o remédio "na oração e no jejum" (Mc 9,29). E o apóstolo indica a linha mestra que se deve seguir: "Não te deixes vencer pelo mal; vence o mal com o bem" (Rm 12,21; Mt 13,29).

Conscientes, portanto, das presentes adversidades em que hoje se encontram as almas, a Igreja e o mundo, procuraremos dar sentido e eficácia à usual invocação da nossa oração principal: "Pai nosso... livrai-nos do mal".

Contribua para isso a nossa Bênção apostólica.

Papa Paulo VI

Audiência do dia 15 de novembro de 1972


                         RESUMO DA DOUTRINA CATÓLICA SOBRE OS ANJOS

1. Os Anjos são puros espíritos que DEUS criou para O adorarem, e executarem suas ordens.

2. DEUS os criou em estado de graça e de santidade, mas nem todos perseveraram nesse estado, uma parte deles revoltou-se contra DEUS perdendo a graça pelo seu orgulho.

3. DEUS recompensou a fidelidade dos Anjos bons confirmando-os em graça e dando-lhes a posse da felicidade no Céu.

4. A função dos Anjos bons são louvar a DEUS executar as suas ordens.

5. Os Anjos bons, em especial os Anjos da guarda velam por nós e protegem-nos.

6. Devemos respeitar a presença do nosso Anjo da guarda, e invocá-lo nas tentações e perigos.

7. DEUS castigou os anjos rebeldes expulsando-os do Céu e condenando-os ao suplício do inferno.

8. Os anjos maus procuram arrastar-nos ao mal, porque são inimigos de DEUS e inimigos da felicidade eterna que nos é prometida.


Fonte: Opus Sanctorum Angelorum

domingo, 19 de janeiro de 2014

A DEVOÇÃO AOS ANJOS







Ao longo dos séculos, os fiéis traduziram em expressões de piedade as convicções da fé a respeito do ministério dos Anjos: os assumiram como patronos de cidades e protetores de corporações; em honra deles edificaram famosos santuários, como Mont Saint-Michel na Normandia, san Michele della Chiusa no Piemonte e san Michele al Gargano na Puglia, e estabeleceram dias festivos; compuseram hinos e práticas de piedade.


De modo particular, a piedade popular desenvolveu a devoção ao Anjo da Guarda. São Basílio Magno (1379) já ensinava que "todo fiel tem ao seu lado um Anjo como protetor e pastor, a fim de conduzi-lo à vida" [S. BASÍLIO DE CESARÉIA, Adversus Eunomium, III, 1: PG 29, 656].

Essa antiga doutrina foi pouco a pouco se consolidando em seus fundamentos bíblicos e patrísticos, e deu origem a várias expressões de piedade, até encontrar em são Bernardo de Claraval († 1153) um grande mestre e um apóstolo insigne da devoção aos Anjos da Guarda. Para ele, esses Anjos são demonstração de "que o céu não descuida de nada que possa ser de ajuda" e, por isso, coloca "ao nosso lado esses espíritos celestes a fim de que nos protejam, nos instruam e nos guiem" [S. BERNARDO DE CLARAVAL,Sermo XII in Psalmum "Qui habitat", 3, In: Sancti Bernardi Opera. Romae, Editiones Cistercienses, IV, 1966, p. 459].


A devoção aos Anjos da Guarda dá também lugar a um estilo de vida caracterizado por:
• devota gratidão a Deus, que colocou a serviço dos homens espíritos de tão grande santidade e dignidade;
• atitude de compostura e piedade, provocada pela consciência de estar constantemente na presença dos santos Anjos;
• serena confiança no enfrentamento de situações até difíceis, porque o Senhor guia e assiste o fiel no caminho da justiça até mesmo através do ministério dos Anjos.

DIRETÓRIO SOBRE PIEDADE POPULAR E LITURGIA, 216

Fonte: Opus Sanctorum Angelorum

CATÓLICO PODE CONSULTAR HORÓSCOPO?



Normalmente as pessoas buscam nos horóscopos, em seus signos, como será a sua semana ou seu dia... se está num tempo favorável para iniciar ou terminar um projeto... se o meu signo combina com o signo de alguém... são tantas as formas de querer adivinhar o futuro oriunda de uma necessidade vinda das urgências de uma vida corrida e superficial que se vive esperando ler algo mágico para viver.  

ADIVINHAÇÃO E MAGIA


Deus pode revelar o futuro aos seus profetas ou a outros santos. Mas a atitude certa do cristão consiste em pôr-se com confiança nas mãos da Providência, em tudo quanto se refere ao futuro, e em pôr de lado toda a curiosidade mau a tal propósito. A imprevidência, no entanto, pode constituir uma falta de responsabilidade.


Todas as formas de adivinhação devem ser rejeitadas: recurso a Satanás ou aos demónios, evocação dos mortos ou outras práticas supostamente «reveladoras» do futuro. A consulta dos horóscopos, a astrologia, a quiromancia, a interpretação de presságios e de sortes, os fenómenos de vidência, o recurso aos "médiuns", tudo isso encerra uma vontade de dominar o tempo, a história e, finalmente, os homens, ao mesmo tempo que é um desejo de conluio com os poderes ocultos. Todas essas práticas estão em contradição com a honra e o respeito, penetrados de temor amoroso, que devemos a Deus e só a Ele.

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA 2115-16

Fonte: Opus Sanctorum Angelorum

OS ANJOS NA VIDA DA IGREJA




A Igreja, que em seus primórdios foi guardada e defendida pelo ministério dos Anjos (1) e que constantemente experimenta a sua "ajuda misteriosa e poderosa" (2), venera esses espíritos celestes e, confiante, solicita a intercessão dos mesmos.


Durante o Ano litúrgico, a Igreja comemora a participação dos Anjos nos eventos da salvação [Assim, por exemplo, na própria solenidade máxima, a Páscoa, e nas solenidades da Anunciação (25 de março), do Natal (25 de dezembro), da Ascensão, da Imaculada Conceição (8 de dezembro), da Assunção (15 de agosto) e de Todos os Santos (12 de novembro)], e celebra a memória deles em alguns dias particulares: em 29 de setembro a dos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael; em 2 de outubro a dos Anjos da Guarda; a eles dedica uma Missa votiva, cujo prefácio proclama que "a glória de Deus resplandece nos Anjos" (3); 

Na celebração dos divinos mistérios se associa ao canto dos Anjos para proclamar a glória do Deus três vezes santo (cf. Is 6,3) (4) e invoca a assistência deles para que a oferta eucarística "seja levada ao altar do céu, diante da [...] majestade divina" (5); na presença deles celebra o oficio de louvor (cf. Sl 137,I) (6); confia ao ministério dos Anjos as orações dos fiéis (cf. Ap 5,8; 8,3), a dor dos penitentes (7), a defesa dos inocentes contra os assaltos do Maligno (8);

Implora a Deus para que envie, no final do dia, os seus Anjos a fim de guardar na paz os que oram (9); ora para que os espíritos celestes venham socorrer os agonizantes (10) e, no rito das exéquias, suplica para que os Anjos acompanhem até o paraíso a alma do defunto (11) e guardem o seu sepulcro.

DIRETÓRIO SOBRE PIEDADE POPULAR E LITURGIA, 215

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1. cf. At 5,17-20; 12,6-11
2. CICat., 334
3. MISSAL ROMANO, Prefácio dos Anjos
4. Cf. MISSAL ROMANO,Oração Eucarística, Santo
5. MISSAL ROMANO, Oração Eucarística I, Nós vos suplicamos
6. S. BENEDITO, Regula, 19,5: CSEL 75, Vindobonae, 1960, p. 75
7. Cf. RITUAL ROMANO, Ritual da Penitência, São Paulo, Ave Maria, 1999, 54
8. Cf. LITURGIA DAS HORAS, 2 de outubro, memória dos Santos Anjos da Guarda, Vésperas, Hino "Aos anjos cantemos, que guardem a todos"
9. Cf. LITURGIA DAS HORAS, Completas depois das II Vésperas dos Domingos e Solenidades, Oração "Visitai, Senhor, esta casa"
10. Cf. RITUAL ROMANO, Ritual da unção dos enfermos e sua assistência pastoral, cit., 147
11. Cf. RITUAL ROMANO, Ritual de Exéquias, São Paulo, Paulinas, 1971, 50

Fonte: Opus Sanctorum Angelorum

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

A Queda dos Anjos

De boa vontade o inferno está cheio... será?




A frase “Deus olhou para todas as coisas e viu que eram boas” encerra um sentido sutil, que o pessimista popular não pode entender ou tem demasiada pressa em contestar. É a tese de que não há coisas más, mas somente mau uso das coisas. Ou, se o preferirem, não há coisas más, mas somente maus pensamentos e, em especial, más intenções. Em verdade, só os calvinistas podem crer que o inferno esteja pavimentado com boas intenções. É exatamente esta a única coisa com que não pode estar pavimentado. É possível, todavia, ter más intenções quanto a coisas boas; e coisas boas, como o mundo e a carne, têm sido de fato deturpadas por uma intenção má chamada demônio. Mas não é ele que pode fazer más as coisas; estas estão exatamente como no primeiro dia da criação. Só o trabalho do céu foi material: a fabricação de um mundo material. O trabalho do inferno é puramente espiritual. (G. K. Chesterton, em "Santo Tomás de Aquino")

Fonte: Opus Sanctorum Angelorum - Juventude Obra dos Santos Anjos

EM RELAÇÃO A DEUS TUDO DEVE SER BELO...


“Farás dois Querubins de ouro; e os farás de ouro batido... Terão esses Querubins suas asas estendidas para o alto, e protegerão com elas o propiciatório, sobre a qual terão a face inclinada... Ali virei ter contigo, e é de cima do propiciatório, do meio dos Querubins que estão sobre a arca da aliança, que te darei todas as minhas ordens para os israelitas.” (Ex 25,18-22).



Se os artistas sacros de todos os tempos, sobretudo os atuais, tomassem a sério essa passagem da Sagrada Escritura, eles não teriam outra possibilidade que a de reconhecer: DEUS não é indiferente à arte humana!

De fato, ao ordenar Moisés que construísse a Tenda da Reunião, o Senhor deu-lhe orientações claras sobre o modo como esta deveria ser construída e o mais importante, O MOTIVO: “Então levantarás o Tabernáculo conforme AO MODELO que te foi mostrado no monte” (Ex 26,30), ou seja, o que se constrói sobre a terra em referência a Deus deve se aproximar quanto possível da realidade do Céu (no caso, da visão que Moisés teve no Monte Sinai)!

Assim a Igreja determina que a Arte Sacra é verdadeira e bela quando corresponde à sua própria vocação, que é: evocar e glorificar, na fé e adoração, o Mistério transcendente de DEUS, beleza excelsa e invisível de Verdade e Amor, revelada em CRISTO... Beleza espiritual REFELETIDA na SS Virgem Maria, Mãe de DEUS, nos Anjos e nos Santos (cf. Cat. da Igreja Católica 2502).



Uma ideia (ou ideologia) segundo a qual, nas coisas para Deus se deva usar materiais “mais simples”, quando se poderia usar o mais digno e belo, não está de acordo nem com a Palavra de Deus, nem com a o ensinamento da Igreja. E isso, sobretudo em relação à LITURGIA!

Fonte: Opus Sanctorum Angelorum

VOCÊ PENSA QUE É IMPORTANTE CONHECER OS COROS DOS SANTOS ANJOS?

veja a opinião de São Boaventura:

Estas coisas parecem a muito alheias e estranhas. Com efeito, muitos são tidos por grandes clérigos e não sabem dizer os nomes dos Coros dos Anjos. E o que é pior, não sabem nem dizer os Mandamentos, quantos são e quais. Mas por DEUS! Se eu eu frequentasse a corte do Rei, com facilidade saberia os nove Ministérios da sua Cúria. E nós, que estamos à porta daquela Jerusalém da Cúria Celeste, pela qual a cada dia esperamos uma vez poder entrar, não conhecemos e não queremos conhecer os nomes dos Ministros daquela Cúria. É grande negligência! (Sao Boaventura, Sermo V de sanctis Angelis)




QUEM SÃO OS QUERUBINS?

Querubim é o plural de Karūb que vem do hebraico e significa Orante, Intercessor. Santo Tomás de Aquino seguindo a doutrina de Dionísio vai dizer que a palavra Querubim também significa aquele que está tomado de certo excesso de ciência, e que por isso pode traduzir-se também como plenitude de ciência.

Os Querubins são os primeiros Santos Anjos citados na Sagrada Escritura, quando por ocasião do pecado original Deus colocou alguns deles diante do Éden para guardar o caminho à Árvore da Vida (Gn 3,24). E é também o Coro mais mencionado na Sagrada Escritura.


Quando Deus ordenou a Moisés que construísse a Arca da Aliança, ordenou igualmente que colocasse sobre ela dois Querubins em profunda atitude de oração e adoração a DEUS.

Querubins são também os seres misteriosos que Ezequiel descreve na visão que teve no momento de sua vocação: “Então olhei, e eis quatro rodas junto aos Querubins... E todo o seu corpo, as suas costas, as suas mãos, as suas asas e as rodas, as rodas que os quatro tinham, estavam cheias de olhos ao redor (Ez 10, 9.12).

Que os Querubins estejam repletos de olhos significa que eles são repletos do Espírito de Sabedoria (Ciência) e que podem ver a realidade mais perfeitamente a partir da visão de Deus. O que podemos aprender com eles? Que é a oração e a adoração de Deus que nos alcança o cume da Sabedoria.

QUEM SÃO OS SERAFINS?

Serafins são os Anjos mais próximos do Trono do Altíssimo, pois são os Anjos mais agraciados por Deus, os que mais amam, ou seja, aqueles que possuem uma maior e mais admirável capacidade de amar.

O nome "seraph" em hebraico, significa "queimar completamente" . Segundo o conceito hebraico, Serafim não é apenas um ser que "queima", mas "que se consome " no amor ao Sumo Bem, que é o nosso DEUS Altíssimo.

Eles pertencem à 1º Hierarquia dos Anjos junto com os Querubins e Tronos – estão a serviço exclusivo da contemplação de DEUS, pelo Amor, pelo Conhecimento e pela Aceitação rendida da Sua Vontade, que transmitem ao resto da criação.

Na Sagrada Escritura os Anjos Serafins aparecem somente uma única vez, na visão de Isaias:

"... vi o SENHOR sentado sobre um trono alto e elevado... Acima DELE, em pé, estavam Serafins, cada um com seis asas: com duas cobriam a face, com duas cobriam os pés e com duas voavam".(Is 6,1-2)

Com duas asas cobriam o rosto, em sinal de profundo respeito, para não ver a Face do CRIADOR; com outras duas cobriam os pés para se ocultarem, para não serem vistos, conscientes de que ali estão pela infinita misericórdia do CRIADOR, e não pelo próprio merecimento; e com as outras duas asas voavam, como a indicar uma pronta e amorosa disponibilidade, em condições de atender um gesto ou aceno Divino, convocando-os para uma missão. Por essa razão, Dionísio em sua "Hierarquia Celeste", denomina os Serafins como aqueles Anjos que tem muitas asas.

QUEM SÃO OS SANTOS TRONOS?


São Anjos que pertecem à primeira Hierarquia Celeste junto dos Serafins e Querubins. Fazem, pois, parte do grupo dos Santos Anjos que estão mais próximos de Deus, pelo amor e conhecimento.

São Tomás de Aquino diz que a excelência do Coro dos Tronos consiste em que eles podem conhecer diretamente em Deus mesmo as razões das obras divinas. E que devemos observar que é a nomenclatura das Ordens angélicas que designam as suas respectivas propriedades, segundo diz Dionísio (em c.7 De cael, hier).


Por isso o Coro dos Tronos é muitas vezes representado na Arte, literalmente como Assento, ou Trono de CRISTO (repare na imagem desse post como CRISTO está sentado sobre Anjos).

Isso significa que o seu ser consiste na prontidão e fidelidade para com o Rei dos Reis. Eles são por excelência os Arautos do Reino Celeste! Que recebem e representam CRISTO Rei!



QUEM SÃO AS DOMINAÇÕES?


São os Santos Anjos da alta nobreza celeste que ordenam e governam por meio de súditos, ocupam-se do governo dos Anjos (Cl 1,16).


Para caracteriza-los com ênfase, São Gregório escreveu: “Algumas fileiras do exército angélico chamam-se Dominações, porque os restantes lhe são submissos, ou seja, lhe são obedientes”. São enviados por Deus a missões mais relevantes e também, são incluídos entre os Santos Anjos que exercem a “função de Ministro de Deus”.

Eles pertencem à segunda hierarquia dos Santos Anjos que dirigem os Planos da Eterna Sabedoria, comunicando aqueles projetos aos Anjos da Terceira Hierarquia e que vigiam o comportamento da humanidade. Eles são responsáveis pelos acontecimentos no Universo.


Podem nos ajudar na submissão reverente de nossa inteligência e vontade a Deus em todos os momentos e circunstâncias de nossas vidas.




Fonte: Opus Sanctorum Angelorum

domingo, 12 de janeiro de 2014

Solenidade do Batismo de Nosso Senhor

Nesta Solenidade do Batismo de Nosso Senhor, a Igreja nos propõe uma séria reflexão sobre a dignidade desse sacramento. No batismo, ousamos dizer, recebemos uma graça ainda maior que qualquer outra. Pelo batismo, tornamo-nos “filhos de Deus”, “templos do Espírito Santo”.

"Depois de ser batizado, Jesus saiu logo da água. Então o céu se abriu e Jesus viu o Espírito de Deus, descendo como pomba e vindo pousar sobre ele”(Mt 3,16).

Nós hoje celebramos a festa do batismo de Jesus, Nosso Senhor e Mestre foi submisso ao batismo de João, mesmo ele [João] se negando a batizá-Lo, Jesus disse: ”Que a justiça se cumpra, que assim seja feito!” E Ele deixa-se batizar por João, para nos ensinar que todos nós temos que passar pelo batismo, pelo novo nascimento. Quem nasce da carne é carne, quem nasce do Espírito é do Espírito!
Todos nós hoje somos convidados a refletir sobre o nosso batismo, sobre esta graça primeira que nós recebemos de Deus. Ele nos configura a Cristo Jesus, nos torna, por adoção, filhos de Deus, o batismo nos dá a graça da unção. A unção que recebemos no batismo é a graça de sermos marcados para sempre como propriedade de Deus, como pertencentes a Ele.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Católicos atenção com os sites e blogs esotéricos sobre anjos!!!!

A devoção católica aos santos Anjos deve ser fundamentada na Sagrada Escritura, na tradição e no Magistério da Igreja.



É grande o número de católicos, até mesmo catequistas que frequentam sites esotéricos sobre Anjos, procurando saber o nome de seu Anjo da Guarda e dos Anjos em geral! Avisamos que isso é contrário à Doutrina da Igreja Católica, além de perigoso.

Apresentamos em breves linhas a Doutrina Católica

Sobre OS NOMES DOS ANJOS:

“DEVE-SE REPROVAR TAMBÉM O USO DE DAR AOS ANJOS NOMES PARTICULARES, exceto Miguel, Gabriel e Rafael, que estão contidos na Escritura” (Dir. sobre a piedade popular e liturgia, 217).

SOBRE HORÓSCOPOS:

A consulta dos horóscopos, a astrologia, a quiromancia, a interpretação de presságios e de sortes, os fenómenos de vidência, o recurso aos "médiuns", tudo isso encerra uma vontade de dominar o tempo, a história e, finalmente, os homens, ao mesmo tempo que é um desejo de conluio com os PODERES OCULTOS. Todas essas práticas estão em CONTRADIÇÃO COM A HONRA E O RESPEITO, PENETRADOS DE TEMOR AMOROSO, QUE DEVEMOS A DEUS E SÓ A ELE.

(CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA 2116)




Fonte: Opus Sanctorum Angelorum - Juventude Obra dos Santos Anjos

Hierarquia angélica


Em toda a realidade existe uma hierarquia: p. ex. uma hierarquia dos seres (mundo inorgânico, orgânico, vivente, racional e puramente espiritual), uma hierarquia na sociedade e na família, na Igreja e no Estado e assim também entre os Anjos.



O Beato Papa J. Paulo II afirma que os Anjos “deixam-se agrupar segundo ordens e degraus, segundo a medida da sua perfeição e segundo as tarefas a eles confiadas” (1), mas não se decide por uma determinada hierarquia. A incerteza sobre a ordem dos coros é causada por haver duas listas de quatro coros com ordens diferentes, uma na carta de São Paulo aos Efésios (1, 21) e outra na carta aos Colossenses (1, 16).

Em geral, pode-se dizer que na Tradição católica há uma unanimidade de referência aos coros 1 a 4 e aos últimos dois coros (8 e 9):

1 - Serafins (aqueles que têm um amor ardente para com Deus; cf. Is 6, 2.6);
2 - Querubins (aqueles que têm o cume da sabedoria; cf. Gn 3, 24; Ex 25, 18; Sl 98, 1 e os Seres Vivos, Ez 10, 20);
3 - Tronos (aqueles com santo temor e prontidão para com Deus; cf. Cl 1, 16);
4 - Dominações (aqueles ordenam e governam por meio de súditos; cf. Cl 1, 16);

Entre os Coros 5-7 encontramos diferentes listas e diferentes defensores. Por exemplo:

S. Bernardo S. Gregório Magno Dionísio 
S. Vincente Palotti Sta. Hildegarda S. Boaventura
v
5 – Potestades (defensores) - Principados - Virtudes
6 – Principados (administradores) - Potestades - Potestades
7 – Virtudes (taumaturgos) - Virtudes - Principados

8 - Arcanjos (aqueles com mensagens de grande importância; cf. Jd 9) e
9 - Anjos (aqueles com mensagens para a vida ordinária dos homens; cf. Rm 8, 38).

Quanto aos coros 5 até 7 (cf. Cl 1, 16 e Ef 1, 21) existem várias opiniões:
São Boaventura caracteriza as tarefas dos nove coros com as seguintes palavras-chave:
Unção - Revelação - Acessão
Governo - Fortalecimento - Ordem
Guia - Ditado - Anunciação (2).

__________________________
1. Felipe Aquino, Os Anjos. Com as 7 Catequeses do Papa João Paulo II sobre os Anjos, Editora Cléofas, Lorena 2004 - (Catequese de 6 de agosto de 1986, nº 3).
2. Cf. Itinerarium mentis, IV, 4; acessão indica o ato de aceder ou consentir. Para a questão toda, veja S. Tomás, S.Th. I, 108; Macintyre, 243-255.

Fonte: Opus Sanctorum Angelorum

domingo, 5 de janeiro de 2014

Epifania do Senhor

"Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra."

                                       



"A liturgia deste domingo celebra a manifestação de Jesus a todos os homens… Ele é uma “luz” que se acende na noite do mundo e atrai a si todos os povos da terra. Cumprindo o projeto libertador que o Pai nos queria oferecer, essa “luz” incarnou na nossa história, iluminou os caminhos dos homens, conduziu-os ao encontro da salvação, da vida definitiva."


                              


Muito poderíamos dizer a respeito do Mistério desta Solenidade que hoje celebramos. Sobretudo, porque somos colocados diante da rica e abundante Palavra de Deus que hoje nos ilumina e nos introduz neste divino mistério que celebramos conjuntamente com a Igreja Celeste, cuja “lâmpada é o Cordeiro”.
Cabe-nos, em primeiro lugar, destacar a origem e o sentido da solenidade que hoje celebramos. A festa da Epifania surgiu no Oriente, mais ou menos no mesmo período em que surgiu o Natal no Ocidente. As duas festas são aparentadas, porque na sua origem eram destinadas a celebrar o mesmo mistério: o nascimento do Salvador em nossa carne mortal. O Espírito inspirou no Oriente e no Ocidente estas duas festas, o Natal e a Epifania, que possuíam um sentido semelhante (embora com enfoques diferentes) e a mesma motivação. Quando a festa da Epifania foi introduzida no Ocidente cristão conservou-se apenas uma parte do seu sentido originário, ou seja, a “manifestação de Cristo aos povos pagãos”. Da mesma forma, quando a festa do Natal foi introduzida no Oriente, a festa da Epifania foi sendo aos poucos entendida também somente como a celebração da manifestação de Cristo aos pagãos. Hoje, para nós, o Natal celebra e atualiza o nascimento, enquanto a Epifania celebra e atualiza a manifestação do Cristo que nasceu em Belém aos gentios, que são representados nestes magos que visitam o Menino-Deus no presépio.
O Evangelho que ouvimos nos coloca diante da cena dos magos que vêm do oriente para adorar o Senhor. Guiados por um astro misterioso, são levados em direção ao “Astro que nasce das alturas” (cf. Lc 1,78), em direção Àquele que veio “para iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte” (Lc 1,79). Chegando à Herodes, interrogam pelo Messias. Herodes teme perder o seu trono e planeja antecipar aquilo o que será por outros realizado, a Páscoa do Salvador. Como fala São Leão Magno em seu primeiro sermão sobre a Epifania “O Senhor do universo não procura um reino temporal, ele que dá um reino eterno.” E ainda comentando sobre o desejo que nutre Herodes de matar aquele que, embora sendo seu Salvador, ele considera como adversário, diz: “Aquele que nasceu quando quis morrerá conforme a livre disposição da sua vontade.” De fato, como nos ensina São João, ninguém tira a sua vida, mas Ele a dá livremente. Os sumos sacerdotes e doutores da Lei orientam os magos a respeito do lugar onde deveria nascer o Messias: em Belém. Os mestres da Lei a lêem sem compreendê-la. Eles possuem um véu no coração. Orientam os magos, mas não sabem orientar a si mesmos. E os magos, guiados pela estrela e pela palavra da profecia chegam até o Messias, e oferecem seus presentes, que são, segundo o mesmo São Leão,“sacramento da sua fé e da sua inteligência”:ouro, porque Ele é o Rei dos Reis; incenso, porque Ele é verdadeiro Deus; mirra, porque se fez verdadeiramente homem e morrerá para a nossa salvação. Aquilo o que compreendemos pela fé está presente de forma sacramental no presente dos magos: Este menino que nasceu em Belém é homem e é Deus; assumiu a nossa humanidade, sem nada perder da sua divindade; Ele é verdadeiramente o Rei que devia vir ao mundo e reunir todas as nações, dos mais longínquos cantos do planeta, na Jerusalém nova que é a Igreja.
Deus que havia feito Aliança com Abraão e prometido a ele uma descendência numerosa, realiza agora a sua promessa, porque a verdadeira descendência de Abraão não é segundo a carne, mas segundo a fé, porque como nos ensina São Paulo, Abraão foi declarado justo em virtude da sua fé, porque Ele aceitou o convite de Deus e saiu da sua terra e da sua parentela e caminhou em direção à Terra da Promessa. Agora, no Verbo feito carne, a promessa que Deus havia feito a Abraão se realiza e todos são admitidos ao Novo Israel de Deus, a Igreja. Este é o “mistério” de Deus revelado a nós, como nos diz São Paulo na carta aos cristãos de Éfeso: “os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho.”
Isaías profetizou e nós vemos a sua profecia se cumprir. “Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor.” O profeta convida a cidade a colocar-se de pé, porque apareceu sobre ela o Senhor. Meus irmãos, somos a Jerusalém nova. Devemos nos colocar de pé, como o Ressuscitado está de pé à direita de Deus, porque o Senhor que é nossa luz chegou. Apareceu sobre nós a glória do Senhor. “Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti”. Sim, aquela glória transitória que aparecia a Moisés, na sarça, no Horeb e em tantas outras teofanias, agora se manifestou sobre nós. Depois da sarça ardente e da nuvem que enchia a tenda da reunião, o que esperávamos? De certo não era um menino envolto em faixas. Mas Deus não entra na nossa lógica e o que pensávamos impossível aconteceu, ou melhor, o que nem podíamos cogitar aconteceu: Deus apareceu na nossa carne, a sua glória apareceu na nossa humanidade e nós que andávamos nas trevas fomos iluminados. Estávamos envolvidos nas trevas do pecado e a nossa humanidade foi preenchida pela luz da divindade que veio morar em nossa carne e nos “recriou na luz eterna de sua divindade” como nos ressalta hoje o prefácio da Epifania.
Como precisamos tomar consciência do sentido que essa palavra tem no hoje da nossa vida. De fato, Cristo se manifestou como luz para nos arrancar das trevas, mas como ainda vivemos na aurora, ou seja, num tempo em que vemos a luz, mas ainda ofuscada pelas trevas, como ainda não estamos na glória da visão plena, ficamos muitas vezes envolvidos nas trevas e em meio a nuvens escuras. Cada um aqui sabe o nome das trevas nas quais se vê envolvido. As trevas chamam-se descrença, desesperança, perda de sentido... Somos atraídos pelo mundo e quase que engolidos pelas sua espessas e escuras nuvens. Mas, hoje a Palavra de Deus nos atravessa como uma flecha e nos diz que sobre nós apareceu o Senhor e sua glória se manifestou sobre nós. Se assim é, nós nos alegramos, porque quando o Senhor se levanta, que inimigos ousam combatê-lo? Se a sua luz, que é como o Sol, brilha, que trevas ainda podem existir? Sintamo-nos defendidos pelo Senhor e iluminados por sua luz, que já na ambigüidade deste mundo afasta de nós as trevas e na realidade do mundo que virá apagará definitivamente todo e qualquer vestígio de trevas que ainda subsistir em nós. Sim, essa palavra nos lembra e aponta também para a realidade celeste. João se utiliza desta profecia para descrever o encontro do Cordeiro com a Igreja, sua esposa. Na Jerusalém celeste não existe lâmpada, nem templo, porque a sua luz, o seu Templo é o Cordeiro. Esta luz no altar nos lembra a luz pura de Cristo que nos iluminará quando o vermos não mais sob o véu dos sacramentos. Este Templo é sacramento do próprio Senhor, que é o Templo verdadeiro que ornamenta a cidade verdadeira, a Jerusalém celeste, para a qual nos dirigimos apressados.
Enquanto vivemos neste mundo devemos refletir a luz d’Aquele que se manifestou a nós e nos iluminou. O profeta diz a respeito de Jerusalém que “os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora.” A Igreja, qual nova Jerusalém, é chamada a ser para os homens deste mundo um sinal de luz. No meio de nós está aquele que é a própria luz, “Luz da Luz” como rezaremos no Credo. Iluminados por sua luz iluminemos os outros. Sejamos como a estrela que guiou os magos. Iluminada pela luz do Verdadeiro Astro guiou-os até Aquele que era a fonte da sua luz. Também não temos luz própria. A nossa luz é o Cordeiro que está em nosso meio. Iluminados pela sua luz iluminemos outros e os atraiamos, como fez a estrela, até Aquele lugar onde se encontra o Salvador. Hoje este lugar é a Igreja, novo presépio, onde toda a vida do Senhor, da encarnação à Pentecostes, é atualizada na divina liturgia. Que ao refletirmos a luz do Salvador feito homem que hoje se manifestou a todos os povos e a cada um de nós, que andávamos nas trevas, possamos atrair muitos, e que esses muitos se juntem a nós, para proclamarmos a glória do Senhor, até Aquele dia, definitivo e último, do qual este domingo é já um sacramento, no qual em nossos lábios não haverá outra palavra, nem outro canto, a não ser um hino de louvor e glória ao Senhor.