Em união com todos os Santos Anjos

"Sanctus, Sanctus, Sanctus. Dóminus, Deus Sábaoth Pleni sunt caeli et terra Glória tua. Hosánna in excélsis. Benedíctus, qui venit In nómine Dómini, Hosánna in excélsis.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Auxílio do Santo Anjo

"NÃO TEMERÁS O TERROR DA NOITE" (SL 90,5)

(Esta história aconteceu nos anos da grande crise econômica
 mundial em Chicago, nos Estados Unidos,
entre 1930 e 1933)

 
Era ainda bem cedo, de madrugada, quando Dr. Braun foi despertado pelo seu telefone, que não deixava de tocar. Sonolento, ele tomou o telefone e ouviu uma voz que lhe falava de maneira suplicante: "O senhor é o Dr. Braun?" "Sim, sou eu". Por favor, venha depressa! É muito urgente, se trata de vida ou de morte!" "Vou já. Onde o senhor mora?" "Alan Street n° 17, venha logo, por favor!"
Dr. Braun vestiu-se depressa, pegou a sua bolsa de médico e dirigiu-se para a rua indicada. Sozinho ele dirigiu seu carro nas ruas escuras da cidade. A região, para onde se dirigia, era distante do centro, num bairro em que nem durante o dia os habitantes se sentiam seguros.
Ele encontrou a casa facilmente. Era uma casa solitária. Estranhando por não ter a luz acesa, Dr. Braun aproximou-se da casa e bateu à porta. Depois de uma pausa bateu novamente e de novo não recebeu resposta. Quando bateu pela terceira vez, alguém perguntou com voz grossa: "Quem é?" "Sou eu" respondeu Dr. Braun. "Recebi uma chamada de emergência. É aqui a Alan Street n° 17?" "É, sim, mas ninguém chamou o senhor. É melhor que o senhor desapareça logo daqui!"
Dr. Braun foi-se embora procurando uma casa com luz acesa para encontrar o lugar onde a sua ajuda era necessária. Mas como tudo estava escuro, ele pensou ter anotado o número da casa errado, e até se acusou desta falta. E assim ele voltou para casa. Como não chegou um segundo telefonema, esqueceu-se do acontecimento, ... até que ele recebeu, algumas semanas mais tarde, de novo uma ligação - desta vez durante o dia - do serviço de emergência do hospital. A enfermeira explicava que um certo John Turner, que estava para morrer por causa de um acidente trágico, quis falar urgentemente com Dr. Braun. E ela acrescentou: "Dr. Braun, por favor, venha depressa, pois o homem já está para morrer e não quer dizer-nos porque ele insiste tanto em querer falar com o senhor".
Dr. Braun prometeu chegar logo, embora tivesse a certeza de não conhecer um John Turner. Isso também lhe confirmou o moribundo: "Dr. Braun, o senhor não me conhece, mas eu devo conversar com o senhor antes de morrer, para pedir perdão. O senhor com certeza se lembra de um telefonema durante a noite, algumas semanas atrás." "Sim, mas ..." "Fui eu. Sabe, há meses que me faltava o trabalho. Vendi todas as coisas preciosas da casa, mas mesmo assim não consegui nutrir a minha família. Não consegui mais suportar os olhares suplicantes de meus filhos, cheios de fome. No meu desespero decidi chamar um médico durante a noite. Foi meu plano matá-lo, roubar seu dinheiro e vender seus instrumentos".
Dr. Braun ficou paralisado de terror, mas mesmo assim ainda perguntou: "Mas eu cheguei. Porque, então, o senhor não me matou?" "Pensei que o senhor chegaria sozinho, mas quando vi este grande, forte e jovem varão ao seu lado, fiquei com medo e rejeitei rudemente o senhor. Perdoe-me, por favor". "Claro que vou perdoar", murmurava Dr. Braun, perturbado. E dele apoderou-se um horror; ele nunca imaginava que aquela ligação, que tinha considerado como engano, fosse uma insídia mortal, da qual nem sabia como escapara. E menos pensava ainda que seu Anjo da Guarda (ao qual ele atribuiu depois esta proteção misteriosa) tinha salvado sua vida naquela noite. Porque aquele varão forte, grande e jovem só tinha aparecido àquele que quis assassiná-lo e que agora lhe pedia perdão, encontrando-se já no leito de morte.
Como são admiráveis os caminhos de Deus! Quantas vezes nossos Anjos nos protegem de um prejuízo, de um perigo iminente, sem que nós fiquemos consciente disso.