Em união com todos os Santos Anjos

"Sanctus, Sanctus, Sanctus. Dóminus, Deus Sábaoth Pleni sunt caeli et terra Glória tua. Hosánna in excélsis. Benedíctus, qui venit In nómine Dómini, Hosánna in excélsis.

quinta-feira, 7 de março de 2013

O Anjo que confortou o Senhor


O SERVIÇO DOS ANJOS

Jesus não veio para ser servido, mas para servir, embora os Anjos O servissem depois das tentações (cf Mt 4,11, Mc 1, 12).
No deserto, Ele não fez milagres para si mesmo, e, ao mesmo tempo, rejeitou energicamente Satanás, quando este tentou sugerir-Lhe o poder de fazer milagres, apelando até à providencial proteção angélica (cf Mt 4,6). E também no Monte das Oliveiras agiu de maneira semelhante. Tentado novamente pelo diabo, não pediu que o Pai Lhe enviasse mais de doze legiões de Anjos. Antes, reservou este ministério angélico para a Sua Igreja. Não obstante, a Bíblia não nos impede de imaginar, que em Sua vida, o Senhor teve uma relação estreita com os Anjos.
Os Anjos de Deus, que Jacó no Antigo Testamento viu subindo e descendo pela escada (Gn 28,12), agora de fato estão "subindo e descendo sobre o Filho do Homem" (Jo 1,51). A escada do céu, que, segundo os Padres da Igreja, prefigurava o mistério da encarnação, contém também o mistério da Paixão de Jesus, porque somente Ele podia abrir novamente o céu.

A ORAÇÃO DE JESUS

Quando o Senhor começou a Sua Paixão no Monte das Oliveiras, rezou fervorosamente.
O Pai celeste respondeu a oração de Jesus enviando-Lhe um Anjo. Jesus aludiu à possível ajuda dos Anjos, frente uma inútil ajuda humana: "Ou pensas tu que eu não poderia apelar para o Meu Pai, para que Ele pusesse à Minha disposição, agora mesmo, mais de doze legiões de Anjos?" (Mt 26,53). Mas o Senhor preferiu renunciar a uma intervenção com caráter de milagre, que teria desviado a Sua missão. Pelo contrário, Jesus quis oferecer à humanidade o testemunho do amor supremo.
O espírito do mal, que tentara o Cristo no deserto, aproximou-se tenebroso, entre os troncos das oliveiras. O tentador no Getsêmani fora até mais insinuante do que no deserto. O Senhor, porém, exprime toda a Sua dor num grito agudo, infinito: "Meu Pai, Meu Pai, se quiserdes afastar de Mim este cálice... porém, seja feita não a Minha, mas a Tua vontade". E o grito e o pranto elevam-se até ferir o Coração do Pai. E o Filho é escutado pela Sua piedade: "Apresentou pedidos e súplicas, com veemente clamor e lágrimas, Àquele que O podia salvar da morte; e foi atendido por causa da Sua submissão" (Hb 5,7). "Apareceu-lhe um Anjo do céu, que O confortava" (Lc 22,43). Era a resposta do Pai.
O Anjo veio confortar Jesus. Não foram os homens, pois os Apóstolos, mesmo sendo convidados por Jesus para vigiar, adormeceram. Por isso só restava o Anjo. E entre as asas do Anjo, Jesus vislumbrava o mundo novo, a humanidade renovada pelo padecimento dessa noite, o Reino dos Céus vitorioso sobre o reino de Satanás.
Para o Anjo foi também uma experiência nova, ver o Senhor tão fraco, tão esmagado no chão, no meio de tantas trevas, abandonado por todos os Seus mais íntimos amigos. E ele, como Anjo, criatura desta Pessoa tão mergulhada no sofrimento , certamente não esqueceu aquilo que viu. Pode-se imaginar muito bem que foi uma experiência que marcou profundamente toda a sua existência angelical, e certamente a todos os Anjos que assistiram à Paixão do Senhor.
O envio do Anjo nos mostra também em que luta o Senhor estava envolvido. Porque depois do sofrimento no Horto, quando chegaram os soldados para prendê-l'O, Ele disse: "Esta é a vossa hora e o poder das trevas" (Lc 22,53). O aparecimento do Anjo mostra-nos que agora é a decisão da luta entre os Anjos bons e os anjos maus, os demônios, esta luta que começou na provação dos Anjos, e na qual os anjos caídos perderam seu lugar nos céus. Jesus avisou antes da Sua Paixão: "agora é o julgamento desde mundo, será lançado fora o príncipe deste mundo" (Jo 12,31). Quer dizer que Ele lançará fora o diabo.

CONSOLEMOS A JESUS

O episódio do Anjo do Getsêmani ofereceu freqüentemente, no passado, um ponto de partida para piedosas meditações para Horas Santas, de maneira que os devotos se tornaram 'anjos de conforto' para Jesus na Eucaristia, em reparação pelo abandono, pelas ofensas e pelos sacrilégios cometidos por muitos, como podemos ler no seguinte exemplo: "Jesus está só no Getsêmani; só é também Jesus no Sacramento do amor. Foi o Céu porém, que resolveu confortar o Divino Coração em Sua solidão, dor e tristeza. Quando no entanto, no Getsêmani, a violência da agonia foi tal, que a humanidade do Redentor esteve prestes a sucumbir, então um Anjo desceu para conforta-l'O... Jesus levanta os olhos e vê o Mensageiro de Seu Pai... já não está sozinho". No Getsêmani, um Anjo quebra a solidão do Mártir Divino, e, no Tabernáculo, quem desce para confortar Jesus? "Formações numerosas daqueles bem-aventurados espíritos", escreve São João Crisóstomo, "estão com as asas abertas diante do Tabernáculo, em adoração perpétua, e Jesus pede a Seus amigos ... Permanecei aqui e vigiai coMigo."
A piedade popular gosta de associar os Anjos à Paixão do Senhor: ora os vê recolhendo cada gota do Sangue derramado ao longo da Via Sacra, ora lhes atribui sentimentos de humana compaixão. Peçamos, pois, a estes Anjos, que nos preservem da indiferença diante do sofrimento do Senhor. A Paixão de Jesus não é algo para ser recordado de vez em quando, mas algo que marca profundamente a nossa vida, nosso ser e agir. Quantas vezes na história da Igreja ocorreu que, de um lado, os discípulos de Jesus estavam dormindo, enquanto os Seus inimigos realizavam zelosamente os planos mais perversos?

Os Anjos não compreenderam o mistério que se estava realizando com o seu Rei, mas agora convocam os fiéis para a veneração da Paixão: "Os exércitos dos Anjos rodeiam e veneram a gloriosa cruz, com santo temor, e eles convocam a todos os fiéis para a veneração. Todos vocês, que agora se tornaram brilhantes, pela prática do jejum, prostrai-vos com alegria e temor diante Dele e clamai: 'Seja bendita, ó Cruz preciosa, proteção do mundo'" (Liturgia ortodoxa do 3º Domingo da Quaresma).