Em união com todos os Santos Anjos

"Sanctus, Sanctus, Sanctus. Dóminus, Deus Sábaoth Pleni sunt caeli et terra Glória tua. Hosánna in excélsis. Benedíctus, qui venit In nómine Dómini, Hosánna in excélsis.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A FIGURA DA PREPARAÇÃO: JOÃO BATISTA






Isaías está presente em João Batista, como João Batista está presente naquele a quem preparou o caminho e que dirá dele: "Não surgiu entre os nascidos de mulher outro maior que João Batista".

São Lucas nos conta com detalhe o anúncio do nascimento de João (Lc 1, 5-25).

Esta estranha entrada em cena de um ser que se tornará um dos mais importantees da realização dos planos divinos é muito do estilo do Antigo Testamento. Todos os seres vivos deviam ser destruídos pelo dilúvio, mas Noé e os seus foram salvos na arca. Isaac nasce de Sara, já em idade avançada para dar à luz. Davi, jovem e sem técnica de combate, derruba Golias.

Moisés, futuro guia do povo de Israel, é encontrado em uma cesta (designada em hebraico com a mesma palavra que arca) e salvo da morte. Desta maneira, Deus quer destacar que Ele mesmo toma a iniciativa da salvação de seu povo.

O anúncio do nascimento de João é solene. Realiza-se no marco litúrgico do templo.

Desde a designação do nome do menino, "João", que significa "Yahvé é favorável", tudo é concreta preparação divina do instrumento que o Senhor elegeu.

Sua chegada não passará despercebida e muitos se alegrarão com seu nascimento (Lc 1, 14); abster-se-á de vinho e bebidas embriagantes, será um menino consagrado e, como prescreve o livro dos Números (6, 1), não beberá vinho nem licor fermentado. João já sinal de sua vocação de asceta. O Espírito habita nele desde o seio de sua mãe. A sua vocação de asceta une-se à guia de seu povo (Lc 1, 17).

Precederá o Messias, papel que Malaquias (3, 23) atribuia a Elias. Sua circuncisão, fato característica, mostra também a eleição divina: ninguém em sua parentela tem o nome de João (Lc 1, 61), mas o Senhor quer que seja chamado assim mudando os costumes. O Senhor é quem o escolheu, é ele quem dirige tudo e guia seu povo.



Benedictus Deus Israelei

O nascimento de João é motivo de um admirável poema que, por sua vez, é ação de graças e descrição do futuro papel do menino. A Igreja canta esta poema todos os dias no final das Laudes reavivando sua ação de graças pela salvação que Deus lhe deu e em reconhecimento porque João continua mostrando-lhe "o caminho da paz".

João Batista é sinal da irrupção de Deus em seu povo. O Senhor o visita, o livra, realiza a aliança que havia prometido.

O papel do precursor é muito precioso: prepara os caminhos do Senhor (Is 40, 3), dá a seu povo o "conhecimento da salvação.Todo o afã especulativo e contemplativo de Israel é conhecer a salvação, as maravilhas do desígnio de Deus sobre seu povo. O conhecimento dessa salvação provoca nele a ação de graças, a benção, a proclamação dos benefícios de Deus que se expressa no "Bendito seja el Senhor, Deus de Israel".

Esta é a forma tradicional de oração de ação de graças que admira os desígnios de Deus. Com estes mesmos termos o servidor de Abraão bendiz a Yahvé (Gn 24, 26). Assim também se expressa Jetró, sogro de Moisés, reagindo ao admirável relato do que Yahvé havia feito para livrar Israel dos egípcios (Ex 18, 10). A salvação é a remissão dos pecados, obra da misericordiosa ternura de nosso Deus (Lc 1, 77-78).

João deverá, pois, anunciar um batismo no Espírito para remissião dos pecados. Mas este batismo não terá apenas esse efeito. Será iluminação. A misericordiosa ternura de Deus enviará o Messias que, segundo duas passagens de Isaías (9, 1 e 42, 7), retomadas por Cristo (Jo 8, 12), "iluminará os que jazem entre as trevas e sombra da morte" (Lc 1, 79).O papel de João, "preparar o caminho do Senhor". Ele o sabe e designa a si mesmo, referindo-se a Isaías (40, 3), como a voz que clama no deserto: "Preparai o caminho do Senhor". Mais positivamente ainda, deverá mostrar àquele que está no meio dos homens, mas que estes não o conhecem (Jo 1, 26) e a quem chama, quando o vê chegar: "Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (Jo 1, 29).João corresponde e quer corresponder ao que foi dito e previsto sobre ele. Deve dar testemunho da presença do Messias. O modo de chamá-lo indica que o l Messias representa para ele: é o "Cordeiro de Deus”.

O Levítico, no capítulo 14, descreve a imolação do cordeiro em expiação pela impureza legal. Ao ler esta passagem, João, o evangelista, pensa no servidor de Yahvé, descrito por Isaías no capítulo 53, que carrega sobre si os pecados de Israel. João Batista, ao mostrar a Cristo a seus discípulos, o vê como a verdadeira Páscoa que supera a do Êxodo (12, 1) e da qual o universo obterá a salvação.Toda a grandeza de João Batista vem de sua humildade e ocultamento: "É preciso que ele cresça e que eu diminua" (Jo 3, 30).



Todos verão a salvação de Deus

O sentido exato de seu papel, sua vontade de ocultamento, fizeram do Batista uma figura sempre atual através dos séculos. Não se pode falar dele sem falar de Cristo, mas a Igreja não lembra nunca a vinda de Cristo sem lembrar do Precursor. O Precursor não está unido apenas à vinda de Cristo, mas também à sua obra, que anuncia: a redenção do mundo e sua reconstrução até a Parusia. Todos os anos a Igreja nos faz atual o testemunho de João e de sua atitude frente a sua mensagem. Deste modo, João está sempre presente durante a liturgia de Advento. Na realidade, seu exemplo deve permanecer constantemente diante dos olho das Igreja. A Igreja, e cada um de nós nela, tem com missão preparar os caminhos do Senhor, anunciar a Boa Notícia. Mas recebê-la exige a conversão. Entrar em contato com Cristo supõe o desprendimento de si mesmo. Sem esta ascese, Cristo pode estar no meio de nós sem ser reconhecido (Jo l, 26).

Como João, a Igreja e seus fiéis têm o dever que não cobrir a luz, mas de dar testemunho dela (Jo 1, 7). A esposa, a Igreja, deve ceder o posto ao Esposo. Ela é testemunho e deve ocultar-se diante daquele a quem testemunha. Papel difícil o estar presente no mundo, firmemente presente até o martírio. como João, sem impulsionar uma "instituição" em vez de impulsionar a pessoa de Cristo. Papel missionário sempre difícil o de anunciar a Boa Notícia e não uma raça, uma civilização, uma cultura ou um país: "É preciso que ele cresça e que eu diminua" (Jo 3, 30). Anunciar a Boa Notícia e não uma determinada espiritualidade, uma determinada ordem religiosa, uma determinada ação católica especializada; como João, mostrar a seus próprios discípulos onde está para eles o "Cordeiro de Deus" e não cercá-los como se fôssemos nós a luz que vai iluminá-los.Esta deve ser uma lição sem presente e necessária, bem como a da ascese do deserto e a do recolhimento no amor para dar melhor testemunho.

A eloquência do silêncio no deserto é fundamental a todo verdadeiro e eficaz anúncio da Boa Notícia. Origens escreve em seu comentário sobre São Lucas (Lc 4): Quanto a mim, penso que o mistério de João realiza-se no mundo ainda hoje". A Igreja, na realidade, continua o papel do Precursor; nos mostra Cristo, nos encaminha à vinda do Senhor.Durante o Advento, a grande figura do Batista apresenta-se viva para nós, homens do século XX, a caminho do dia de Cristo. O próprio Cristo, retomando o texto de Malaquias (3,1), fala-nos de João como "mensageiro" (4); João designa a si mesmo como tal. São Lucas descreve João como um pregador que chama à conversão absoluta e exige a renovação: "Que os vales se levantem, que montes e colinas se abaixem, que o torcido se endireite, e o escabroso se iguale. Será revelada a glória do Senhor e todos os homens a verão juntos". Assim se expressava Isaías (40, 5-6) em um poema tomado por Lucas para mostrar a obra de João. Trata-se de uma renovação, de uma mudança, de uma conversão que reside, sobre tudo, em um esforço para voltar à caridade, ao amor aos demais (Lc 3, 10-14).

Lucas resume em uma frase toda a atividad de João:

"Anunciava ao povo a Boa Notícia" (Lc 3, 18).

Preparar os caminhos do Senhor, anunciar a Boa Notícia, é o papel de João e ele nos exorta a que nós desempenhemos.

Hoje, este papel não é mais simples nos tempos de João e incumbe a cada um de nós.

O martírio de João teve sua orgime na franca honestidade com que denunciou o pecado.

João Batista anunciou o Cordeiro de Deus. Foi o primeiro a chemar Cristo desta maneira.

Citemos aqui o belo Prefácio introduzido em nossa liturgia para a festa do martírio de São João Batista, que resume admiravelmente sua vida e seu papel:

"Porque ele saltou de alegria no ventre de sua mãe, ao chegar o Salvador dos homens, e seu nascimento foi motivo de alegria para muitos. Ele foi escolhido entre todos os profetas para mostrar às pessoas o Cordeiro que tira o pecado do mundo. Ele batizou no Jordão o autor do batismo, e a água viva tem desde então poder de salvação para os homens. E ele deu, por fim, seu sanguee como supremo testemunho do nome de Cristo".

Fonte: acidigital.com