Em união com todos os Santos Anjos

"Sanctus, Sanctus, Sanctus. Dóminus, Deus Sábaoth Pleni sunt caeli et terra Glória tua. Hosánna in excélsis. Benedíctus, qui venit In nómine Dómini, Hosánna in excélsis.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Oração ao Santo Anjo da Guarda

 

Meu Santo Anjo da Guarda, eu te saúdo e agradeço. Eu te rogo de rezar por mim e no meu lugar, em todos os momentos onde eu não possa formular minhas orações. Digna-me também, na Luz Divina, te encontrar com os Anjos da Guarda daqueles a quem eu mais amo, daqueles pelos quais sou responsável espiritualmente, para os esclarecer, proteger e conduzir. És meu Anjo guardião. A bondade divina me confiou a Ti: ilumina-me, guarda-me do mal, e dirigi-me na verdade. Anjo da paz, caminha ao meu lado. Dá à minha alma a beleza, ao meu corpo a pureza. Sustenta a minha fé e anima meu coração a desejar pertencer cada dia mais a Jesus. Amém.


Os Santos Anjos nos ajudam a fazer meditação

 


São Tomás de Aquino ensina:
 “Todas as iluminações divinas nos são dadas mediante a hierarquia celeste” (2 Sent.d.8,q.1,a.6,c). Porém, muitas vezes alguém é iluminado na meditação da Palavra ou dos mistérios do Reino de Deus, sem se dar conta de que isto acontece através do Santo Anjo (S. Th. I,111,1,3m.
A Beata Rosa Gattorno fez a seguinte experiência:
 “Estive, por dois dias, em companhia dos Anjos que estavam junto de mim; faziam-me festa enquanto contemplava o mistério da Encarnação no seio de Maria Santíssima” (M. 9. 8, pág. 5s in op. cit., p. 183). Portanto, invoquemos os Santos Anjos, especialmente São Gabriel e o Anjo da Guarda, no início da nossa meditação! Então ela será muito mais frutuosa.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O Anjo Guardião da Família

Venho aqui descrever minha experiência com os anjos.


Naquele tempo, tínhamos em casa um quarto com 2 beliches, eu ficava na parte de baixo e na parte superior meu irmão, que hoje é diácono. Na época, eu tinha aproximadamente 10 ou 12 anos.

Nesse tempo meu irmão foi para um retiro, ficando fora de casa. Na primeira noite, como eu gostava muito de dormir na cama de cima, aproveitei para dormir na cama de meu irmão.

Em um momento da noite, despertei com uma claridade muito grande no quarto, uma luz branca que gradativamente diminuiu até eu poder enxergar. Ao lado da cama, pude perceber um vulto, quase que virado de costas.

Eu estava tranquilo pois naquele exato momento já sabia quem era. Por momentos, fiquei ali parado, admirando-o. Então ele começou a virar-se lentamente, mas não parecia encostar no chão, pois era um movimento suave. Foi quando me assustei ao ver o seu rosto suave e comprido, notando que se tratava realmente de alguém. Com muito medo me cobri rapidamente com o cobertor.

Fiquei uns instantes ali debaixo do cobertor, com medo do que tinha visto, sabendo quem era, mas ao mesmo tempo assustado. Logo após me cobrir, senti em cima de mim, por cima do cobertor, a mão acolhedora de um adulto e novamente me senti bem mas ainda com medo.

Então tomei coragem e, em um movimento rápido, retirei o cobertor e olhei, mas para minha saudade até hoje, ele não estava mais ali.

Foi com esta experiência, que acreditei de forma irrestrita na existência de Anjos e de Deus. Sempre orei a oração ao santo Anjo, mas vê-lo era algo incrível.

Muito mais tarde, conversei com meu irmão sobre o fato e, com auxílio de um padre amigo e conselheiro, os dois concluíram que talvez não fosse o meu Anjo da Guarda, mas sim um anjo que é enviado à casa da família da pessoa que se ausenta, quando ela é a responsável ou parte importante na família, para cuidar enquanto este membro está fora.

Porém, eu sempre acreditei que era o meu Anjo da Guarda, pois com ele falava quase todos dias em oração, desde criança, e sempre tive fé na sua existência. Além disso, tenho sempre o sentimento que ele continua comigo, às vezes se decepcionando por uma má decisão, comportamento ou pensamento meu, mas feliz quando recomeço tantas e tantas vezes a minha caminhada para o Pai.

[Testemunho de Jalmar B. enviado por e-mail]




Oração da mãe aos Santos Anjos da Guarda dos seus filhos

Santos Anjos da Guarda, confiados por Deus como fiéis amigos dos meus filhos, eu me dirijo com grande confiança a vós. Solicito-vos, antes de tudo, a graça para que eu sempre eduque meus filhos para Deus. Protegei-os onde eu não estiver. Acompanhai-os onde eu não possa segui-los. Adverti-os onde minha voz não os alcança. Guiai-os e salvai-os para o Céu. Amém!

              Obra dos Santos Anjos.

Os Santos Anjos são os nossos melhores amigos no cumprimento da nossa missão.

São Pedro Fabro SJ († 1546), o grande pregador da Europa no século XVI, nas suas pregações populares, tinha o costume de invocar os Santos Anjos das respectivas cidades e dos países que ia visitar, a fim de que ajudassem no seu apostolado. Não faltaram os milagres...

Também São Pedro Canísio SJ (1521-1597), o apóstolo da Alemanha escreve: “Quem entra pela primeira vez num país ou numa cidade, deve, segundo o exemplo do Pe. Fabro, invocar e venerar os Anjos, os Arcanjos e também os Santos mais conhecidos daquela região, e deve confiar os seus esforços pastorais à sua proteção. Por sua intercessão, Deus vai certamente conceder o Seu auxílio poderoso apesar da própria indignidade (do missionário) ...” (traduzido do livro: B. Schneider, Petrus Canisius. Briefe, Salzburg 1959, p. 217).
São Francisco Xavier SJ, o padroeiro das missões, escreveu numa carta de Goa: “Vivo na firme confiança que Deus há de me conceder a graça da conversão desses países. Entretanto, desconfiando das minhas capacidades, deposito toda minha confiança em Jesus Cristo, na Santíssima Virgem e nos nove coros dos Santos Anjos, de entre os quais escolhi como padroeiro especial o príncipe e protetor da Santa Igreja São Miguel. Não espero pouca coisa desse Arcanjo, a cuja proteção o grande reino japonês foi confiado! Diariamente me recomendo a ele como também a todos os Anjos da Guarda dos japoneses, cuja tarefa é implorar de Deus a sua salvação” (Baroll, Dell’Asia; segundo St. Josephsblatt).

Certa vez, o Beato Papa João XXIII escreveu numa carta a sua sobrinha Irmã Angela Roncali: “O teu nome de religião, que recorda o do teu tio, o de teu bisavô e o de teu irmão, dos quais estes dois últimos já gozam da companhia visível dos Anjos, deve ser para ti um estímulo para manter uma intimidade familiar com o teu Anjo da Guarda e também com todos os Anjos da Guarda das pessoas que conheces e amas, na Santa Igreja e na tua congregação. É um consolo sentir perto de nós este custódio celestial, este guia de nossos passos, esta testemunha de nossos atos mais íntimos. Eu mesmo recito a oração do ‘Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador’ pelo menos cinco vezes por dia e com freqüência converso espiritualmente com ele, sempre com sossego e paz. Quando tenho de visitar alguém importante para tratar assuntos da Santa Sé, peço ao meu Anjo da Guarda para que se ponha de acordo com o dele, para que influencie na sua disposição de ânimo. É uma devoção que nos recomendava muitas vezes o Santo Padre Pio XI e que me é muito frutífera” (Carta de 3.10.1948). Outro fato, pouco conhecido, que teve influência incalculável no destino da Igreja: numa confidência a um Bispo canadense, João XXIII atribui a uma inspiração do seu Anjo da Guarda a idéia de convocar o Concílio Vaticano II (Gabriel C. Galache, Os Anjos, São Paulo 1997, p. 49s).

São José Maria Escrivá, fundador do Opus Dei, foi um grande devoto dos Santos Anjos: “Conquiste o Anjo da Guarda daquele que deseja atrair para sua missão. É sempre um grande cúmplice.” Se tiver presentes o seu Anjo da Guarda e os Anjos dos seus interlocutores, evitará muitas bobagens que escapam na sua conversa” (Gabriel C. Galache, Os Anjos, p. 44).
“O célebre ator italiano Carlo Camopanini contou-me também que tinha mandado o seu Anjo da Guarda de Milão a San Giovanni, em circunstâncias bem penosas. O Padre Pio apareceu-lhe em sonhos no mesmo dia em que ele, Camopanini, lhe enviara o Anjo e deu-lhe esta inesperada resposta, aplicável com toda a precisão ao seu caso: ‘Então não queres compreender que é necessário que sofras e que, se eu te livrar deste sofrimento, te privo de todo o mérito?’ ” (nota 214 in Giovanni P. Siena, Esta é a hora dos Anjos... Pe. Pio e os Anjos, Anápolis 2000, p. 171). Os Santos Anjos são, portanto, nossos melhores amigos no cumprimento da nossa missão.


Cum Sanctis Angelis

terça-feira, 27 de novembro de 2012

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A presença dos Anjos no decorrer da vida de Santa Faustina e a divina Misericórdia, bem como outros atributos de Deus, e sua rejeição na prova dos Anjos

I. A presença dos Anjos no decorrer da vida de Santa Faustina

Santa Faustina recebeu muitas graças especiais de Jesus. Ele, seu divino Redentor e Esposo, e ela eram muito próximos um do outro. Apesar disso, ela não se fechou à presença e à ajuda que recebeu dos Santos Anjos, em particular do seu Anjo da Guarda. Muitas vezes ela se refere a eles em seu Diário. Neste primeiro capítulo queremos apenas demonstrar que os Anjos, bons e maus estavam sempre presentes em sua vida, fazendo parte dela.
Para este trabalho queremos limitar-nos exclusivamente àquilo que sabemos através de sua autobiografia, o Diário – A Misericórdia divina na minha alma, anotações sobre a sua vida interior a partir da entrada no convento.

1. O Anjo da Guarda

Santa Faustina menciona sua chamada à vida religiosa já aos sete anos de idade. Com a ajuda de Jesus consegue seguir sua vocação ao completar dezoito anos (cf. D 7-15). Já tinha amadurecido a consciência de depender totalmente de Deus em sua vida. Por isso, não considera mais nada um “acaso” e está consciente de que deve ver o dedo de Deus atrás das pequenas coisas. Iluminada por ver a Providência divina em tudo, reconhece-a também no fato de ter entrado no convento “na véspera da festa de Nossa Senhora dos Anjos”:

Finalmente chegou o momento em que se abriu para mim o portão do convento - foi no primeiro dia de agosto, à tarde, na véspera de Nossa Senhora dos Anjos. Sentia-me imensamente feliz, parecia que havia entrado
na vida do paraíso. O meu coração só era capaz de uma continua oração de ação de graças. (D 17) Pouco tempo depois disso, anota a Irmã, comentando a respeito de uma visão do Anjo da Guarda, tive problemas de saúde. A prezada Madre Superiora enviou-me, juntamente com duas outras Irmãs, a Skolimov, um pouco fora de Varsóvia, para passar as férias. Nesse tempo perguntei a 119

Nosso Senhor por quem mais deveria rezar? Jesus respondeu-me que na noite seguinte me daria a conhecer por quem deveria rezar. Vi o Anjo da Guarda que me mandou acompanhá-lo... (D 20) Santa Faustina rezou a Deus e Ele lhe respondeu por meio do Anjo da Guarda. Fora então enviado por Deus. Com isso ela aprendeu que tratar com os Anjos da Guarda não ofende a Deus, pois o Anjo, sendo um “Servo do Senhor”, é primeiramente fiel a Ele. Entre os Santos Anjos e Deus não há competição.
O Anjo ajudou a Santa não apenas nos assuntos religiosos, mas também na vida cotidiana. Por exemplo: nas viagens podia verificar várias vezes a visível presença e proteção do seu Anjo da Guarda:

Vi o Anjo da Guarda, que me acompanhou na viagem até Varsóvia e só depois de entrarmos no portão é que desapareceu. […] Em Varsóvia, embarcamos no trem para Cracóvia e novamente vi meu Anjo da Guarda a meu lado, absorvido em oração e contemplando a Deus e o meu pensamento o acompanhava e quando passamos pelo portão do Convento, desapareceu. (D 490)

Parece que a promessa do Senhor nos Salmos tornou-se vida para ela:

Cairão mil ao teu lado e dez mil à tua direita; mas nada te poderá atingir. Basta que olhes com teus olhos, verás o castigo dos ímpios. Pois teu refúgio é o Senhor; fizeste do Altíssimo tua morada. Não poderá te fazer mal a desgraça, nenhuma praga cairá sobre tua tenda. Pois ele dará ordem a seus Anjos para te guardarem em todos os teus passos. Em suas mãos te levarão para que teu pé não tropece em nenhuma pedra. Caminharás sobre a serpente e a víbora, pisarás sobre leões e dragões. (Sl 91(90), 7-14)
 
II. Os Anjos e a Divina Misericórdia

Dirijamos agora a nossa atenção à rica mensagem contida neste Diário, examinando-a pelo prisma da presença e ação dos Anjos aplicando-a à nossa vida.

1. A Misericórdia como atributo de Deus

Uma das características específicas da mensagem de Santa Faustina é o forte destaque que recai sobre a Misericórdia de Deus.

a) Tudo o que existe foi criado pela Misericórdia divina Deus, “rico em Misericórdia”, criou em seu Filho “todas as coisas, no céu e na terra, os seres visíveis e os invisíveis, tronos, dominações, principados, potestades; tudo foi criado por Ele e para Ele” (Cl 1,16).
Santa Faustina afirma várias vezes que os Anjos foram criados pela Misericórdia divina, por conseguinte, a criação toda é atribuída não só à Onipotência divina, mas também à Misericórdia de Deus: Tudo o que existe saiu das entranhas da Minha Misericórdia. (D 699)
Todos os Anjos e homens saíram das entranhas da Vossa Misericórdia. A Misericórdia é a flor do amor. Deus é amor e a Misericórdia, a Sua obra; no amor se concebe, na Misericórdia se manifesta. Tudo que vejo me fala de Sua Misericórdia, até a própria justiça de Deus fala-me da Sua impenetrável Misericórdia, porque a justiça nasce do amor. (D 651) E ainda, numa reflexão explícita sobre a “Infinita bondade de Deus na criação dos Anjos” quando afirma:

Pela Vossa insondável Misericórdia chamais à existência as criaturas... (D 1741)
Se chamo criaturas à existência, é pelo abismo da Minha Misericórdia. (D 85)
 
2. Outros atributos de Deus Santa Faustina observa nos Anjos uma mesma atitude diante de Deus misericordioso e de Deus visto segundo qualquer outro aspecto. Pois não 127 é possível falar de um lado da Face de Deus e ignorar todos os outros atributos.

a) Procura conhecer a Deus Foi o próprio Jesus quem lhe deu a necessária instrução:

Em certo momento estava refletindo sobre a Santíssima Trindade, sobre a essência divina. Queria a todo custo aprofundar-me e conhecer quem é esse Deus... Num momento o meu espírito foi arrebatado como que para o outro mundo; vi uma claridade, que não podia compreender. E dessa claridade saiam palavras em forma de trovão e circundavam o céu e a terra. Não compreendo nada disso, fiquei muito triste. Nesse momento, do mar de claridade inacessível saiu o nosso amado Salvador em beleza inconcebível, com as chagas brilhantes. E daquela claridade ouvia-se esta voz:

‘Como Deus é na Sua essência, ninguém compreenderá, nem a inteligência dos Anjos, nem a humana. Jesus me disse: Procura conhecer a
Deus, refletindo sobre Seus atributos. Após um momento, Nosso Senhor fez o sinal da cruz com a mão e desapareceu. (D 30)Comunica-nos, num texto já referido, a idéia da “participação” dos Anjos nos atributos de Deus:

Vós os tornastes capazes de eterno amor; e, embora os tenhais cumulado, Senhor, tão generosamente com o esplendor da beleza e do amor, em nada diminuiu a Vossa plenitude, ó Deus, nem tampouco aquela beleza e amor Vos completaram, porque Vós sois tudo em Vós mesmo.

Ela conclui assim a reflexão:

E se lhes destes participar da Vossa felicidade e lhes permitis existir e amar-Vos, é unicamente em virtude do abismo da Vossa Misericórdia É em virtude da Vossa inconcebível bondade, que Vos bendizem sem fim, humilhando-se aos pés da Vossa majestade e cantando seus hinos eternos: - “Santo, Santo, Santo”... (D 1741)

Como todos os atributos divinos são apenas expressões da Sua essência, todos eles, por conseguinte, exigem sempre das criaturas a resposta como a Deus mesmo. O tempo do advento era para a Irmã um tempo de graças especiais para estas reflexões. Nesse tempo a liturgia olha para o Deus Uno, conhecido no Antigo Testamento, e conduz o homem a uma revelação maior.

Durante o Advento despertou em meu coração uma grande nostalgia de Deus. O meu espírito ansiava por Deus com toda a força do meu ser. Nesse 128 tempo o Senhor concedeu-me muitas luzes para conhecer seus atributos. (D 180)

Santa Faustina comunica-nos três destas luzes:

O primeiro atributo que o Senhor me deu a conhecer foi a Sua santidade. Essa santidade é tão elevada que tremem diante d’Ele todas as potestades e virtudes [quer dizer, poderes celestiais]. Os espíritos puros cobrem o seu rosto e mergulham em incessante adoração e têm apenas uma palavra para expressar a maior honra, isto é – “Santo”...

O Senhor concedeu-me também o conhecimento do segundo atributo – o da justiça. E esta é tão imensa e penetrante que atinge o fundo do ser e tudo diante d’Ele é manifesto em toda a nudez da verdade e nada Lhe pode resistir.

O terceiro atributo é o Amor e a Misericórdia. E compreendi que o Amor e a Misericórdia é o maior atributo... (D 180; cf. 637)Durante a adoração eu estava recitando o “Deus Santo”, por diversas vezes; então envolveu-me mais vivamente a presença de Deus e fui arrebatada, em espírito, diante da majestade de Deus. E vi como dão glória a Deus os Anjos e os Santos do Senhor. Tão grande é essa glória de Deus que nem quero tentar descrevê-la, porque não conseguiria... (D 1604).


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Fonte: Sapientia Crucis - Titus Kieninger ORC

sábado, 24 de novembro de 2012

Diário de Santa Faustina Kowalska, a Santa da Divina Misericórdia.


A Santa Irmã Faustina Kowalska é uma dessas almas que o Senhor purificou e preparou por fortíssimos sofrimentos e provações para o cumprimento fiel de Sua Vontade. Ela tornou-se instrumento do Seu Amor e missionária da divina Misericórdia: “Ouvi na alma estas palavras, clara e fortemente: prepararás o mundo para a Minha última Vinda” 2. Como a própria Santa foi bem provada em sua vida, assim o serão também os promotores desta missão após ela. Atualmente, retiradas as proibições “relacionadas com a devoção à Misericórdia divina nas formas apresentadas pela S. Faustina Kowalska”3, a devoção à divina Misericórdia, especialmente o “Terço da Misericórdia”, apresentado pela Santa, conta entre as devoções mais difundidas na Igreja. 

Em suas anotações no seu Diário, encontram-se os Anjos bons como auxiliares e intermediários, mas também os anjos maus. Como tinham um lugar na vida de Jesus e na desta Santa – confessa ela: “A minha 
convivência é com os Anjos” (D 1200) –, assim Deus os manda à vida de todos os homens: eles são “espíritos servidores, enviados a serviço daqueles que deverão herdar a salvação” (Hb 1,14), “e protegem cada ser humano” (CIC 352). A missão dos Anjos faz parte do plano da Misericórdia de Deus para com os homens: para colaborar melhor com a Sua Misericórdia. Para mostrar isto, neste pequeno trabalho, seja examinado o Diário pela presença e ação dos Anjos na vida e doutrina de Santa Faustina.

 



O DIÁRIO, escrito em forma de memórias,
relaciona-se com os últimos quatro anos
de vida de Irmã Faustina.
Apresenta a imagem da união dessa alma com Deus,
bem como a profundeza da sua vida espiritual.
O Senhor proporcionou a Irmã Faustina
grandes graças; o dom da contemplação,
o profundo conhecimento do mistério da Misericórdia Divina,
as visões, as revelações, os estigmas ocultos,
o dom de profetizar e de ler nas almas humanas,
bem como o dom raramente encontrado
dos esponsais místicos
(v. Introdução do Diário de santa Irmã Faustina, p. 9).


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2 Santa Maria Faustina KowalsKa, Diário. A Misericórdia divina na minha alma, Apostolado da divina Misericórdia, Curitiba, 37 2010, número 429; esta fonte será sempre citada neste trabalho com a sigla D, seguida do número do Diário, p. ex. D 378; os negritos nas citações são nossos.
3 Diário, p. 480.

Fonte: Sapientia Crucis - Titus Kieninger ORC

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Os Anjos são adoradores de DEUS

Conscientemente devemos imitar o exemplo dos Santos que amavam e invocavam os Santos Anjos.

Os Anjos, em primeiro lugar, são adoradores de Deus

São João Crisóstomo escreveu sobre a presença dos Santos Anjos na celebração do sacrifício da Missa: “Logo que o Sacerdote começa o Sagrado Rito, legiões de espíritos bem-aventurados descem das alturas. Vestidos de branco ofuscante, rodeiam o altar e assistem o mistério grandioso com a fronte inclinada. No momento da Sagrada Comunhão com muito respeito estão em volta do Bispo, dos Sacerdotes e dos Diáconos, que distribuem aos fiéis o precioso Corpo e o sagrado Sangue do Redentor” (St Josephsblatt, no. 12 / setembro 2001). Em Fátima, um Anjo levou a Sagrada Comunhão aos pastorzinhos: Lúcia recebeu a Sagrada Hóstia, os Beatos Jacinta e Francisco receberam o Preciosíssimo Sangue do Cálice das mãos do Anjo.
A Beata Dina Bélanger (Irmã Maria Cecília de Roma RJM, 1897-1929), do Canadá conta na sua autobiografia um fato parecido. Ela estava doente na cama. “Durante a Santa Missa na hora em que a comunidade se aproximava da Sagrada Mesa, recebi a comunhão espiritual. Pareceu-me - isto se realizou por uma imagem no meu espírito - que um Anjo me deu uma Hóstia invisível. Recebi-A como costumava receber a Hóstia da mão do Sacerdote e a minha ação de graças tinha o mesmo caráter de fé e de amor, como se comungasse uma Hóstia visível aos meus olhos.”
Numa certa manhã, no outono de 1923, ela recebeu a graça da presença perceptível da Santíssima Trindade no seu interior. Ela escreve: “Revelou-se para mim a vida da Santíssima Trindade com uma indizível doçura, paz e amor. Não me movi por respeito e gratidão. Senti-me aniquilada no meu nada. Tendo adorado profundamente o meu tesouro, recebi a inspiração de ‘formar uma corte’ para meu Deus. Perguntei a Jesus, a quem Ele desejava na Sua corte. Ele desejava a companhia da Santíssima Virgem, de São José, do meu bom Anjo da Guarda, de Santa Cecília e Santa Terezinha do Menino Jesus, a fim de que estejam ocupados em amá-l’O e em pensar n’Ele incessantemente. Assim, em mim, Ele nunca ficaria esquecido e sozinho, se minha miserável natureza se tornasse uma vítima da distração. Repeti diariamente a pergunta: A quem desejais na Vossa corte? Minha doce Mãe e os padroeiros mencionados sempre estavam aqui, mas nosso Senhor também designava Anjos e Santos para mim... os Santos, que se celebrava no Céu nesse respectivo dia e que se comemorava na Igreja. Finalmente - e já faz tempo - comecei a convidar todo o paraíso, todos os espíritos angélicos e todos os bem-aventurados para formar a corte do meu amado Rei e a permanecer constantemente nela. No entanto, me via pequenina comparada aos belos Querubins, aos irmãos e irmãs que já entraram na eternidade” (Autobiografia, cap. 17).
A beata Rosa Gattorno (1831-1900), italiana, fundadora das Filhas de Sant’Ana fez uma experiência parecida. Ela escreve: “Um dia fui comungar... isto no mês de março de 1875. Não me parecia estar bem preparada, porque me sentia muito mal e pouco podia dizer ao meu bem, apenas oferecer-Lhe o sofrimento que experimentava, mas nutria um certo temor de não poder fazer o agradecimento, enfim, estava muito perturbada; logo que O recebi, vi ao meu lado o Anjo Miguel que, juntamente comigo, fazia o agradecimento e, com as mãos juntas, adorava a Deus. Eu, com esta visão, senti um contentamento...” (M. 4. 3, pág. 29: citado do livro: Filhas de Sant’Ana, O Dom de Deus à Rosa Gattorno, Roma 1994, p. 180s).
Na vida das Beatas Dina e Rosa confirma-se o que já São Paulo escreveu na carta aos Efésios (cf. 1,9s): É vontade do Pai Eterno que todas as coisas sejam unidas em Cristo, as que estão nos céus e as que estão na terra. Deus quer ser glorificado não só por indivíduos, mas pela Igreja unida em Cristo. Nesse sentido, é necessário que nos unamos aos Santos Anjos na adoração de Deus. “A uma só voz” com eles glorificamos a Deus em cada Santa Missa ao rezarmos o “Santo”.

Fonte: Obra dos Santos Anjos.

domingo, 11 de novembro de 2012

Santo Antão


Santo Antão, o pai dos monges


Os padres do deserto também experimentaram muitas vezes que os Anjos são mais numerosos e mais fortes que o inimigo. As suas experiências com os Anjos ensinam-nos a confiança, a perseverança e ainda a clemência para com o próximo. O Maligno quer fazer-nos sentir que o seu poder é terrível e funesto, e com mentiras tenta convencer-nos de que este seu poder é fortíssimo e invencível. É dentro desta mesma linha que ele nos incita a tratarmos os inimigos dura e brutalmente. Os Santos Anjos, porém, não ostentam o seu poder, não enfrentam o inimigo com o seu próprio poder mas, cheios de humildade, opõem-lhes o poder de DEUS que ultrapassa infinitamente qualquer poder criado. Por isso não são os poderosos que no combate espiritual conseguem opor-se ao inimigo e afugentá-lo, mas sim os humildes e pequenos.
Para melhor compreender esta verdade, vejamos agora a vida e os ensinamentos de Santo Antão, o pai dos monges. Antão era filho de uma família abastada; os pais deixaram-lhe uma fortuna considerável. Ao pensar como resolver a sua vida, Antão entrou numa igreja onde, naquele momento, se fazia a leitura do Evangelho sobre o jovem rico. Como que iluminado por um relâmpago (o Anjo!), Antão compreendeu que essa leitura se dirigia a ele. Vendeu tudo o que possuía, deu o produto aos pobres e retirou-se para a solidão do deserto.

sábado, 3 de novembro de 2012

Festa de todos os Santos

 
A Festa de Todos os Santos é uma das mais importantes do ano eclesiástico. É por assim dizer a festa da família da Igreja. Ela, a mãe dos fiéis, veste gala e entoa cânticos de alegria: “regozijemo-nos no Senhor, hoje, por causa da festa de Todos os Santos”, é o convite que faz no Introito da Missa. O ofício desta festa principia com as palavras: “Adoremos ao Rei, ao Senhor dos senhores, que é a coroa de Todos os Santos”. O dia de Todos os Santos convida-nos para lançarmos um olhar às magníficas habitações celestes e contemplarmos as multidões dos Santos, aqueles benditos do Pai, que se acham no reino que lhes foi preparado desde o princípio dos tempos. (Mt. 25,334). “Tédio tenho da terra, quando olho para o céu”, dizia Santo Inácio de Loiola. Não há espetáculo aqui na terra, por mais belo, por mais atraente que seja, que se possa comparar com a magnificência do céu, que hoje se abre à nossa vista. Um dia nos tabernáculos do Senhor, vale mais que mil dias nas tendas dos pecadores. Os nossos olhos encantados vêm os anciãos levantar-se dos tronos e depositar as coroas aos pés do Cordeiro. Exércitos intérminos de Anjos e Arcanjos rodeiam o trono do Altíssimo e entoam cânticos de louvor e de adoração, de uma beleza tal, como os nossos ouvidos jamais perceberam iguais aqui na terra. Milhares e milhares de Santos de todos os povos, de todas as nações, aparecem em vestes imaculadas, com palmas nas mãos e, dobrando os joelhos diante do trono do Altíssimo, em profunda adoração, exclamam: “Assim seja! Louvor e glória, sabedoria e ação de graças, honra e poder... ao nosso Deus em todos os séculos.”

É o grande banquete que o Filho do Rei preparou para os eleitos. Hoje o vemos rodeado dos filhos. Pois todos são filhos, regatados pelo preço do seu sangue. Todos são herdeiros, chamados para com ele reinarem eternamente.

Hoje os vemos na glória, fulgurantes como as estrelas do céu.


A pátria orgulha-se dos seus filhos, dos grandes políticos, dos gloriosos generais, dos imortais cientistas, poetas e artistas. Com justo entusiasmo lhe declina os nomes, e ergue monumentos de granito e bronze à sua memória. À mocidade são apresentados como modelos, dignos de imitação. A Igreja, com muito mais razão que a pátria, se orgulha dos seus filhos, não porque foram grandes só na vida, mas porque receberam o prêmio da vitória, não de mãos humanas, mas das próprias mãos de Deus, e gozam de uma felicidade, que poder nenhum lhes pode arrebatar.

São João Evangelista, a quem foi dado ver a glória do céu, disse: “Eu vi uma grande multidão de todos os povos.” Não compartilharmos da felicidade invejável de S. João, mas com os olhos da fé podemos ver muita coisa que nos encanta, que nos consola e anima. As multidões, que se nos apresentam, quem são? São as almas glorificadas de homens, que, como nós, aqui lutaram e sofreram. A fé apresenta-nos os Santos todos como nossos irmãos, como membros da mesma família, à qual todos nós pertencemos. Como membros desta família, devemo-nos encher de alegria e congratular-nos como os nossos irmãos, que já venceram o mundo, a carne e o demônio, e se acham no lugar onde não há mais lágrimas, tristezas e dor.

Não é só a alegria de que se enche nossa alma: a lembrança do doce mistério da comunhão dos Santos dá-nos coragem e ânimo, para continuar sem desfalecimento na luta, que nos acompanha até a morte. Se a nossa consciência nos dá o consolo de uma vida pura, felizes de nós, porque o lugar nos fica reservado, entre as gloriosas virgens, para cantar a glória do Cordeiro. Se, porém, penosamente nos arrastamos pelo caminho da dor, do arrependimento e da penitência, Santos há, nossos irmãos, que nos acenam animadamente e vem-nos à memória a bela palavra de Santo Agostinho: o que ele conseguiram, será para mim coisa impossível? Os Santos e justos regojizam-se ao verem seus modelos e protótipos como seja: S. João Evangelista, as Santas Inês, Cecília, Catarina, S. Luiz Gonzaga, S. João Berchmans e outros, ao passo que os pobres pecadores se animam e se consolam, vendo as figuras dos grandes penitentes: S. Davi, Santa Maria Madalena, O Bom Ladrão, Santo Agostinho e milhares de outros.

Os Santos orientam-nos na penosa viagem ao céu. Não desdizendo a palavra de Jesus Cristo: “o reino dos céus padece força”, indicam-nos os meios que devemos aplicar para chegar ao porto da salvação. São os mesmos que eles usaram, a saber: a observação dos mandamentos da lei de Deus, a observação da lei da caridade para com o próximo, os mandamentos da lei da Igreja, trabalho, oração, sofrimentos e mortificação. “Tende coragem!” – assim os ouvimos dizer – “o céu é vosso, o céu está perto, vos está garantido.”

Desta maneira, a festa de Todos os Santos é para nós um dia de alegria, de consolo e de animação. Os Santos foram o que somos: lutadores e muitos entre eles, pecadores. Seremos o que eles são: “Benditos do Pai.” Guardemos a esperança dos céus. “Quem tem esta esperança, santifica-se.” (Jo. 3,3) “Creio na vida eterna.” Na luta, na dor, no desanimo e na tribulação, lembremo-nos da glória que nos espera. Daqui há pouco tudo está acabado e poderemos praticamente, em nós mesmos, experimentar a verdade da palavra de São Paulo, quando disse: “olho algum viu, ouvido algum ouviu, nem jamais veio à mente do homem o que Deus preparou para aqueles que o amam.” (1Cor. 2,9)
 
Fonte: Emilio Angueth de Araujo  - Blog Angueth

A sua vitória sobre os espíritos malignos


Os demônios que nele reconheceram um possível adversário muito perigoso, oprimiam-no de todas as maneiras. Começaram por perturbá-lo com pensamentos da riqueza distribuída ("A avareza é a raiz de todo o mal"). A seguir inquietaram-no com a preocupação pela sua irmã e com pensamentos de vanglória e de comodidade. Vendo que tudo isto em nada desviava o jovem do caminho escolhido, tentaram-no com fantasias sobre a dureza de uma vida virtuosa e abnegada, não deixando de aludir à fraqueza física e à duração de tal penitência (cf. Santo Atanásio, Vida de Santo Antão, cap. 5). O inimigo, forçado a fugir por causa da constância do Santo, pegou em armas mais fortes e voltou a perturbá-lo dia e noite com tentações sensuais. Encontrando-se numa luta semelhante, o Pe. Pio declarou: "Por todo o género de imagens enganadoras, o inimigo procura fazer penetrar no meu coração pensamentos impuros e desespero" (Cartas I,33). "O demônio não cessa de me insuflar os seus argumentos, e o que é ainda mais doloroso é que me inspira constantemente pensamentos de grande desalento" (Cartas I,87). Foi pela oração, pelo jejum e pela meditação da Paixão de CRISTO e dos tormentos do inferno, que Santo Antão repeliu os ataques do diabo: Pela graça de DEUS sou o que sou! (1 Cor 15,10). Depois destas seduções, o tentador procurou vencê-lo com a lisonja e a ambição. Mas Santo Antão também a isto reagiu humilhando-se: O Senhor é para mim ajuda válida, verei humilhado o meu inimigo (Sl 118,7).
Mesmo depois estas vitórias, Antão não afrouxou na oração e na disciplina. Antes se impôs um jejum mais rigoroso e penitências mais duras. Nem teve medo de enfraquecer o seu corpo, sabendo que quando me sinto fraco, então é que sou forte (2 Cor 12,10).
"O maligno não aguentou mais essa resistência, receando que Antão em breve enchesse todo o deserto com a sua ascese. Por isso, uma noite, foi ter com ele levando consigo todo um exército de demónios, que bateram tão fortemente no santo que este, emudecido pela dor, ficou caído por terra" (Atanásio, Vida de Santo Antão, cap.8). Por intervenção divina chegaram uns amigos que levaram o ferido consigo para a cidade e cuidaram dele. Mas acordando por volta da meia-noite, Antão suplicou aos seus amigos que o levassem novamente para a sua cela no deserto.
De novo já lá sozinho, começou a rezar e, embora não conseguisse aguentar-se de pé, desafiou os demônios gritando: "Aqui estou de novo, eu, Antão; não receio os vossos golpes; mesmo se vierdes para me atormentar mais, nada me separará do amor de CRISTO (cf. Rom 8,25). A seguir entoou o Salmo: 'Ainda que um exército acampe contra mim, o meu coração não temerá' (27,3)" (ibid. cap. 9). Seguiu-se então uma noite cheia de um barulho infernal e os demónios torturaram-no de todas as maneiras possíveis, aparecendo-lhe em figura de vários animais horríveis. Mas Antão, que pusera toda a sua confiança no Senhor, saiu vitorioso daquela batalha. Por fim, DEUS inundou-o da Sua luz; os demónios fugiram e a dor foi aliviada. "'Onde estáveis? Porque não viestes no início para pôr fim aos meus tormentos?' perguntou o Santo. Uma voz respondeu-lhe: 'Antão, Eu estava aqui, mas esperei para ver como lutavas. Porque venceste sem seres derrotado, ajudar-te-ei sempre e espalharei a tua fama por toda a parte'" (ibid. cap. 10).


Fonte: Obra dos Santos Anjos

sexta-feira, 2 de novembro de 2012