Em união com todos os Santos Anjos

"Sanctus, Sanctus, Sanctus. Dóminus, Deus Sábaoth Pleni sunt caeli et terra Glória tua. Hosánna in excélsis. Benedíctus, qui venit In nómine Dómini, Hosánna in excélsis.

sábado, 30 de novembro de 2013

Domingo hodierno



Com o domingo hodierno tem início o Advento, um tempo de grande sugestão religiosa, porque está impregnado de esperança e de expectativa espiritual. No Advento, o povo cristão revive o duplo movimento do espírito: por um lado, eleva o olhar rumo à meta final da sua peregrinação na história, que é a vinda gloriosa do Senhor Jesus; por outro, recorda com emoção o seu nascimento em Belém. A esperança dos cristãos orienta-se para o futuro, mas permanece sempre bem arraigada num acontecimento do passado. 

O texto evangélico escolhido para este domingo, traz o Evangelista São Mateus (cf. Mt 24,37-44) a nos apresentar o último grande discurso de Jesus antes da sua paixão e morte. É um texto que nos convida a permanecer vigilantes, na expectativa da última vinda de Cristo. "Vigiai!, pois não sabeis o dia que o nosso Senhor virá” (Mt 24,42). "Vigiai!" Uma palavra dirigida aos discípulos, mas também "a todos", porque cada um, na hora que só Deus conhece, será chamado a prestar contas da própria existência. Isto exige um justo desapego dos bens terrenos, um arrependimento sincero dos próprios erros, uma caridade laboriosa em relação ao próximo e sobretudo uma entrega humilde e confiante nas mãos de Deus, nosso Pai terno e misericordioso.

É um apelo veemente à vigilância, pois devemos estar preparados para acolher o Senhor. O tempo do Advento chega todos os anos para nos recordar isto, para que a nossa vida encontre a sua orientação justa, em conformidade com o querer de Deus. 

O evangelista São Mateus contempla com preocupação os sinais de abandono, de desleixo, de rotina, de esfriamento que começam a aparecer na comunidade e sente que é preciso renovar a esperança e levar os crentes a comprometer-se na história, construindo o “Reino”. Nesta situação, Mateus descobre que as palavras de Jesus encerram um profundo ensinamento e compõe com elas uma exortação dirigida aos cristãos. Esta exortação fundamenta-se numa profunda convicção: a vinda do “Filho do homem” é um fato certo, ainda que não aconteça em breve; enquanto não chega o momento, é preciso preparar este grande acontecimento, vivendo de acordo com os ensinamentos de Jesus.

Para Mateus, a vinda do Senhor é certa, embora ninguém saiba o dia nem a hora (cf. Mt 24,36); aos crentes resta estar vigilantes, preparados e ativos. Para transmitir esta mensagem, Mateus usa três quadros:

O primeiro (vers. 37-39) é o quadro da humanidade na época de Noé: os homens viviam, então, numa alegre inconsciência, preocupados apenas em gozar a sua “vidinha” descomprometida; quando o dilúvio chegou, apanhou-os de surpresa e impreparados… Se o “gozar” a vida ao máximo for para o homem a prioridade fundamental, ele arrisca-se a passar ao lado do que é importante e a não cumprir o seu papel no mundo.

O segundo (vers. 40-41) coloca-nos diante de duas situações da vida quotidiana: o trabalho agrícola e a moagem do trigo… Os compromissos e trabalhos necessários à subsistência do homem também não podem ocupá-lo de tal forma que o levem a negligenciar o essencial: a preparação da vinda do Senhor.

O terceiro (vers. 43-44) coloca-nos frente ao exemplo do dono de uma casa que adormece e deixa que a sua casa seja saqueada pelo ladrão… Os crentes não podem, nunca, deixar-se adormecer, pois o seu adormecimento pode levá-los a perder a oportunidade de encontrar o Senhor que vem. A questão fundamental é, portanto, esta: o crente ideal é aquele que está sempre vigilante, atento, preparado, para acolher o Senhor que vem. Não perde oportunidades, porque não se deixa distrair com os bens deste mundo, não vive obcecado com eles e não faz deles a sua prioridade fundamental… Mas, dia a dia, cumpre o papel que Deus lhe confiou, com empenho e com sentido de responsabilidade.

Nossa vida cristã deve ser uma vida de luz, como convém ao dia. Os malfeitores agem à noite. Quem faz o bem, age à luz do dia. E a Palavra do Senhor deve ser para nós a poderosa arma da luz, pois é a Palavra de Deus que alimenta a nossa fé e a nossa esperança, e a fé nos mostra a luz para que possamos enxergar no meio da penumbra da madrugada e vemos com clareza o caminho que o Senhor nos propõe. Assim deve ser o cristão. Ele não tem necessidade de se ocultar, porque sempre deve procurar fazer o bem. Possamos nos preparar para o último dia, vigilantes, não com medo, mas com esperança.

Possamos ainda lembrar das palavras de Santa Teresa de Jesus, que assim diz: “Nada te perturbe, Nada te espante; Tudo passa; Deus não muda; A paciência tudo alcança; Quem a Deus tem; Nada lhe falta: Só Deus basta”. 

Com a Virgem Maria, que nos guia no caminho do Advento, peçamos que sejamos sempre atentos e que tenhamos o coração dilatado para esperar aquele que vem. Assim seja. Um bom domingo a todos.

D. Anselmo Chagas de Paiva, OSB