Em união com todos os Santos Anjos

"Sanctus, Sanctus, Sanctus. Dóminus, Deus Sábaoth Pleni sunt caeli et terra Glória tua. Hosánna in excélsis. Benedíctus, qui venit In nómine Dómini, Hosánna in excélsis.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Fé, Obediência, desprendimento e esperança.

Ensinamentos de Abraão: 


Fé, Obediência, Desprendimento e Esperança

A vida de Abraão é um exemplo excelente para a nossa aspiração à virtude e para a nossa vida com os Anjos. É verdade que nem em todas as situações que Abraão teve que enfrentar, o Anjo é explicitamente mencionado, mas sabemos: "Os Anjos cooperam em todas as nossas boas obras" (São Tomás de Aquino, Summa theol. I,114,3 ad 3). Também o Santo Padre afirma: "Os Anjos, criaturas espirituais, têm função de mediação e de ministério nas relações mantidas entre DEUS e o homem" (Audiência geral de 30.7.1986). A base desta relação é a fé. Neste ponto os Anjos ajudam-nos com a sua luz, para que compreendamos melhor as verdades da fé, as amemos mais fervorosamente e as vivamos com fidelidade. Foi também nisto que o Anjo começou a ajudar Abraão: na fé: ajudou-o a crer em DEUS e a colocar a sua Palavra acima de todas as demais coisas da sua vida.
Quando DEUS chamou Abraão, este levantou-se e seguiu-O, deixando a pátria e a casa paterna. Imaginemos que convicção, que coragem e generosidade isto lhe exigiu: com 75 anos deixar a pátria e ir, através de muitos perigos, para um país estrangeiro. Fê-lo porque acreditou em DEUS.
Sim, Abraão acreditou e pôs a sua esperança na promessa de DEUS, que lhe prometera um país que, um dia, a sua numerosa descendência receberia em herança. Ao chegar à idade de 85 anos, parece-lhe que o seu servo é que há-de herdar todos os seus bens; mas então DEUS promete-lhe um filho. Abraão renuncia a todo e qualquer raciocínio natural e crê firmemente na palavra de DEUS. Abraão e Sara deviam ter tido uma grande luta nesta provação, como se deduz da atitude de Sara que, sendo estéril, insistiu em que Abraão se unisse à sua serva Agar, para que ao menos, através dela, pudesse dar-lhe um filho. De facto, Agar deu à luz um filho, a quem Abraão chamou Ismael (cf. Gn 16,15). Foi nele que o patriarca pôs por agora a sua esperança.
Porém, quando Abraão já tem 99 anos, DEUS aparece-lhe de novo e promete-lhe um filho que nascerá de Sara e que será o seu único herdeiro. Tendo em conta a sua idade muito avançada e o amor que tinha a Ismael, Abraão vacilou um momento e pediu a DEUS que aceitasse Ismael e cumprisse nele a promessa. Mas o Senhor repetiu a promessa de uma aliança e de uma descendência numerosa que lhe seria dada por Sara. Mais uma vez, Abraão renunciou a toda e qualquer reflexão humana e acreditou em DEUS.
Fiel à Sua palavra, DEUS deu um filho a Abraão e Sara; foi Isaac, em quem todas as promessas se cumpririam. Indizivelmente pesada deve ter sido, portanto, a provação para Abraão, quando DEUS, doze anos mais tarde, exigiu que tomasse Isaac, seu filho muito amado, e o oferecesse em holocausto no monte que Ele próprio lhe mostraria (Mória, em Jerusalém). Mas Abraão manifestou uma fé e uma obediência exemplares! Pensemos no grande silêncio que ele guardou naquela provação. Não pronunciou uma palavra inútil. Numa grande disponibilidade, levantou-se de madrugada para ir executar a ordem de DEUS. Ele mesmo selou o jumento e cortou a lenha para o sacrifício. Fez tudo isto com as suas próprias mãos; embora tivesse muitos servos, quis cumprir até ao mínimo pormenor a vontade de DEUS. Tenhamos também presente que entretanto ele já tinha 112 anos!
Andaram três dias até chegar ao monte mencionado por DEUS. Aí, Abraão colocou a lenha aos ombros de Isaac, (que se tornou assim prefiguração de CRISTO, o Cordeiro do sacrifício que levou a Sua cruz para o Calvário), enquanto ele pegou no fogo e no cutelo. O filho perguntou-lhe: 'Meu Pai!... Levamos fogo e lenha mas onde está a rês para o holocausto?' Como devia sangrar o coração de Abraão ao ouvir esta pergunta! Mas respondeu: 'DEUS providenciará quanto à rês para o holocausto, meu filho' (Gn 22,8).
Não porque Abraão esperasse que o seu filho pudesse ser salvo no último minuto, mas antes como no-lo explica São Paulo: Contra o que podia esperar, acreditou (Rom 4,18). Ele considerava que DEUS é poderoso até para ressuscitar os mortos; por isso o recebeu na qualidade de figura (Hb 11,19).
Quando Abraão agarrou no cutelo para degolar o filho, o Anjo do Senhor gritou-lhe do céu: 'Abraão! Abraão!' Ele respondeu: 'Aqui estou'. O Anjo disse: 'Não levantes a tua mão sobre o menino e não lhe faças mal algum, porque sei agora que, na verdade, temes a DEUS, visto não me teres recusado o teu único filho' (Gn 22,11-12). Erguendo os olhos, Abraão viu atrás dele um carneiro preso pelos chifres num silvado. Ofereceu-o em holocausto, em substituição do filho.
O Anjo do Senhor chamou Abraão do céu, pela segunda vez, e disse-lhe: 'Juro por Mim mesmo, declara o Senhor, que, por teres procedido desta forma e por não Me teres recusado o teu único filho, abençoar-te-ei e multiplicarei a tua descendência como as estrelas do céu e como a areia das praias do mar..... E todas as nações da terra serão abençoadas na tua descendência, porque obedeceste à Minha voz' (Gn 22,15-18).
Pela sua obediência na fé, Abraão mereceu ser o antepassado de CRISTO e o nosso pai na fé. São Paulo explica que as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência, falando como de um só, que é CRISTO (cf. Gal 3,16).
O que neste relato nos enche de espanto é a maneira de falar do Anjo, pois fala directamente em nome de DEUS. Isto explica-se pela união do Anjo com DEUS na visão beatífica, na qual o Anjo é aperfeiçoado. Que significa isto? Sem perderem nada da sua condição de criatura, os Anjos entraram, pela graça, numa perfeita união mística com DEUS. Na carta aos Hebreus está escrito: A respeito dos Anjos diz: 'Ele faz dos Seus Anjos espíritos e dos Seus ministros chamas de fogo' (Hb 1,7).
Porque são santificados pelo ESPÍRITO SANTO e penetrados do fogo do Seu Amor, é Ele que os conduz e move com os Seus dons quando cumprem o seu ministério. As palavras que São João da Cruz usa para uma alma na união mística, valem ainda mais para os Anjos na sua glória. "Neste estado não pode a alma fazer nenhum acto de seu natural, pois o ESPÍRITO SANTO fá-los todos e a eles a move; e por isso todos os seus actos são divinos, pois são feitos e movidos por DEUS" (Chama viva de amor I,4). "Todos os movimentos desta alma são divinos; mas ainda que sejam de DEUS, são dela também, porque DEUS os faz nela, com ela, que dá a sua vontade e consentimento" (ibid. I,9). Em poucas palavras: os Anjos são instrumentos perfeitos e mensageiros para transmitir às almas a luz de DEUS e o fogo do Seu amor.
É certo que DEUS poderia fazer tudo isso sem o ministério dos Santos Anjos, mas a Sagrada Escritura explica-nos que Ele nos envia os Seus Anjos como que numa missão espiritual. Na visão beatífica, os Anjos e os Santos possuem DEUS e são, por sua vez, propriedade d'Ele. Por isso gozam de uma grande liberdade de agir. Se os Anjos e os Santos conseguem pouco na nossa vida espiritual, não é porque lhes faltem o desejo ou os meios, mas porque nos falta a nós a boa disposição e a vontade de colaborar com eles. Em pouco tempo poderiam fazer-nos chegar à santidade, se nós aceitássemos apenas a Cruz, que é o único caminho na imitação de CRISTO. Voltam a ser as palavras de São João da Cruz sobre a perfeita união mística de uma alma com DEUS, que valem mais para os Anjos e os Santos na glória: "Porque ali vê a alma que DEUS é verdadeiramente dela, e que O possui com posse hereditária, com propriedade de direito, como quem é filho adoptivo de DEUS, pela graça que DEUS lhe fez de se lhe dar a Si mesmo, e que, como coisa própria, O pode dar e comunicar a quem ela bem quiser" (ibid. III, 78).
Se olharmos para os ministérios dos Anjos segundo a visão do 'Doutor místico', não nos surpreende que eles apareçam com o esplendor da glória de DEUS e falem em Seu nome. Pois, Deus não somente está neles e fala através deles (cf. Noite escura II,12), mas Ele lhes concedeu uma grande liberdade na execução dos seus serviços. A sua missão é conduzir-nos à santidade e têm a liberdade de nos advertir, iluminar, fortalecer e inflamar dentro dos limites estabelecidos pela Sabedoria Divina. Abraão colaborou com esta graça e assim o seu nome foi grande perante DEUS.


Fonte: Obra dos Santos Anjos.