Em união com todos os Santos Anjos

"Sanctus, Sanctus, Sanctus. Dóminus, Deus Sábaoth Pleni sunt caeli et terra Glória tua. Hosánna in excélsis. Benedíctus, qui venit In nómine Dómini, Hosánna in excélsis.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

22 de maio - Santa Rita de Cássia, rogai por nós.



Santa Rita de Cássia foi uma filha obediente, esposa fiel e maltratada, mãe, viúva, religiosa, estigmatizada e uma das mais importantes santas da Igreja. Experimentou muitas coisas na sua vida, entre decepções, dores, sofrimentos, a glória dos sinais maravilhosos e dos milagres de Deus, a santidade e experiências místicas profundas... Mas o seu coração estava sempre voltado somente para Cristo. 

Na região de Cássia, península de Úmbria, no meio das montanhas da região central da Itália, numa época marcada por guerras, terremotos, conquistas e revoltas, em que os desentendimentos entre nações, cidades e até vizinhos eram uma constante do dia-a-dia, vivia um casal de cristãos profundamente devotos, tanto que eram conhecidos como "Pacificadores de Cristo" na região. Antonio Mancini e Amata Ferri eram constantemente chamados para apaziguar querelas e problemas entre vizinhos, e a paz fazia-se pelas suas palavras. Gozavam de grande prestígio e autoridade no meio daquela gente por causa de suas virtudes. Ocupavam-se diariamente em visitar os mais necessitados, levando ajuda espiritual e material. Para que sua felicidade fosse completa, porém, faltava ao casal um filho que estreitasse ainda mais o seu amor. 

Apesar da idade avançada de Amata, eles não deixaram de confiar em Deus, até que o Senhor atendeu às suas preces: em maio de 1381, veio ao mundo esta alma admirável, que foi batizada em Santa Maria dos Pobres, em Cássia, porque o pequeno povoado de Roccaporena, onde viviam, somente passou a ter uma pia batismal em 1720. 

Consta de sua biografia que o nascimento de Santa Rita foi precedido por sinais, e o nome Rita, - diminutivo de Margarida (Margherita, em italiano), - foi revelado em visões por um anjo. E desde cedo verificou-se que Rita não era uma bebê qualquer. Quando Antônio e Amata iam trabalhar nos campos, colocavam sua filhinha em um cesto de vime que levavam, e abrigavam-na à sombra das árvores. Numa célebre passagem de sua vida, um dia, quando dormia em seu cesto, um grande enxame de abelhas brancas a envolveu, produzindo um zumbido especial. Muitas delas entravam em sua boca e aí depositavam mel, sem a ferroar, como se não tivessem ferrões. Nenhum gemido da criança aconteceu para chamar a atenção de seus pais; ao contrário, a pequena Rita dava gritinhos de alegria. 

Enquanto isso, um lavrador que estava próximo feriu-se com uma foice, recebendo um grande talho na mão direita. Dirigindo-se imediatamente para Cássia a fim de receber os necessários cuidados médicos, ao passar perto da criança viu as abelhas que zumbiam ao redor de sua cabeça. Parou e agitou as mãos para livrá-la do enxame; no mesmo instante, sua mão parou de sangrar e o ferimento se fechou! 

As abelhas, capítulo à parte 

O enxame, disperso, retomaria mais tarde o seu papel: quando Rita foi para o Mosteiro de Cássia, as abelhas alojaram-se nas paredes do jardim interno. E durante duzentos anos após a morte de Santa Rita, ocorreu algo extraordinário: as abelhas brancas surgiram das paredes do mosteiro durante a Semana Santa de cada ano, permanecendo até á festa de Santa Rita, em 22 de maio, voltando à sua inatividade até à Semana Santa do ano seguinte. Até hoje as marcas das abelhas podem ser vistas nas paredes do Mosteiro de Cássia. 

O Papa Urbano VIII, ao ter conhecimento do fato, pediu que lhe levassem uma das abelhas a Roma. Depois de a analisar, colocou-lhe um fio de seda e libertou-a. A abelha regressou ao mosteiro de Cássia, a mais de 100 quilômetros de distância. Este fato é relatado por todos os biógrafos da santa e transmitido pelas tradições e pinturas, que unanimemente a ele se referem. A Igreja, tão exigente para aceitar as devoções, insere esta circunstância nas lições do Breviário. 

A vida de Santa Rita 


Os pais de Santa Rita, sem nunca terem aprendido a ler e a escrever, ensinaram-lhe tudo sobre a vida de Jesus Cristo, a Virgem Maria e os santos. Para ela, o único livro era o crucifixo. Queria seguir a vida religiosa, mas seus pais, de idade avançada, escolheram-lhe um esposo, Paolo Ferdinando, com quem ela se casou para fazer a vontade dos pais. 

Este casamento não foi feliz. Paolo era um homem dado à bebida, violento e abusador. Santa Rita foi-lhe fiel durante toda a sua vida de casada, sofrendo em silêncio e isolando-se para rezar. Deu à luz gêmeos, os quais herdaram do pai o temperamento. 

Então, depois de vinte anos de casamento e oração da parte de Santa Rita, seu marido finalmente converteu-se e pediu-lhe perdão, prometendo mudar de comportamento. Ela perdoou-o e Paolo passou a companhá-la na oração. Mas esta felicidade foi efêmera: os inimigos do marido continuavam os mesmos; uma noite, Paolo não regressou a casa e Santa Rita esperou o pior. O marido havia sido assassinado, aparecendo o corpo na manhã seguinte. 

Os filhos juraram vingar a morte do pai e as súplicas de Santa Rita não lhes faziam mudar de ideia. Como salvar suas almas era mais importante do que viver muito tempo neste mundo, Santa Rita rogou a Deus que salvasse as almas dos seus filhos antes que eles se perdessem por toda a eternidade no pecado mortal de um assassinato. Deus respondeu ao seu apelo, e ambos os filhos faleceram de uma doença mortal. Santa Rita sofreu muito, mas ficou convencida de que eles estavam no Céu, juntamente com seu pai. 

Ao ver-se sozinha, não se deixou vencer pela tristeza e pelo sofrimento. Decidiu retomar sua antiga vocação e entrar para o Convento das Irmãs Agostinianas, tarefa que não foi fácil. As Irmãs não a queriam, porque tinha sido casada. Assim, Santa Rita voltou-se novamente para Cristo através da oração. 

Ela transformou sua casa num claustro, onde rezava diariamente as orações habituais das religiosas. Numa noite, enquanto dormia, ouviu três fortes batidas à sua porta, e chamar o seu nome por três vezes. Abriu então a porta, e ali estavam Santo Agostinho, São Nicolau de Tolentino e São João Batista, de quem ela era devota desde pequena! Eles pediram a Santa Rita que os seguisse e, depois de percorrer as ruas de Roccaporena, no pico de Scoglio, onde ela ia sempre rezar, sentiu que a levantavam no ar e a empurravam suavemente para Cássia. Viu-se então por cima do Mosteiro de Santa Maria Madalena, em Cássia. Nesse momento, caiu em êxtase. 

Quando saiu desse estado, encontrou-se dentro do Mosteiro. Testemunhas do milagre, as irmãs agostinianas e a madre superiora não puderam negar a sua entrada para a congregação. Foi finalmente admitida, e professou a sua fé nesse mesmo ano de 1417. Assim viveu 40 anos de consagração total a Deus. 

Durante o seu primeiro ano, Santa Rita foi posta à prova. Foi-lhe dada uma passagem das Sagradas Escrituras (a do jovem rico) para que ela meditasse, e ela sentiu tocar seu coração as palavras "Se queres ser perfeita...". Foi-lhe também imposto pela madre superiora, como prova de obediência, que regasse todos os dias uma videira seca. Sem esboçar resistência, ela todos os dias aguava com dedicação aquele galho seco fincado ao chão, sem vida há muitos anos. Assim continuou até que, numa manhã, viram que a planta tinha germinado e se tornado novamente uma frutífera videira! Essa videira deu uvas, que foram usadas para o Vinho Sacramental, e até hoje continua viva e dando frutos. 

Santa Rita meditava muitas horas sobre a Paixão de Cristo: os insultos, as rejeições, a ingratidão que sofreu até o Calvário, os açoites, a flagelação, a terrível morte na cruz... Durante a Quaresma de 1443, um pregador de nome Santiago Monte Brandone foi à Cássia, e fez ali um sermão sobre a Paixão de Cristo que tocou profundamente Santa Rita. Ao regressar ao Mosteiro, ela pediu fervorosamente a Deus para participar nos sofrimentos de Cristo Crucificado. Recebeu, então, o estigma da marca da Coroa de Espinhos em sua testa. 

A maior parte dos santos que receberam esse Dom exalavam uma fragrância celestial. As chagas de Santa Rita, pelo contrário, exalavam um odor pavoroso, de tal modo que a santa, a partir daí, foi isolada de todos. Viveu então sozinha, durante 15 anos, longe das suas irmãs. Mas, quando ela quis ir à Roma, assistir ao Primeiro Ano Santo, foi-lhe dada uma trégua no estigma. Durante todo o tempo de sua peregrinação, o estigma da cabeça desapareceu. Ao regressar ao Mosteiro, porém, logo reapareceu, e ela foi isolada novamente. 


No leito de morte, Santa Rita pediu a Deus que lhe enviasse um sinal que mostrasse que seus filhos estavam no Céu. Em meados do inverno, recebeu uma rosa do jardim perto da sua casa, em Roccaporena. Pediu, ainda, um segundo sinal, e desta vez recebeu um figo do jardim da mesma casa, no final do inverno. 

Os últimos anos da sua vida foram de expiação. Uma doença grave manteve-a imóvel em sua cama durante quatro anos. Ela observou o seu corpo ser consumido pela doença em paz, mantendo sempre a confiança inabalável em Deus. Faleceu em 22 de maio de 1457. A ferida do estigma na testa desapareceu, dando lugar a uma mancha vermelha, que exalava uma fragrância extremamente agradável. 


Devia ter sido velada no Convento, mas acorreu tanta gente para se despedir que acabou por ser velada na igreja. Ali permaneceu seu corpo, e a fragrância nunca desapareceu. Por essa razão, nunca a enterraram. O caixão de madeira original foi substituído por um de cristal, que foi exposto para veneração dos fiéis desde então. Multidões se deslocam em peregrinação para honrar Santa Rita de Cássia e pedir a sua intercessão perante o seu corpo, que permanece ainda hoje preservado da corrupção. 


Santa Rita foi canonizada pelo papa Leão XIII aos 24 de maio de 1900. Nas imagens, é representada com uma mancha vermelha na cabeça, como símbolo do estigma que sofreu, e com um crucifixo nas mãos, seu único livro para tudo, símbolo daquele que foi seu único Mestre. Santa Rita de Cássia é chamada Santa dos Impossíveis: uma grande alma colocada no mundo como instrumento da Misericórdia de Deus em favor da humanidade sofredora.