Em união com todos os Santos Anjos

"Sanctus, Sanctus, Sanctus. Dóminus, Deus Sábaoth Pleni sunt caeli et terra Glória tua. Hosánna in excélsis. Benedíctus, qui venit In nómine Dómini, Hosánna in excélsis.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A prova de São José.



O Anjo do Senhor acampa em redor dos que o temem, e os salva. Sal 33, 8



No momento em que São José vem a saber que MARIA, sua esposa, estava grávida, começa a sua provação. Esta reacção podia ser mal interpretada se não for vista à luz da extraordinária virtude de São José. O evangelista não afirma tão somente que José era um homem justo, em geral, mas acentua ainda, como a qualidade de perfeita justiça estava a base da decisão que ele tomou: José, que era homem justo, resolveu deixá-la secretamente. São João Crisóstomo diz que por 'um homem justo', Mateus refere-se àquele que é virtuoso em tudo" (Tomás de Aquino, Catena Aurea, em Mt 1,19).


Os dados que São Lucas nos proporciona a respeito da relação entre José e MARIA, sugerem claramente que as considerações de José transcorriam, de facto, num plano muito elevado. Lucas dá-nos a entender que José conhecia e aceitava a decisão de MARIA de querer permanecer virgem. Para poder contrair matrimónio validamente, MARIA estaria sem dúvida obrigada a manifestar ao seu esposo a sua intenção de permanecer como uma virgem consagrada a DEUS. Prova de que ela fez isto, é a resposta que deu ao Anjo Gabriel, logo que este lhe anunciou que ia ter um filho: Como será isso, se eu não conheço homem? (Lc 1,34). Ao falar no presente, "não conheço homem", está a dar à sua declaração um sentido absoluto. A situação não é simplesmente assim, que não conhecesse nenhum possível esposo, pois já está comprometida com José. Melhor, a sua declaração evidencia a intenção de permanecer sempre virgem.

O facto de José aceitar contrair este matrimónio virginal, diz-nos muito acerca da sua profunda vida interior. Se ele mesmo não tivesse sido totalmente casto, não teria podido superar a cultura judaica, a qual via numa descendência numerosa a bênção de DEUS e na esterilidade o estigma duma maldição divina. Com um enorme amor virginal foi capaz de renunciar ao natural amor matrimonial que funda e nutre uma família (cf. Redemptoris Custos = RC, 26).

Não é que São José tivesse posto em dúvida a integridade da Santíssima Virgem, mas, antes, o próprio mistério em si que se abria diante do seu olhar, que o pôs a provação terrível. São Jerónimo assinala a este respeito que "isto pode ser considerado um testemunho a favor de MARIA; que José, convencido da sua pureza na expectativa daquilo que ia passar, cobriu com o seu silêncio aquele mistério que não alcançava explicar" (Tomás de Aquino, Catena Aurea, em Mt 1,19). A que mistério se refere? Remígio explica: "Ele percebeu que estava grávida aquela que ele sabia que era casta. E já que ele tinha lido: "Da raiz de Jessé crescerá um rebento" (ele sabia que MARIA era da tribo de Jessé), e: "Olhai, a Virgem conceberá", não duvidou que esta profecia haveria de cumprir-se n'Ela (ibid.). Sendo, além disso, o primeiro varão que estava comprometido com uma virgem consagrada a DEUS, é compreensível que José, dadas as coincidências a respeito das circunstâncias, pensasse na profecia do nascimento virginal.

Porque é que isto o afligiu tanto, que até decidiu repudiar MARIA? Em resposta a esta pergunta, Orígenes diz: "E já que ele não tinha nenhuma suspeita contra ela, como poderia então ser um homem justo e, não obstante, decidir repudiar em segredo a que era Imaculada? Pensou em repudiá-la, pois viu n'Ela um grande mistério, perante o qual se considerava indigno" (ibid.).

Diz um verso: "Era justo por causa da sua fé, sendo que acreditava que o CRISTO nasceria duma virgem. Por isso desejou humilhar-se diante de uma graça tão grande" (ibid.).

Com base nesta exegese, São Tomás diz que José tinha lido as profecias de Isaías (cf. 7,14 e 11,1), e, dado que sabia que MARIA descendia da família de David (Jessé), estava "mais inclinado a acreditar que a dita profecia se cumpriria n'Ela, a acreditar que ela cometesse adultério. E como se sentia indigno de coabitar com tal santidade, quis repudiá-la em segredo, à semelhança de Pedro, que disse: "Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador!" (Lc 5,8)" (Sobre Mateus I, n. 117).

Lallement, resumindo, diz: "Consciente de ser o esposo comprometido de MARIA, José, com uma atitude sobrenatural, discorreu sobre a questão que se lhe apresentava: ele não via que tivesse mais alguma missão ao lado de MARIA, pois n'Ela se estava a manifestar um mistério que o superava completamente. Ele também não acreditava que tinha o direito de revelar este mistério. Por isso considerou deixar livre MARIA, da maneira mais prudente: "José, que era justo, resolveu deixá-la secretamente" (ibid.).