Em união com todos os Santos Anjos

"Sanctus, Sanctus, Sanctus. Dóminus, Deus Sábaoth Pleni sunt caeli et terra Glória tua. Hosánna in excélsis. Benedíctus, qui venit In nómine Dómini, Hosánna in excélsis.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Os Anjos

CRIADOR DAS COISAS "INVISÍVEIS": OS ANJOS


Audiência do dia 30 de julho de 1986
(Publicada no L'OSSERVATORE ROMANO, ed. port., no dia 3 de agosto de 1986.)



1. No Credo proclamamos e confessamos Deus criador não só de todo o mundo criado, mas também das "coisas invisíveis", e tratamos o argumento da existência dos anjos chamados a declarar-se por Deus ou contra Deus com um ato radical e irreversível de adesão ou de rejeição da sua vontade de salvação.

Ainda segundo a Sagrada Escritura, os anjos, enquanto criaturas puramente espirituais, apresentam-se à reflexão da nossa mente como uma especial realização da "imagem de Deus", Espírito perfeitíssimo, como Jesus mesmo recorda à samaritana com as palavras: "Deus é espírito" (Jo 4,24). Os anjos são, sob este ponto de vista, as criaturas mais próximas do modelo divino. O nome que a Sagrada Escritura lhes atribui indica que aquilo que mais conta na Revelação é a verdade acerca das tarefas dos anjos em relação aos homens: anjo (angelus) quer dizer, com efeito, "mensageiro". O hebraico "malak", usado no Antigo Testamento, significa mais propriamente "delegado" ou "embaixador". Os anjos, criaturas espirituais, têm função de mediação e de ministério nas relações mantidas entre Deus e os homens. Sob este aspecto, a Carta aos Hebreus dirá que a Cristo foi dado um "nome", e por conseguinte um ministério de mediação, muito mais excelso que o dos anjos (cf. Hb 1,4).

2. O Antigo Testamento salienta sobretudo a especial participação dos anjos na celebração da glória que o Criador recebe como tributo de louvor da parte do mundo criado. São de modo especial os Salmos que se fazem intérpretes desta voz, quando, por exemplo, proclamam:

"Louvai o Senhor, do alto dos céus,
Louvai-O nas alturas do firmamento.
Louvai-O, Vós todos os Seus anjos..." (SI 148,1-2).
E de modo idêntico o Salmo 102(103):
"Bendirei o Senhor, Vós todos os Seus anjos,
Que sois poderosos em força, que cumpris as Suas ordens,
sempre dóceis à Sua palavra" (Sl 102/103,20).

Este último versículo do Salmo 102 indica que os anjos tomam parte, do modo que lhes é próprio, no governo de Deus sobre a criação, como "poderosos"...que cumprem as suas ordens segundo o plano estabelecido pela Divina Providência. Em particular estão confiados aos anjos um cuidado especial e solicitude pelos homens, em nome dos quais apresentam a Deus os seus pedidos e as suas orações, como nos recorda, por exemplo, o Livro de Tobias (cf. especialmente Tb 3,17 e 12,12), enquanto o Salmo 90 proclama:

"Mandou os Seus anjos....Eles te levarão nas suas mãos,
Para que não tropeces em pedra alguma" (cf. SI 90/91,11-12).

Seguindo o Livro de Daniel pode-se afirmar que as tarefas dos anjos, como embaixadores do Deus vivo, abrangem não só os homens individualmente e aqueles que têm especiais tarefas, mas também nações inteiras (Dn 10,13-21).

3. O Novo Testamento põe em realce as tarefas dos anjos em relação à missão de Cristo como Messias, e primeiro que tudo em relação ao mistério da encarnação do Filho de Deus, como verificamos na descrição do anúncio do nascimento de João, o Batista (cf. Lc 1,11), na do próprio Cristo (cf. Lc 1,26), nas explicações e disposições dadas a Maria e a José (cf. Lc 1,30-37; Mt 1,20-21), nas indicações dadas aos pastores na noite do nascimento do Senhor (cf. Lc 2,9-15), na proteção ao recém-nascido perante o perigo da perseguição de Herodes (cf. Mt 2,13).

Mais adiante os Evangelhos falam da presença dos anjos durante os 40 dias de jejum de Jesus no deserto (cf. Mt 4,11) e durante a oração no Getsêmani (Lc 22,43). Depois da ressurreição de Cristo será ainda um anjo, sob a aparência de um jovem, que dirá às mulheres que tinham ido ao sepulcro e ficaram surpreendidas por o encontrar vazio: "Não vos assusteis. Buscais a Jesus de Nazaré, o crucificado. Ressuscitou, não está aqui... Ide, pois, dizer aos Seus discípulos..." (Mc 16,5-7). Dois anjos foram vistos também por Maria Madalena, que é privilegiada com uma aparição pessoal de Jesus (Jo 20,12-17; cf. também Lc 24,4). Os anjos "apresentam-se" aos apóstolos depois de Cristo desaparecer, para lhes dizer: "Homens da Galiléia, por que estais assim a olhar para o céu? Esse Jesus, que vos foi arrebatado para o Céu, virá da mesma maneira, como agora O vistes partir para o Céu" (At 1,10-11). São os anjos da vida, da paixão e da glória de Cristo. Os anjos daquele que, como escreve São Pedro, "subiu ao Céu, e está sentado à direita de Deus, depois de ter recebido a submissão dos anjos, dos principados e das potestades" (1 Pd 3,22).

4. Se passamos à nova vinda de Cristo, isto é, à "Parusia", encontramos que todos os sinópticos narram que "o Filho do Homem virá na glória de Seu Pai, com os santos anjos" (tanto Mc 8,38; como Mt 16,27; e Mt 25,31 na descrição do juízo final; e Lc 9,26; cf. também São Paulo, 2 Ts 1,7). Pode-se portanto dizer que os anjos, como puros espíritos, não só participam, do modo que lhes é próprio, da santidade de Deus mesmo, mas nos momentos-chaves rodeiam Cristo e acompanham-na no cumprimento da Sua missão salvífica em relação aos homens. Igualmente ao longo dos séculos, também toda a Tradição e o magistério ordinário da Igreja atribuíram aos anjos este particular caráter e esta função de ministério messiânico.